{"id":54273,"date":"2026-08-09T14:48:00","date_gmt":"2026-08-09T17:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=54273"},"modified":"2026-08-05T06:20:29","modified_gmt":"2026-08-05T09:20:29","slug":"cientistas-revelam-o-que-o-deserto-do-saara-e-a-floresta-amazonica-tem-em-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/cientistas-revelam-o-que-o-deserto-do-saara-e-a-floresta-amazonica-tem-em-comum\/","title":{"rendered":"Cientistas revelam o que o deserto do Saara e a Floresta Amaz\u00f4nica t\u00eam em comum"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos fen\u00f4menos naturais mais impressionantes do planeta conecta dois ambientes completamente opostos: o deserto do Saara, na \u00c1frica, e a Floresta Amaz\u00f4nica, na Am\u00e9rica do Sul. Estudos cient\u00edficos demonstram que enormes nuvens de poeira atravessam milhares de quil\u00f4metros sobre o Oceano Atl\u00e2ntico e transportam nutrientes essenciais que ajudam a sustentar a biodiversidade da maior floresta tropical do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pesquisas, conduzidas por cientistas da Universidade de Maryland em parceria com o Centro de Voos Espaciais Goddard, da NASA, revelaram que cerca de <strong>182 milh\u00f5es de toneladas de poeira<\/strong> deixam o Saara anualmente. Desse total, aproximadamente <strong>27,7 milh\u00f5es de toneladas<\/strong> chegam \u00e0 Bacia Amaz\u00f4nica, formando uma das maiores transfer\u00eancias naturais de nutrientes j\u00e1 registradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O elemento mais importante transportado pela poeira \u00e9 o <strong>f\u00f3sforo<\/strong>, nutriente fundamental para o desenvolvimento das plantas. Os solos amaz\u00f4nicos s\u00e3o antigos e naturalmente pobres nesse mineral, que \u00e9 constantemente levado pelas intensas chuvas da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores estimam que cerca de <strong>22 mil toneladas de f\u00f3sforo<\/strong> sejam depositadas sobre a Amaz\u00f4nia todos os anos. A quantidade praticamente compensa o volume perdido pela floresta devido ao escoamento provocado pelas chuvas, contribuindo para manter seu equil\u00edbrio ecol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados foram obtidos por meio do sat\u00e9lite <strong>CALIPSO<\/strong>, lan\u00e7ado em 2006, que utiliza tecnologia a laser (lidar) para medir a distribui\u00e7\u00e3o tridimensional de part\u00edculas na atmosfera. Foi a primeira vez que cientistas conseguiram quantificar com precis\u00e3o o volume de poeira que completa a travessia transatl\u00e2ntica.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"630\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tr-2026-05-20T183705.675-1200x630.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-54274\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tr-2026-05-20T183705.675-1200x630.webp 1200w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tr-2026-05-20T183705.675-300x158.webp 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tr-2026-05-20T183705.675-768x403.webp 768w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tr-2026-05-20T183705.675-1536x806.webp 1536w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tr-2026-05-20T183705.675-150x79.webp 150w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tr-2026-05-20T183705.675-750x394.webp 750w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tr-2026-05-20T183705.675-1140x599.webp 1140w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tr-2026-05-20T183705.675.webp 1600w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: (Reprodu\u00e7\u00e3o\/Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma &#8220;ponte atmosf\u00e9rica&#8221; de quase 16 mil quil\u00f4metros<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A NASA descreveu esse deslocamento como um <strong>&#8220;rio atmosf\u00e9rico intermitente de poeira&#8221;<\/strong>, que percorre aproximadamente <strong>10 mil milhas<\/strong> (cerca de 16 mil quil\u00f4metros) entre a \u00c1frica e a Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo os pesquisadores, das 182 milh\u00f5es de toneladas de poeira emitidas pelo Saara, cerca de <strong>132 milh\u00f5es<\/strong> caem no Oceano Atl\u00e2ntico antes de alcan\u00e7ar o continente americano. Outras <strong>24 milh\u00f5es de toneladas<\/strong> seguem em dire\u00e7\u00e3o ao Caribe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a maior parte desse material seja composta por s\u00edlica e argila, uma pequena fra\u00e7\u00e3o rica em f\u00f3sforo desempenha um papel decisivo para a produtividade da floresta, j\u00e1 que esse nutriente limita o crescimento da vegeta\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Origem da poeira ainda divide especialistas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muitos anos, a comunidade cient\u00edfica apontou a <strong>Depress\u00e3o de Bod\u00e9l\u00e9<\/strong>, no norte do Chade, como a principal origem da poeira fertilizante. A regi\u00e3o corresponde ao leito seco de um antigo lago e possui sedimentos ricos em f\u00f3sforo formados por restos fossilizados de organismos aqu\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, pesquisas mais recentes, publicadas em 2020 por cientistas da Universidade de Princeton e do Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o a Jato (JPL), da NASA, sugerem que grande parte da poeira que realmente chega \u00e0 Amaz\u00f4nia pode vir da regi\u00e3o de <strong>El Djouf<\/strong>, localizada entre Maurit\u00e2nia, Mali e Arg\u00e9lia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo esse estudo, parte significativa da poeira proveniente de Bod\u00e9l\u00e9 seria removida da atmosfera pelas chuvas antes de cruzar o Atl\u00e2ntico. Apesar disso, a quest\u00e3o permanece em aberto, e diferentes trabalhos cient\u00edficos continuam investigando qual regi\u00e3o do Saara responde pela maior parcela dos nutrientes transportados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fen\u00f4meno \u00e9 considerado essencial para o equil\u00edbrio clim\u00e1tico<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar das diverg\u00eancias sobre a origem exata da poeira, existe consenso entre os pesquisadores de que a conex\u00e3o entre o Saara e a Amaz\u00f4nia \u00e9 real e desempenha papel fundamental na manuten\u00e7\u00e3o do ecossistema amaz\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O transporte natural de poeira demonstra como diferentes regi\u00f5es do planeta est\u00e3o interligadas por processos atmosf\u00e9ricos de grande escala. A cada ano, ventos carregam milh\u00f5es de toneladas de part\u00edculas minerais da \u00c1frica at\u00e9 a Am\u00e9rica do Sul, contribuindo para repor nutrientes essenciais e ajudando a preservar uma das \u00e1reas de maior biodiversidade do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos fen\u00f4menos naturais mais impressionantes do planeta conecta dois ambientes completamente opostos: o deserto do Saara, na \u00c1frica, e a Floresta Amaz\u00f4nica, na Am\u00e9rica do Sul. 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