{"id":55818,"date":"2026-08-19T22:16:00","date_gmt":"2026-08-20T01:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=55818"},"modified":"2026-08-19T11:58:14","modified_gmt":"2026-08-19T14:58:14","slug":"cientistas-fazem-descoberta-historica-e-confirmam-existencia-de-agua-em-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/cientistas-fazem-descoberta-historica-e-confirmam-existencia-de-agua-em-marte\/","title":{"rendered":"Cientistas fazem descoberta hist\u00f3rica e confirmam exist\u00eancia de \u00e1gua em Marte"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Marte \u00e9 atualmente conhecido como um planeta frio, seco e coberto por uma extensa paisagem de poeira avermelhada. Mas uma nova pesquisa conduzida por cientistas europeus trouxe evid\u00eancias importantes sobre um passado muito diferente do planeta vermelho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Utilizando t\u00e9cnicas de imagem capazes de examinar o interior de uma rocha sem precisar cort\u00e1-la ou destru\u00ed-la, pesquisadores conseguiram identificar <strong>\u00e1gua preservada em minerais de origem marciana<\/strong>. A descoberta foi feita a partir do estudo do meteorito <strong>NWA 7034<\/strong>, conhecido mundialmente pelo apelido de <strong>\u201cBlack Beauty\u201d<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho foi liderado pela pesquisadora Estrid Buhl Naver, da Technical University of Denmark, com a participa\u00e7\u00e3o de cientistas da Dinamarca, Su\u00e9cia e Su\u00ed\u00e7a. O estudo foi disponibilizado em vers\u00e3o preliminar no arXiv e descreve a identifica\u00e7\u00e3o direta de hidrog\u00eanio em estruturas presentes no interior do meteorito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O NWA 7034 \u00e9 considerado um dos meteoritos marcianos mais importantes j\u00e1 estudados. Acredita-se que ele tenha sido lan\u00e7ado ao espa\u00e7o ap\u00f3s um grande impacto ocorrido em Marte e, posteriormente, alcan\u00e7ado a Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O material que comp\u00f5e a rocha tem origem em per\u00edodos extremamente antigos da hist\u00f3ria do planeta. Parte dos fragmentos analisados remonta a cerca de <strong>4,48 bilh\u00f5es de anos<\/strong>, preservando registros de uma das fases iniciais da evolu\u00e7\u00e3o de Marte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 agora, muitos estudos sobre meteoritos exigiam a retirada de partes da amostra para que elas fossem trituradas ou dissolvidas em laborat\u00f3rio. No caso do Black Beauty, por\u00e9m, os cientistas conseguiram observar sua estrutura interna sem destruir a preciosa rocha.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"jeg_video_container jeg_video_content\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"CT Scan Black Beauty meteorite\" width=\"500\" height=\"375\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nPJdZvHFuow?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tecnologia permitiu localizar o hidrog\u00eanio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tomografia por raios X \u00e9 amplamente utilizada na medicina e se mostra especialmente eficiente na identifica\u00e7\u00e3o de materiais mais densos, como ferro e outros elementos pesados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 a tomografia por n\u00eautrons utiliza part\u00edculas de n\u00eautrons para atravessar o material analisado. Uma de suas principais vantagens \u00e9 a capacidade de identificar o <strong>hidrog\u00eanio<\/strong>, elemento fundamental para a identifica\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e de minerais hidratados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa diferen\u00e7a foi decisiva para o estudo do meteorito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao combinar as duas t\u00e9cnicas, os pesquisadores conseguiram construir um mapa tridimensional da estrutura interna da Black Beauty e localizar regi\u00f5es espec\u00edficas com concentra\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio, sem precisar cortar a rocha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado abriu uma nova possibilidade para a investiga\u00e7\u00e3o de materiais extraterrestres, permitindo analisar amostras raras e valiosas de maneira n\u00e3o destrutiva.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fragmentos guardavam at\u00e9 11% de \u00e1gua<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O interior do meteorito revelou que ele n\u00e3o \u00e9 uma rocha uniforme. Sua composi\u00e7\u00e3o funciona como uma esp\u00e9cie de mosaico formado por diferentes fragmentos, chamados pelos cientistas de <strong>clastos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses pequenos peda\u00e7os de rocha podem ter se originado em regi\u00f5es diferentes de Marte ou sido formados em momentos distintos da hist\u00f3ria geol\u00f3gica do planeta. Juntos, preservam informa\u00e7\u00f5es sobre processos ocorridos h\u00e1 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores identificaram fragmentos ricos em \u00f3xidos de ferro e hidrog\u00eanio, classificados como <strong>H-Fe-ox<\/strong>. Apesar de representarem apenas cerca de <strong>0,4% do volume da amostra<\/strong>, esses agrupamentos apresentaram uma concentra\u00e7\u00e3o impressionante: <strong>at\u00e9 11% de \u00e1gua<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os fragmentos s\u00e3o pequenos, com dimens\u00f5es aproximadas \u00e0s de uma unha, mas podem representar um registro significativo da presen\u00e7a e da circula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua na crosta marciana primitiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta \u00e9 particularmente relevante porque, atualmente, n\u00e3o existe \u00e1gua l\u00edquida est\u00e1vel na superf\u00edcie de Marte. A identifica\u00e7\u00e3o de minerais que preservaram hidrog\u00eanio, entretanto, indica que a hist\u00f3ria do planeta foi muito mais complexa e que parte dessa \u00e1gua ficou armazenada em suas rochas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Descoberta ajuda a investigar se Marte j\u00e1 teve condi\u00e7\u00f5es para a vida<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A presen\u00e7a de \u00e1gua \u00e9 uma das principais quest\u00f5es nas pesquisas sobre Marte. Cientistas procuram entender n\u00e3o apenas quanto do recurso existiu no planeta, mas tamb\u00e9m onde ele esteve armazenado e durante quanto tempo permaneceu dispon\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00e1gua est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 possibilidade de Marte ter apresentado, em algum momento de sua hist\u00f3ria, condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao desenvolvimento da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo, intitulado <strong>\u201cDirect detection of hydrogen reveals a new macroscopic crustal water reservoir on early Mars\u201d<\/strong>, aponta justamente para a exist\u00eancia de um poss\u00edvel <strong>reservat\u00f3rio de \u00e1gua na crosta do Marte primitivo<\/strong>, preservado nos minerais analisados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a pesquisa n\u00e3o represente a descoberta de oceanos ou rios de \u00e1gua l\u00edquida existentes atualmente no planeta, a identifica\u00e7\u00e3o direta de hidrog\u00eanio e a alta concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua em determinados fragmentos refor\u00e7am as evid\u00eancias de que <strong>Marte armazenou quantidades significativas de \u00e1gua em seu passado remoto<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marte \u00e9 atualmente conhecido como um planeta frio, seco e coberto por uma extensa paisagem de poeira avermelhada. 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