{"id":56387,"date":"2026-08-24T16:36:00","date_gmt":"2026-08-24T19:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=56387"},"modified":"2026-08-24T06:31:05","modified_gmt":"2026-08-24T09:31:05","slug":"cidade-brasileira-ja-perdeu-cerca-de-500-construcoes-para-o-mar-e-moradores-observam-bairros-desaparecerem-lentamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/cidade-brasileira-ja-perdeu-cerca-de-500-construcoes-para-o-mar-e-moradores-observam-bairros-desaparecerem-lentamente\/","title":{"rendered":"Cidade brasileira j\u00e1 perdeu cerca de 500 constru\u00e7\u00f5es para o mar e moradores observam bairros desaparecerem lentamente"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Moradores de Atafona, distrito de S\u00e3o Jo\u00e3o da Barra, no norte do Rio de Janeiro, convivem h\u00e1 d\u00e9cadas com uma paisagem que muda diante dos pr\u00f3prios olhos. O avan\u00e7o do mar j\u00e1 destruiu cerca de <strong>500 casas, estabelecimentos comerciais e outras constru\u00e7\u00f5es<\/strong>, segundo estimativa da prefeitura, enquanto ruas, pr\u00e9dios p\u00fablicos e im\u00f3veis que antes faziam parte da comunidade foram gradualmente tomados pela \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo de eros\u00e3o ocorre h\u00e1 pelo menos sete d\u00e9cadas e transformou Atafona em um dos exemplos mais conhecidos dos efeitos da perda de territ\u00f3rio no litoral brasileiro. Em determinados pontos, a velocidade do recuo da faixa costeira chega a <strong>7,8 metros por ano<\/strong>, de acordo com estudos realizados por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Fluminense (UFF).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m das constru\u00e7\u00f5es desaparecidas, o avan\u00e7o do oceano teria atingido mais de <strong>2 mil pessoas<\/strong>, que precisaram deixar suas resid\u00eancias e, em alguns casos, buscar moradia em outras cidades ou estados.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"401\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-114.png\" alt=\"Praia de Atafona\" class=\"wp-image-20129\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-114.png 800w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-114-300x150.png 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-114-768x385.png 768w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-114-150x75.png 150w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-114-360x180.png 360w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-114-750x376.png 750w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">(Reprodu\u00e7\u00e3o\/S\u00e3o Jo\u00e3o da Barra)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Rio Para\u00edba do Sul est\u00e1 no centro do problema<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atafona est\u00e1 localizada no delta do <strong>Rio Para\u00edba do Sul<\/strong>, que percorre S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro antes de desembocar no Atl\u00e2ntico. \u00c9 justamente a rela\u00e7\u00e3o entre o rio e o oceano que ajuda a explicar parte do fen\u00f4meno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisas indicam que a eros\u00e3o j\u00e1 acontecia naturalmente antes da ocupa\u00e7\u00e3o humana da regi\u00e3o. Entretanto, interven\u00e7\u00f5es realizadas ao longo da bacia hidrogr\u00e1fica contribu\u00edram para acelerar o processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Para\u00edba do Sul possui <strong>943 barragens<\/strong>, estruturas que alteram a vaz\u00e3o do rio e reduzem a quantidade de sedimentos transportados at\u00e9 sua foz. Com menos areia chegando ao litoral, diminui tamb\u00e9m a capacidade natural de reposi\u00e7\u00e3o do material retirado pelas ondas e correntes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desequil\u00edbrio se torna ainda mais evidente durante per\u00edodos de ressaca e eventos extremos. O mar retira areia da costa em uma velocidade superior \u00e0 capacidade de reposi\u00e7\u00e3o, fazendo a linha costeira recuar progressivamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Constru\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas \u00e0 praia agravaram a eros\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro fator apontado pelos estudos \u00e9 a ocupa\u00e7\u00e3o da faixa costeira. Constru\u00e7\u00f5es foram erguidas sobre \u00e1reas de dunas e restingas e pr\u00f3ximas demais da areia, interferindo no processo natural de movimenta\u00e7\u00e3o e reposi\u00e7\u00e3o dos sedimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consequ\u00eancia pode ser observada nas pr\u00f3prias ru\u00ednas de Atafona. Casas, clubes, ruas e pr\u00e9dios que foram atingidos pela eros\u00e3o permanecem parcialmente vis\u00edveis, transformando a regi\u00e3o em um registro f\u00edsico do avan\u00e7o do oceano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os primeiros registros conhecidos do fen\u00f4meno na regi\u00e3o remontam a <strong>1954<\/strong>, quando a eros\u00e3o atingiu a Ilha da Conviv\u00eancia. Atualmente, a ilha est\u00e1 praticamente submersa, e seus antigos moradores foram obrigados a procurar outros locais para viver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na praia de Atafona, o processo ganhou for\u00e7a alguns anos depois e se intensificou principalmente a partir da d\u00e9cada de 1970. Desde ent\u00e3o, a perda de territ\u00f3rio n\u00e3o foi interrompida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas aumentam a press\u00e3o sobre a regi\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m das altera\u00e7\u00f5es provocadas pela atividade humana no rio e pela ocupa\u00e7\u00e3o do litoral, a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos oceanos acrescenta uma nova press\u00e3o sobre a \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), divulgado em 2024, incluiu Atafona entre as <strong>31 localidades do mundo consideradas mais amea\u00e7adas pela eleva\u00e7\u00e3o dos oceanos<\/strong>. Proje\u00e7\u00f5es indicam que o n\u00edvel do mar na regi\u00e3o pode aumentar, em m\u00e9dia, <strong>21 cent\u00edmetros at\u00e9 2050<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio preocupa porque a eleva\u00e7\u00e3o do oceano ocorre simultaneamente \u00e0 eros\u00e3o j\u00e1 existente. Em alguns trechos, a m\u00e9dia de recuo chega a aproximadamente <strong>3 metros de terra por ano<\/strong>, enquanto pontos considerados cr\u00edticos registram taxas muito superiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores alertam que, caso o processo continue sem mudan\u00e7as significativas, parte da \u00e1rea urbana de Atafona poder\u00e1 desaparecer em <strong>menos de tr\u00eas d\u00e9cadas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um problema que ultrapassa Atafona<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que ocorre no distrito fluminense n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno isolado. A eros\u00e3o costeira afeta diferentes regi\u00f5es do litoral brasileiro e envolve fatores naturais, ocupa\u00e7\u00e3o urbana, altera\u00e7\u00f5es nos rios e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ventos, ondas, correntes mar\u00edtimas e ressacas fazem parte da din\u00e2mica natural das praias. O problema surge quando a ocupa\u00e7\u00e3o humana impede que os sistemas costeiros se recuperem ou quando interven\u00e7\u00f5es em rios modificam o fluxo de sedimentos que chegaria ao oceano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estimativas apontam que a eros\u00e3o j\u00e1 atinge <strong>cerca de 60% do litoral brasileiro<\/strong>. Apesar da dimens\u00e3o do problema, o pa\u00eds ainda n\u00e3o conta com um plano nacional espec\u00edfico e abrangente para enfrentar o avan\u00e7o da eros\u00e3o costeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Moradores de Atafona, distrito de S\u00e3o Jo\u00e3o da Barra, no norte do Rio de Janeiro, convivem h\u00e1 d\u00e9cadas com uma paisagem que muda diante dos pr\u00f3prios olhos. 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