{"id":54515,"date":"2026-08-09T08:48:00","date_gmt":"2026-08-09T11:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=54515"},"modified":"2026-08-07T06:15:04","modified_gmt":"2026-08-07T09:15:04","slug":"cientistas-da-universidade-de-stanford-criam-16-novos-virus-utilizando-inteligencia-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/cientistas-da-universidade-de-stanford-criam-16-novos-virus-utilizando-inteligencia-artificial\/","title":{"rendered":"Cientistas da Universidade de Stanford criam 16 novos v\u00edrus utilizando Intelig\u00eancia Artificial"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores do Arc Institute e da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, conseguiram utilizar intelig\u00eancia artificial para projetar genomas completos de v\u00edrus que posteriormente foram produzidos e testados em laborat\u00f3rio. Ao todo, 16 dos quase 300 genomas selecionados pelos cientistas se mostraram vi\u00e1veis, dando origem a bacteri\u00f3fagos capazes de infectar bact\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo foi publicado nesta quinta-feira (6) na revista cient\u00edfica Science e representa um avan\u00e7o na utiliza\u00e7\u00e3o de modelos de intelig\u00eancia artificial para a engenharia gen\u00e9tica. Apesar do impacto do experimento, os v\u00edrus desenvolvidos n\u00e3o infectam seres humanos: trata-se de bacteri\u00f3fagos, organismos especializados em atacar bact\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores utilizaram os modelos Evo1 e Evo2, desenvolvidos para trabalhar com sequ\u00eancias gen\u00e9ticas de maneira semelhante \u00e0 forma como modelos de linguagem, como os usados em sistemas de intelig\u00eancia artificial, processam textos. A ferramenta foi treinada com informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas de cerca de 2 milh\u00f5es de bacteri\u00f3fagos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir desse enorme conjunto de dados, o sistema aprendeu padr\u00f5es e restri\u00e7\u00f5es presentes nos genomas naturais e foi utilizado para criar milhares de combina\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas dentro de uma estrutura capaz de ser hospedada pela bact\u00e9ria Escherichia coli, conhecida como E. coli.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"767\" height=\"616\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/d41586-025-03055-y_51461856.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-54516\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/d41586-025-03055-y_51461856.jpg 767w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/d41586-025-03055-y_51461856-300x241.jpg 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/d41586-025-03055-y_51461856-150x120.jpg 150w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/d41586-025-03055-y_51461856-750x602.jpg 750w\" sizes=\"(max-width: 767px) 100vw, 767px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: (Reprodu\u00e7\u00e3o\/CDC)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>IA criou milhares de combina\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas selecionaram aproximadamente 300 dos genomas produzidos pela intelig\u00eancia artificial para serem constru\u00eddos e testados em laborat\u00f3rio. O processo apresentou baixa efici\u00eancia: somente 16 dos candidatos conseguiram produzir bacteri\u00f3fagos funcionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo assim, os resultados chamaram a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores. Em determinados testes, uma combina\u00e7\u00e3o dos novos v\u00edrus conseguiu superar a resist\u00eancia de duas cepas diferentes de E. coli. Uma mistura compar\u00e1vel de bacteri\u00f3fagos obtidos diretamente da natureza n\u00e3o apresentou o mesmo desempenho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os bacteri\u00f3fagos s\u00e3o v\u00edrus que infectam bact\u00e9rias e, por isso, v\u00eam sendo estudados como uma alternativa para combater determinados microrganismos resistentes a medicamentos. A possibilidade de utilizar intelig\u00eancia artificial para projetar rapidamente novos genomas poderia, em tese, permitir que essas terapias sejam ajustadas de acordo com diferentes bact\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos novos v\u00edrus tamb\u00e9m apresentou uma caracter\u00edstica considerada evolutivamente distante dos padr\u00f5es encontrados nos dados naturais. Para os pesquisadores, isso indica que a intelig\u00eancia artificial conseguiu propor uma altera\u00e7\u00e3o que poderia levar milh\u00f5es de anos para aparecer por meio da evolu\u00e7\u00e3o natural.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Experimento traz alerta sobre seguran\u00e7a<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar do potencial para aplica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas e biotecnol\u00f3gicas, o avan\u00e7o tamb\u00e9m levantou preocupa\u00e7\u00f5es entre especialistas. Os pr\u00f3prios pesquisadores afirmaram que a capacidade de criar genomas virais por meio de intelig\u00eancia artificial traz quest\u00f5es importantes relacionadas \u00e0 biosseguran\u00e7a, conten\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a biol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para reduzir os riscos durante o experimento, as sequ\u00eancias de v\u00edrus capazes de infectar seres humanos, animais ou plantas foram deliberadamente exclu\u00eddas dos dados utilizados no treinamento dos modelos. O trabalho ficou concentrado nos bacteri\u00f3fagos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um artigo publicado juntamente com o estudo, especialistas do Center for Health Security da Universidade Johns Hopkins destacaram que a capacidade de compor genomas virais com intelig\u00eancia artificial j\u00e1 existe, enquanto as estruturas de governan\u00e7a necess\u00e1rias para garantir que essa tecnologia seja utilizada de maneira segura ainda n\u00e3o est\u00e3o suficientemente desenvolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores Tom Inglesby e Moritz Hanke tamb\u00e9m alertaram que a abordagem n\u00e3o deve ser aplicada a agentes capazes de infectar humanos, animais ou plantas. Segundo eles, genomas desenvolvidos dessa maneira poderiam, em determinadas circunst\u00e2ncias, produzir novos pat\u00f3genos para os quais as medidas de conten\u00e7\u00e3o existentes n\u00e3o seriam suficientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Tom Ellis, do Imperial College London, classificou o resultado como impressionante, mas ressaltou que bacteri\u00f3fagos possuem genomas relativamente pequenos e simples. Para ele, produzir organismos geneticamente mais complexos seria uma tarefa consideravelmente mais dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores do Arc Institute e da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, conseguiram utilizar intelig\u00eancia artificial para projetar genomas completos de v\u00edrus que posteriormente foram produzidos e testados em laborat\u00f3rio. 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