{"id":55469,"date":"2026-08-17T19:57:00","date_gmt":"2026-08-17T22:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=55469"},"modified":"2026-08-17T11:16:45","modified_gmt":"2026-08-17T14:16:45","slug":"cientistas-descobrem-6-novos-fungos-zumbis-que-invadem-o-cerebro-controlam-vitimas-e-as-levam-para-morrer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/cientistas-descobrem-6-novos-fungos-zumbis-que-invadem-o-cerebro-controlam-vitimas-e-as-levam-para-morrer\/","title":{"rendered":"Cientistas descobrem 6 novos \u201cfungos zumbis\u201d que invadem o c\u00e9rebro, controlam v\u00edtimas e as levam para morrer"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores da Universidade de Guadalajara, no M\u00e9xico, identificaram seis esp\u00e9cies de fungos entomopatog\u00eanicos capazes de infectar formigas e aranhas e alterar o comportamento dos animais at\u00e9 lev\u00e1-los \u00e0 morte. Conhecidos popularmente como \u201cfungos zumbis\u201d, esses organismos utilizam o corpo dos hospedeiros para completar seu ciclo de desenvolvimento e aumentar as chances de infectar outros animais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo foi conduzido pelo cientista C\u00e9sar Ballesteros nas florestas tropicais do estado mexicano de Jalisco. Segundo o pesquisador, depois de entrar no organismo da formiga, o fungo passa a produzir metab\u00f3litos especializados que interagem com o sistema nervoso do animal e modificam seus movimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta chama aten\u00e7\u00e3o pela maneira como o parasita interfere no comportamento do hospedeiro. Em vez de simplesmente matar o animal, o fungo o conduz para um local espec\u00edfico, onde as condi\u00e7\u00f5es ambientais favorecem seu pr\u00f3prio crescimento e reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"467\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cf33ec0f716f8909607d70d009fe87cec83c89eaw-700x467-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-55470\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cf33ec0f716f8909607d70d009fe87cec83c89eaw-700x467-1.jpg 700w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cf33ec0f716f8909607d70d009fe87cec83c89eaw-700x467-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cf33ec0f716f8909607d70d009fe87cec83c89eaw-700x467-1-150x100.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: (Reprodu\u00e7\u00e3o\/Universidade de Guadalajara via EFE)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fungos assumem o controle do comportamento<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Ballesteros, quando o fungo penetra no organismo da formiga, come\u00e7a a liberar subst\u00e2ncias capazes de interferir no funcionamento do sistema nervoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo faz com que o animal apresente movimentos anormais e caminhe de maneira err\u00e1tica. Progressivamente, o parasita passa a controlar as decis\u00f5es da v\u00edtima e a direcion\u00e1-la para \u00e1reas que os pesquisadores chamam de \u201ccemit\u00e9rios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses locais apresentam condi\u00e7\u00f5es adequadas de luminosidade e umidade para o desenvolvimento do fungo. Ali, a formiga realiza o \u00faltimo movimento antes de morrer: prende as mand\u00edbulas e as pernas ao substrato, que pode ser a casca de uma \u00e1rvore, uma folha ou a parte inferior de uma rocha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois que o animal morre, o fungo come\u00e7a a se desenvolver em seu corpo e utiliza o esqueleto como suporte para completar seu ciclo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que acontece depois da morte da formiga<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O comportamento observado pelos pesquisadores n\u00e3o \u00e9 recente. Segundo Ballesteros, esse mecanismo natural existe h\u00e1 centenas de anos e representa uma estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia e reprodu\u00e7\u00e3o dos fungos do grupo dos cordyceps.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A formiga infectada \u00e9 levada para um ponto que oferece condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o do parasita. Depois da morte, o fungo se desenvolve no corpo do hospedeiro e pode produzir estruturas reprodutivas capazes de liberar novos elementos infecciosos no ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, o organismo transforma a pr\u00f3pria v\u00edtima em uma esp\u00e9cie de plataforma para continuar seu ciclo de vida e alcan\u00e7ar outros hospedeiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fen\u00f4meno ganhou notoriedade mundial justamente por lembrar hist\u00f3rias de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e terror nas quais organismos parasitas assumem o controle de seres vivos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma das esp\u00e9cies recebeu homenagem a Guillermo del Toro<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as seis esp\u00e9cies identificadas est\u00e1 uma que recebeu um nome particularmente inusitado: <strong>Ophiocordyceps deltoroi<\/strong>, uma homenagem ao cineasta mexicano Guillermo del Toro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escolha foi feita pelo pr\u00f3prio pesquisador em refer\u00eancia \u00e0 origem de Del Toro em Jalisco, \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o na Universidade de Guadalajara e \u00e0 presen\u00e7a recorrente de criaturas monstruosas em seus filmes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ballesteros explicou que a esp\u00e9cie representa uma combina\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e o universo de horror e fantasia explorado pelo diretor ao longo da carreira. A apar\u00eancia e o comportamento do fungo tamb\u00e9m contribu\u00edram para a homenagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nome faz refer\u00eancia direta ao cineasta e refor\u00e7a a curiosa conex\u00e3o entre uma descoberta cient\u00edfica real e as criaturas fant\u00e1sticas retratadas nas produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas de Del Toro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fen\u00f4meno inspirou \u201cThe Last of Us\u201d<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A capacidade dos fungos cordyceps de alterar o comportamento dos hospedeiros tamb\u00e9m est\u00e1 por tr\u00e1s da inspira\u00e7\u00e3o de uma das hist\u00f3rias mais conhecidas da cultura pop recente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ciclo de vida desses parasitas serviu como refer\u00eancia para o universo de <strong>The Last of Us<\/strong>, franquia que come\u00e7ou como videogame e posteriormente ganhou uma adapta\u00e7\u00e3o para televis\u00e3o. Na fic\u00e7\u00e3o, uma infec\u00e7\u00e3o f\u00fangica transforma seres humanos em criaturas controladas pelo organismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na natureza, por\u00e9m, o fen\u00f4meno observado pelos cientistas est\u00e1 restrito aos hospedeiros que esses fungos conseguem infectar. As esp\u00e9cies estudadas por Ballesteros foram observadas em formigas e aranhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade de Guadalajara, no M\u00e9xico, identificaram seis esp\u00e9cies de fungos entomopatog\u00eanicos capazes de infectar formigas e aranhas e alterar o comportamento dos animais at\u00e9 lev\u00e1-los \u00e0 morte. Conhecidos popularmente como \u201cfungos zumbis\u201d, esses organismos utilizam o corpo dos hospedeiros para completar seu ciclo de desenvolvimento e aumentar as chances de infectar outros animais. 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