{"id":57262,"date":"2026-08-31T12:27:00","date_gmt":"2026-08-31T15:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=57262"},"modified":"2026-08-31T06:35:46","modified_gmt":"2026-08-31T09:35:46","slug":"remedio-proibido-nos-eua-e-em-paises-da-europa-virou-queridinho-dos-brasileiros-e-ja-teve-cerca-de-200-milhoes-de-doses-vendidas-por-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/remedio-proibido-nos-eua-e-em-paises-da-europa-virou-queridinho-dos-brasileiros-e-ja-teve-cerca-de-200-milhoes-de-doses-vendidas-por-ano\/","title":{"rendered":"Rem\u00e9dio proibido nos EUA e em pa\u00edses da Europa virou &#8220;queridinho&#8221; dos brasileiros e j\u00e1 teve cerca de 200 milh\u00f5es de doses vendidas por ano"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A <strong>dipirona<\/strong>, tamb\u00e9m conhecida como metamizol, faz parte da rotina de milh\u00f5es de brasileiros e est\u00e1 entre os medicamentos mais utilizados no pa\u00eds para aliviar dores e reduzir a febre. O cen\u00e1rio, por\u00e9m, \u00e9 bastante diferente no exterior: o rem\u00e9dio foi retirado do mercado em pa\u00edses como <strong>Estados Unidos, Reino Unido, Jap\u00e3o, Su\u00e9cia e Finl\u00e2ndia<\/strong> devido \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o com um efeito adverso raro e potencialmente grave, a <strong>agranulocitose<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O medicamento come\u00e7ou a ser produzido comercialmente na Alemanha na d\u00e9cada de 1920 e chegou a ser disponibilizado em diversas partes do mundo. A preocupa\u00e7\u00e3o com a seguran\u00e7a surgiu especialmente a partir dos anos 1960, quando estudos passaram a associar seu uso \u00e0 queda acentuada de determinados gl\u00f3bulos brancos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a entre as decis\u00f5es regulat\u00f3rias fez da dipirona um dos medicamentos que mais geram discuss\u00f5es internacionais. Enquanto continua autorizada e amplamente consumida no Brasil, permanece proibida em alguns pa\u00edses, embora tamb\u00e9m seja autorizada em diversas na\u00e7\u00f5es europeias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que a dipirona foi proibida em alguns pa\u00edses?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A principal preocupa\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada \u00e0 <strong>agranulocitose<\/strong>, uma rea\u00e7\u00e3o adversa que provoca uma redu\u00e7\u00e3o brusca dos granul\u00f3citos, c\u00e9lulas importantes para a defesa do organismo. Quando o n\u00famero desses gl\u00f3bulos brancos cai significativamente, o paciente fica mais vulner\u00e1vel a infec\u00e7\u00f5es que podem ser graves ou at\u00e9 fatais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo pesquisadores da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da Universidade de S\u00e3o Paulo (FCF-USP), a dipirona \u00e9 utilizada principalmente como analg\u00e9sico e antit\u00e9rmico. O grupo avaliou evid\u00eancias gen\u00e9ticas relacionadas ao risco de desenvolvimento da agranulocitose e concluiu que, at\u00e9 o momento, <strong>n\u00e3o existem evid\u00eancias gen\u00e9ticas suficientes para justificar uma proibi\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia com base nesse risco<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo identificou pesquisas que apontam poss\u00edveis associa\u00e7\u00f5es entre determinadas varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas e a rea\u00e7\u00e3o adversa. Entretanto, essas variantes s\u00e3o consideradas extremamente raras e n\u00e3o apresentaram correla\u00e7\u00e3o significativa capaz de explicar, por si s\u00f3, as diferentes decis\u00f5es regulat\u00f3rias adotadas ao redor do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados foram publicados na revista cient\u00edfica <em>Frontiers in Pharmacology<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Risco \u00e9 considerado raro, mas pode ser grave<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A frequ\u00eancia estimada da agranulocitose associada ao metamizol apresenta uma varia\u00e7\u00e3o muito grande entre os estudos. As estimativas dispon\u00edveis v\u00e3o de aproximadamente <strong>um caso a cada 2 mil usu\u00e1rios para menos de 1,1 caso por milh\u00e3o de pessoas<\/strong>, dependendo da popula\u00e7\u00e3o analisada e da metodologia utilizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3pria Ag\u00eancia Europeia de Medicamentos (EMA) j\u00e1 avaliou o risco e apontou que a possibilidade de desenvolvimento da agranulocitose pode estar relacionada \u00e0s <strong>caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas de determinadas popula\u00e7\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O comit\u00ea de seguran\u00e7a da ag\u00eancia, conhecido como PRAC, recomendou medidas para reduzir a possibilidade de consequ\u00eancias graves. O efeito pode aparecer a qualquer momento durante o tratamento ou pouco depois da interrup\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m pode ocorrer em pessoas que j\u00e1 utilizaram o medicamento anteriormente sem apresentar problemas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quais sintomas exigem aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A agranulocitose pode inicialmente n\u00e3o apresentar sinais espec\u00edficos. Com a redu\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas de defesa, entretanto, podem surgir sintomas relacionados a infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os sinais de alerta est\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>febre<\/strong>;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>calafrios<\/strong>;<\/li>\n\n\n\n<li><strong>dor de garganta<\/strong>;<\/li>\n\n\n\n<li>feridas dolorosas nas mucosas;<\/li>\n\n\n\n<li>les\u00f5es na boca, nariz e garganta;<\/li>\n\n\n\n<li>feridas nas regi\u00f5es genital ou anal.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A recomenda\u00e7\u00e3o das autoridades europeias \u00e9 que pacientes que apresentem esses sintomas durante o tratamento ou pouco depois de interromp\u00ea-lo <strong>parem de utilizar o medicamento e procurem atendimento m\u00e9dico imediatamente<\/strong>, conforme orienta\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que continua liberada no Brasil?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, a dipirona permanece <strong>regulamentada pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa)<\/strong>. A perman\u00eancia do medicamento no mercado ocorre dentro de um cen\u00e1rio regulat\u00f3rio diferente daquele adotado por pa\u00edses que optaram por retir\u00e1-lo de circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exist\u00eancia de decis\u00f5es distintas n\u00e3o significa que o medicamento seja considerado absolutamente seguro em um pa\u00eds e perigoso em outro. O caso envolve avalia\u00e7\u00f5es de risco, caracter\u00edsticas populacionais, evid\u00eancias cient\u00edficas dispon\u00edveis e diferentes crit\u00e9rios adotados pelas autoridades sanit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Uni\u00e3o Europeia, por exemplo, medicamentos \u00e0 base de metamizol continuam autorizados em diversos pa\u00edses para o tratamento de <strong>dor moderada a intensa e febre<\/strong>. As indica\u00e7\u00f5es, entretanto, variam conforme a legisla\u00e7\u00e3o de cada na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dipirona, tamb\u00e9m conhecida como metamizol, faz parte da rotina de milh\u00f5es de brasileiros e est\u00e1 entre os medicamentos mais utilizados no pa\u00eds para aliviar dores e reduzir a febre. 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