{"id":55483,"date":"2026-08-22T11:36:00","date_gmt":"2026-08-22T14:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=55483"},"modified":"2026-08-17T12:05:20","modified_gmt":"2026-08-17T15:05:20","slug":"familia-libanesa-dona-de-135-lojas-no-brasil-corre-risco-de-falencia-apos-divida-de-r-140-milhoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/familia-libanesa-dona-de-135-lojas-no-brasil-corre-risco-de-falencia-apos-divida-de-r-140-milhoes\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia libanesa, dona de 135 lojas no Brasil, corre risco de fal\u00eancia ap\u00f3s d\u00edvida de R$ 140 milh\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Marabraz, uma das tradicionais redes de m\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos de S\u00e3o Paulo, entrou com pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial para tentar reorganizar uma d\u00edvida estimada em R$ 140 milh\u00f5es. O requerimento foi protocolado no s\u00e1bado (15) e encaminhado \u00e0 3\u00aa Vara de Fal\u00eancias e Recupera\u00e7\u00f5es Judiciais de S\u00e3o Paulo, em car\u00e1ter de urg\u00eancia. At\u00e9 a manh\u00e3 desta segunda-feira (17), ainda n\u00e3o havia informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre uma decis\u00e3o judicial autorizando o processamento da recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fundada por uma fam\u00edlia de origem libanesa, a empresa chegou a operar 135 lojas espalhadas pela Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, Baixada Santista, Vale do Para\u00edba e interior paulista. Apesar do pedido, a Marabraz informou que continua funcionando normalmente e que suas unidades permanecem abertas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a companhia, a recupera\u00e7\u00e3o judicial tem como objetivo reorganizar os compromissos financeiros e preservar empregos, al\u00e9m de manter as rela\u00e7\u00f5es com clientes, fornecedores e parceiros.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"512\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-99.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-55490\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-99.png 768w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-99-300x200.png 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-99-150x100.png 150w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-99-750x500.png 750w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: (Divulga\u00e7\u00e3o\/Marabraz)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Juros, consumo e com\u00e9rcio eletr\u00f4nico pressionaram a empresa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na documenta\u00e7\u00e3o apresentada \u00e0 Justi\u00e7a, a Marabraz aponta uma combina\u00e7\u00e3o de fatores para a deteriora\u00e7\u00e3o de sua situa\u00e7\u00e3o financeira. Entre eles est\u00e3o os juros elevados, o aumento do endividamento, a retra\u00e7\u00e3o do consumo e o crescimento da inadimpl\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio tamb\u00e9m foi agravado pelas transforma\u00e7\u00f5es provocadas pela digitaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio. A mudan\u00e7a no comportamento dos consumidores e o avan\u00e7o das vendas pela internet aumentaram a press\u00e3o sobre empresas tradicionais do varejo de m\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A companhia afirma ainda que sua opera\u00e7\u00e3o exige elevado volume de capital de giro. Historicamente, a fam\u00edlia recorria ao mercado financeiro para financiar a expans\u00e3o e manter as atividades, utilizando ativos, especialmente im\u00f3veis, como garantias para obten\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse mecanismo, por\u00e9m, acabou sendo afetado pelos conflitos societ\u00e1rios e familiares que se prolongaram durante anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Disputas familiares atingiram estrutura financeira<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A peti\u00e7\u00e3o apresentada pela empresa aponta que os problemas n\u00e3o foram provocados apenas pelas condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. Segundo o documento, as disputas dentro da fam\u00edlia tiveram consequ\u00eancias diretas sobre a estrutura patrimonial utilizada como garantia nas opera\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em meio aos conflitos, os administradores respons\u00e1veis pela condu\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios teriam perdido o controle sobre sociedades que detinham parte do patrim\u00f4nio imobili\u00e1rio. Com isso, o grupo Marabraz deixou de contar com determinadas garantias utilizadas anteriormente para