{"id":34998,"date":"2026-02-15T10:47:00","date_gmt":"2026-02-15T13:47:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=34998"},"modified":"2026-02-10T10:14:31","modified_gmt":"2026-02-10T13:14:31","slug":"brasil-pode-virar-potencia-de-producao-de-uranio-no-mundo-mas-depende-de-uma-assinatura-do-governo-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/brasil-pode-virar-potencia-de-producao-de-uranio-no-mundo-mas-depende-de-uma-assinatura-do-governo-lula\/","title":{"rendered":"Brasil pode virar pot\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio no mundo, mas depende de uma assinatura do Governo Lula"},"content":{"rendered":"\n<p>O Brasil re\u00fane condi\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas para se tornar um dos principais produtores de ur\u00e2nio do mundo, mas a concretiza\u00e7\u00e3o desse potencial depende de uma decis\u00e3o pol\u00edtica. A amplia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o nacional est\u00e1 travada \u00e0 espera de um decreto do governo Lula que regulamente parcerias entre a Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil (INB) e empresas privadas \u2014 medida vista como essencial para destravar investimentos e tirar o pa\u00eds da posi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica no mercado global do mineral estrat\u00e9gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, a explora\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio de materiais nucleares s\u00e3o monop\u00f3lio da Uni\u00e3o, modelo criado para garantir soberania nacional e seguran\u00e7a estrat\u00e9gica. Na pr\u00e1tica, isso colocou a INB como \u00fanica respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio no pa\u00eds, com apenas uma mina ativa, o que limita fortemente a capacidade de expans\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, o Brasil ocupa apenas a&nbsp;<strong>14\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking mundial de produ\u00e7\u00e3o<\/strong>, apesar de figurar entre os pa\u00edses com&nbsp;<strong>maiores reservas conhecidas<\/strong>, frequentemente citado em torno da&nbsp;<strong>8\u00aa coloca\u00e7\u00e3o global<\/strong>. O contraste evidencia que o gargalo n\u00e3o \u00e9 falta de ur\u00e2nio, mas sim um modelo institucional considerado excessivamente restritivo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"888\" height=\"592\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-80.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-34999\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-80.png 888w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-80-300x200.png 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-80-768x512.png 768w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-80-150x100.png 150w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-80-750x500.png 750w\" sizes=\"(max-width: 888px) 100vw, 888px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ur\u00e2nio (Reprodu\u00e7\u00e3o\/INB)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A virada come\u00e7ou a ser desenhada com a&nbsp;<strong>Lei n\u00ba 14.514\/2022<\/strong>, sancionada no fim do governo Jair Bolsonaro, que autorizou a INB a firmar parcerias com empresas privadas em toda a cadeia do combust\u00edvel nuclear \u2014 da extra\u00e7\u00e3o do ur\u00e2nio at\u00e9 a fabrica\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel usado em usinas como Angra 1 e 2. Antes disso, parcerias s\u00f3 eram permitidas quando o ur\u00e2nio fosse subproduto de outras atividades.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a lei nunca saiu do papel. Falta um decreto presidencial que estabele\u00e7a as regras dessas parcerias, definindo crit\u00e9rios, responsabilidades e divis\u00e3o de resultados. Desde o in\u00edcio do atual governo, diferentes vers\u00f5es do texto j\u00e1 foram elaboradas pelo Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME), mas nenhuma avan\u00e7ou.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnquanto n\u00e3o tiver esse decreto, n\u00e3o tem o que colocar na mesa para negociar, e essa demora n\u00e3o se justifica\u201d, afirma&nbsp;<strong>Carlos Freire<\/strong>, presidente da INB entre 2019 e 2023.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Energia nuclear volta ao centro do debate global<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A urg\u00eancia cresce em meio ao novo interesse mundial pela energia nuclear, vista como fonte est\u00e1vel de eletricidade e livre de emiss\u00f5es de carbono. Grandes empresas de tecnologia, especialmente as chamadas big techs, t\u00eam buscado esse tipo de energia para abastecer data centers, impulsionando a demanda global por ur\u00e2nio.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, cerca de&nbsp;<strong>75% da produ\u00e7\u00e3o mundial<\/strong>&nbsp;est\u00e1 concentrada em poucos pa\u00edses, como&nbsp;<strong>Cazaquist\u00e3o (39%)<\/strong>,&nbsp;<strong>Canad\u00e1 (24%)<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Nam\u00edbia (12%)<\/strong>, segundo a World Nuclear Association. Especialistas avaliam que o Brasil poderia reduzir essa concentra\u00e7\u00e3o e ganhar relev\u00e2ncia internacional caso destrave sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante da demora do governo, a pr\u00f3pria INB firmou, no fim de 2025, uma parceria com o&nbsp;<strong>BNDES<\/strong>&nbsp;para estruturar modelos de coopera\u00e7\u00e3o com o setor privado. O banco confirmou que realizou consultas ao mercado para mapear interessados, mas reconhece que, sem o decreto, qualquer acordo fica vulner\u00e1vel \u00e0 inseguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil re\u00fane condi\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas para se tornar um dos principais produtores de ur\u00e2nio do mundo, mas a concretiza\u00e7\u00e3o desse potencial depende de uma decis\u00e3o pol\u00edtica. A amplia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o nacional est\u00e1 travada \u00e0 espera de um decreto do governo Lula que regulamente parcerias entre a Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil (INB) e empresas privadas \u2014 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":35000,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":{"format":"standard"},"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_override_counter":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-34998","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_referencia":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34998"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34998\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":35001,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34998\/revisions\/35001"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35000"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}