{"id":56788,"date":"2026-08-26T19:38:00","date_gmt":"2026-08-26T22:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=56788"},"modified":"2026-08-26T11:49:14","modified_gmt":"2026-08-26T14:49:14","slug":"ao-menos-1-em-cada-4-ex-jogadores-da-nfl-morreu-com-doenca-que-destroi-celulas-do-cerebro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/ao-menos-1-em-cada-4-ex-jogadores-da-nfl-morreu-com-doenca-que-destroi-celulas-do-cerebro\/","title":{"rendered":"Ao menos 1 em cada 4 ex-jogadores da NFL morreu com doen\u00e7a que destr\u00f3i c\u00e9lulas do c\u00e9rebro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelo menos <strong>um em cada quatro ex-jogadores da NFL<\/strong>, a principal liga de futebol americano dos Estados Unidos, que morreu entre 2016 e 2021 apresentava <strong>encefalopatia traum\u00e1tica cr\u00f4nica (CTE)<\/strong>, uma doen\u00e7a degenerativa associada a impactos repetitivos na cabe\u00e7a. A estimativa consta de um novo estudo publicado nesta ter\u00e7a-feira no <em>British Medical Journal (BMJ)<\/em> e busca estabelecer uma refer\u00eancia mais precisa sobre a presen\u00e7a da doen\u00e7a entre antigos atletas profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa foi conduzida por cientistas do <strong>Mass General Brigham, da Universidade de Boston e da Concussion &amp; CTE Foundation<\/strong>. Os pesquisadores analisaram <strong>235 c\u00e9rebros doados<\/strong> de um universo de 878 ex-jogadores da NFL que morreram no per\u00edodo estudado. Entre os c\u00e9rebros examinados, <strong>215 apresentaram diagn\u00f3stico de CTE<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerando tamb\u00e9m os atletas que morreram no per\u00edodo, mas n\u00e3o tiveram o c\u00e9rebro analisado, os pesquisadores chegaram a uma preval\u00eancia m\u00ednima estimada de <strong>24,5%<\/strong>. O n\u00famero, contudo, n\u00e3o representa necessariamente a propor\u00e7\u00e3o real da doen\u00e7a entre todos os ex-jogadores da liga.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Doen\u00e7a s\u00f3 pode ser confirmada ap\u00f3s a morte<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A CTE \u00e9 uma doen\u00e7a neurodegenerativa relacionada, entre outros fatores, \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o repetida a <strong>traumatismos cranianos<\/strong>. Diferentemente de outras enfermidades neurol\u00f3gicas, ela atualmente s\u00f3 pode ser diagnosticada de maneira definitiva por meio da an\u00e1lise do c\u00e9rebro ap\u00f3s a morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa caracter\u00edstica dificulta a determina\u00e7\u00e3o de quantas pessoas efetivamente desenvolveram a doen\u00e7a. Durante anos, grande parte das pesquisas foi baseada em c\u00e9rebros voluntariamente doados por fam\u00edlias ou pelos pr\u00f3prios indiv\u00edduos, o que pode ter criado uma sele\u00e7\u00e3o de casos mais propensos a apresentar sintomas ou suspeitas anteriores de CTE.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as manifesta\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 doen\u00e7a est\u00e3o <strong>problemas de mem\u00f3ria e altera\u00e7\u00f5es importantes de humor<\/strong>, embora os sintomas possam variar de uma pessoa para outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo levantamento procurou reduzir parte dessa distor\u00e7\u00e3o ao considerar um grupo mais amplo de ex-atletas que morreram durante um per\u00edodo espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Estimativa pode estar abaixo da realidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo <strong>Daniel Daneshvar<\/strong>, principal autor do estudo, os pesquisadores j\u00e1 sabiam que traumatismos cerebrais repetidos poderiam contribuir para o desenvolvimento da doen\u00e7a, mas ainda n\u00e3o havia uma estimativa suficientemente s\u00f3lida sobre sua frequ\u00eancia entre ex-jogadores da NFL.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A taxa de 24,5% deve ser encarada como um <strong>piso<\/strong>, e n\u00e3o como uma estimativa definitiva. O pr\u00f3prio estudo aponta que a preval\u00eancia real pode ser maior, considerando diagn\u00f3sticos realizados fora do banco de c\u00e9rebros utilizado na pesquisa e outros antigos jogadores que apresentaram suspeita da doen\u00e7a, mas n\u00e3o tiveram o c\u00e9rebro examinado ap\u00f3s a morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos principais bancos utilizados pelos pesquisadores foi o <strong>UNITE Brain Bank<\/strong>, da Universidade de Boston, que re\u00fane mais de 330 c\u00e9rebros de jogadores da NFL mortos entre 2008 e 2021. Dentro desse acervo, aproximadamente <strong>93% dos c\u00e9rebros foram diagnosticados com CTE<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a entre esse percentual e os 24,5% estimados no novo estudo refor\u00e7a justamente a preocupa\u00e7\u00e3o dos pesquisadores com o chamado vi\u00e9s de sele\u00e7\u00e3o: pessoas com hist\u00f3rico de sintomas ou suspeita de doen\u00e7a podem ter maior probabilidade de doar seus c\u00e9rebros para pesquisas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na NFL, medidas come\u00e7aram a ser adotadas para tentar reduzir a exposi\u00e7\u00e3o dos jogadores. O acordo coletivo de trabalho firmado em 2011, por exemplo, estabeleceu limita\u00e7\u00f5es para o n\u00famero de treinos com contato f\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2016, depois de uma longa disputa judicial envolvendo ex-atletas, a liga tamb\u00e9m concordou com um <strong>acordo de US$ 1 bilh\u00e3o<\/strong> para mais de 5 mil antigos jogadores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>NFL diz manter suporte aos ex-atletas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante da divulga\u00e7\u00e3o do novo estudo, a NFL afirmou que continua comprometida em ampliar os recursos destinados ao bem-estar <strong>f\u00edsico e mental<\/strong> de sua comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A liga tamb\u00e9m orienta ex-jogadores a utilizar os servi\u00e7os dispon\u00edveis para identificar poss\u00edveis problemas de sa\u00fade e buscar tratamento quando houver preocupa\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo trabalho, por\u00e9m, refor\u00e7a que a rela\u00e7\u00e3o entre impactos repetidos na cabe\u00e7a e doen\u00e7as neurodegenerativas continua sendo uma quest\u00e3o relevante para o futebol americano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos um em cada quatro ex-jogadores da NFL, a principal liga de futebol americano dos Estados Unidos, que morreu entre 2016 e 2021 apresentava encefalopatia traum\u00e1tica cr\u00f4nica (CTE), uma doen\u00e7a degenerativa associada a impactos repetitivos na cabe\u00e7a. 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