obten\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o teria dificultado a renova\u00e7\u00e3o de linhas j\u00e1 existentes, a contrata\u00e7\u00e3o de novas opera\u00e7\u00f5es financeiras e a manuten\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de financiamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado foi uma deteriora\u00e7\u00e3o da estrutura financeira justamente em um per\u00edodo de maior press\u00e3o sobre o varejo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>De mascate a uma rede com 135 lojas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria da empresa come\u00e7ou em S\u00e3o Paulo com Abdul Fares, integrante da fam\u00edlia de origem libanesa. Em 1952, ele iniciou um neg\u00f3cio como mascate, comercializando artigos de cama, mesa e banho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Duas d\u00e9cadas depois, em 1972, surgiu a primeira loja f\u00edsica, chamada Credi-Fares. Ap\u00f3s a morte do fundador, em 1986, os filhos assumiram o comando do neg\u00f3cio e adotaram o nome Marabraz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da\u00ed, a empresa entrou em uma fase de expans\u00e3o acelerada. A rede ampliou sua presen\u00e7a f\u00edsica, adquiriu novos centros de distribui\u00e7\u00e3o e investiu em campanhas publicit\u00e1rias com personalidades conhecidas para fortalecer a marca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crescimento transformou a companhia em uma das redes tradicionais do setor no estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conflitos entre herdeiros se prolongaram por d\u00e9cadas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao mesmo tempo em que o neg\u00f3cio crescia, a estrutura familiar passou a enfrentar disputas que posteriormente se transformariam em longos conflitos judiciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1995, F\u00e1bio Fares, um dos herdeiros, teria simulado sua sa\u00edda da empresa como parte de uma estrat\u00e9gia relacionada a um processo de div\u00f3rcio. O epis\u00f3dio acabou evoluindo para uma ruptura definitiva em 2005, quando F\u00e1bio deixou a companhia e iniciou uma longa disputa judicial com os irm\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anos depois, em 2019, integrantes da segunda gera\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia tamb\u00e9m passaram a fazer parte das disputas. O processo contribuiu para aumentar a complexidade dos conflitos relacionados \u00e0 administra\u00e7\u00e3o e ao patrim\u00f4nio empresarial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2024, novas acusa\u00e7\u00f5es envolvendo Abdul e seu pai, Jamel Fares, voltaram a expor as dificuldades de relacionamento dentro da fam\u00edlia e as fragilidades na estrutura de governan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Governan\u00e7a pode ser decisiva em empresas familiares<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O hist\u00f3rico da Marabraz tamb\u00e9m contrasta com modelos de governan\u00e7a adotados por outras grandes empresas familiares brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um exemplo citado nesse contexto \u00e9 o da fam\u00edlia Erm\u00edrio de Moraes, ligada ao grupo Votorantim. Em 2001, a cria\u00e7\u00e3o da holding Hejoassu ajudou a organizar os interesses dos quatro ramos familiares e estabelecer uma separa\u00e7\u00e3o mais clara entre propriedade e gest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No mesmo per\u00edodo, foi criado o Conselho de Fam\u00edlia, estruturado como espa\u00e7o para tratar conflitos e preservar os valores compartilhados pelos integrantes do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A profissionaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m envolveu a transfer\u00eancia gradual dos acionistas da administra\u00e7\u00e3o direta para Conselhos de Administra\u00e7\u00e3o, com participa\u00e7\u00e3o de integrantes independentes. Outras iniciativas, como o Instituto Votorantim, criado em 2002, e a Reservas Votorantim, em 2012, ampliaram a atua\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia em \u00e1reas sociais e ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Marabraz, uma das tradicionais redes de m\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos de S\u00e3o Paulo, entrou com pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial para tentar reorganizar uma d\u00edvida estimada em R$ 140 milh\u00f5es. O requerimento foi protocolado no s\u00e1bado (15) e encaminhado \u00e0 3\u00aa Vara de Fal\u00eancias e Recupera\u00e7\u00f5es Judiciais de S\u00e3o Paulo, em car\u00e1ter de urg\u00eancia. 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