{"id":35501,"date":"2026-02-16T10:31:00","date_gmt":"2026-02-16T13:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=35501"},"modified":"2026-02-13T11:25:52","modified_gmt":"2026-02-13T14:25:52","slug":"pais-sul-americano-que-hoje-em-dia-esta-quebrado-ja-foi-considerado-a-dubai-das-americas-de-tao-rico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/pais-sul-americano-que-hoje-em-dia-esta-quebrado-ja-foi-considerado-a-dubai-das-americas-de-tao-rico\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds sul-americano, que hoje em dia est\u00e1 quebrado, j\u00e1 foi considerado a Dubai das Am\u00e9ricas de t\u00e3o rico"},"content":{"rendered":"\n<p>Refer\u00eancia em prosperidade no passado e hoje associada ao um dos maiores colapsos econ\u00f4micos, a Venezuela era um dos pa\u00edses mais ricos do continente. Impulsionado pelas maiores reservas comprovadas de petr\u00f3leo do planeta, o pa\u00eds chegou a ser chamado de \u201cAr\u00e1bia Saudita da Am\u00e9rica Latina\u201d \u2014 ou at\u00e9 de \u201cDubai das Am\u00e9ricas\u201d \u2014 em refer\u00eancia \u00e0 riqueza gerada pelo petr\u00f3leo e ao alto padr\u00e3o de vida exibido principalmente nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele per\u00edodo, a na\u00e7\u00e3o vizinha do Brasil figurava entre as mais ricas do continente e chegou a integrar a lista dos 20 pa\u00edses mais ricos do mundo. A realidade atual, no entanto, \u00e9 marcada por retra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica profunda, pobreza generalizada e um dos maiores \u00eaxodos da hist\u00f3ria moderna das Am\u00e9ricas.<\/p>\n\n\n\n<p>A ascens\u00e3o venezuelana come\u00e7ou ainda na primeira metade do s\u00e9culo 20, quando o pa\u00eds despontou como um dos maiores produtores de petr\u00f3leo do mundo. Ap\u00f3s a queda da ditadura de Marcos P\u00e9rez Jim\u00e9nez, em 1958, a Venezuela viveu tr\u00eas d\u00e9cadas de forte crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1959 e 1983, o crescimento m\u00e9dio anual foi de 4,3%, com infla\u00e7\u00e3o controlada e desemprego em torno de 10%. Nos anos 1970, os venezuelanos tinham o maior poder de compra da Am\u00e9rica Latina, quase tr\u00eas vezes superior ao dos brasileiros, segundo dados da OCDE. Caracas exibia infraestrutura moderna, hot\u00e9is de luxo e rodovias amplas, enquanto a moeda local, o bol\u00edvar, era forte o suficiente para tornar comuns as viagens de compras a Miami.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 cerca de 25 anos, o PIB venezuelano alcan\u00e7ava US$ 122,9 bilh\u00f5es, superando economias como a da Col\u00f4mbia e registrando desempenho superior ao do Brasil no mesmo per\u00edodo. At\u00e9 recentemente, grande parte da popula\u00e7\u00e3o urbana tinha acesso regular a \u00e1gua pot\u00e1vel, energia el\u00e9trica e saneamento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Colapso econ\u00f4mico e hiperinfla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio come\u00e7ou a mudar nas \u00faltimas d\u00e9cadas e se agravou sob os governos de Hugo Ch\u00e1vez e, posteriormente, Nicol\u00e1s Maduro. Especialistas apontam uma combina\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas econ\u00f4micas intervencionistas, controle cambial e de pre\u00e7os, gastos p\u00fablicos elevados, enfraquecimento da iniciativa privada e m\u00e1 gest\u00e3o da estatal petrol\u00edfera PDVSA como fatores centrais da deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A forte depend\u00eancia do petr\u00f3leo tornou o pa\u00eds vulner\u00e1vel \u00e0 queda dos pre\u00e7os internacionais. Depois de anos com o barril acima de US$ 100, a cota\u00e7\u00e3o despencou para cerca de US$ 21 em 2016. Ao mesmo tempo, a produ\u00e7\u00e3o interna caiu, reduzindo drasticamente a principal fonte de receita externa.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"530\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-265.png\" alt=\"venezuela pa\u00eds imigrantes\" class=\"wp-image-30086\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-265.png 1000w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-265-300x159.png 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-265-768x407.png 768w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-265-150x80.png 150w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-265-750x398.png 750w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">(Reprodu\u00e7\u00e3o\/Getty Images)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Entre 2014 e 2021, o PIB venezuelano encolheu cerca de 70%. Em 2020, a economia recuou aproximadamente 30%. A hiperinfla\u00e7\u00e3o atingiu n\u00edveis extremos: chegou a 300 mil por cento em 2019, enquanto o bol\u00edvar perdeu praticamente todo o valor frente ao d\u00f3lar no mercado paralelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Associated Press, trata-se do maior colapso econ\u00f4mico fora de um cen\u00e1rio de guerra em pelo menos 45 anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Crise humanit\u00e1ria e \u00eaxodo hist\u00f3rico<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias sociais s\u00e3o profundas. Dados indicam que mais de 91% da popula\u00e7\u00e3o vive na pobreza, sendo 67% em extrema pobreza. Relat\u00f3rios da ONU apontam que 7,6 milh\u00f5es de pessoas necessitam de ajuda humanit\u00e1ria. Um levantamento do Unicef mostra que um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o deixa de fazer ao menos uma refei\u00e7\u00e3o por dia.<\/p>\n\n\n\n<p>A crise provocou ainda um \u00eaxodo massivo. De acordo com a Ag\u00eancia da ONU para Refugiados (ACNUR), quase 8 milh\u00f5es de venezuelanos deixaram o pa\u00eds \u2014 cerca de um quarto da popula\u00e7\u00e3o. Atualmente, 70% das pessoas que cruzam o perigoso Estreito de Dari\u00e9n rumo \u00e0 Am\u00e9rica do Norte s\u00e3o venezuelanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora ainda mantenha la\u00e7os comerciais com pa\u00edses como Brasil e Col\u00f4mbia, a participa\u00e7\u00e3o da Venezuela no com\u00e9rcio regional \u00e9 limitada e representa fatias pequenas das exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es. Enquanto Estados Unidos, China e Espanha concentram compras de petr\u00f3leo e derivados, pa\u00edses latino-americanos adquirem principalmente fertilizantes \u00e0 base de nitrog\u00eanio e pescado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Refer\u00eancia em prosperidade no passado e hoje associada ao um dos maiores colapsos econ\u00f4micos, a Venezuela era um dos pa\u00edses mais ricos do continente. 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