{"id":58470,"date":"2026-09-13T12:34:00","date_gmt":"2026-09-13T15:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=58470"},"modified":"2026-09-11T06:14:39","modified_gmt":"2026-09-11T09:14:39","slug":"pessoas-que-odeiam-o-calor-recebem-o-pior-recado-possivel-dos-cientistas-sobre-o-mes-mais-quente-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/pessoas-que-odeiam-o-calor-recebem-o-pior-recado-possivel-dos-cientistas-sobre-o-mes-mais-quente-da-historia\/","title":{"rendered":"Pessoas que odeiam o calor recebem o pior recado poss\u00edvel dos cientistas sobre o m\u00eas mais quente da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agosto de 2026 entrou para a hist\u00f3ria como o m\u00eas mais quente j\u00e1 registrado pelas medi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas modernas e, segundo os dados do observat\u00f3rio europeu Copernicus, tamb\u00e9m apresentou uma temperatura que supera qualquer refer\u00eancia encontrada para o per\u00edodo dos \u00faltimos 100 mil anos. A m\u00e9dia global chegou a 16,96\u00b0C, apenas 0,01\u00b0C acima do recorde estabelecido em julho de 2023. Como essa diferen\u00e7a est\u00e1 dentro da margem de incerteza das medi\u00e7\u00f5es, os cientistas classificam os dois meses como tecnicamente empatados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O novo dado, divulgado nesta quinta-feira (10), acrescenta mais um cap\u00edtulo \u00e0 sequ\u00eancia de recordes observada nos \u00faltimos anos. O boletim tamb\u00e9m revelou que os oceanos atingiram n\u00edveis de temperatura sem precedentes pelo terceiro m\u00eas consecutivo, enquanto o fen\u00f4meno El Ni\u00f1o come\u00e7a a ganhar for\u00e7a e contribui para elevar ainda mais as temperaturas globais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A temperatura m\u00e9dia registrada em agosto ficou 1,65\u00b0C acima dos n\u00edveis estimados para o per\u00edodo pr\u00e9-industrial. O valor est\u00e1 bem acima do limite de 1,5\u00b0C estabelecido como refer\u00eancia de longo prazo no Acordo de Paris, embora um \u00fanico m\u00eas acima desse patamar n\u00e3o signifique que a meta clim\u00e1tica tenha sido definitivamente ultrapassada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que chama aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores \u00e9 a frequ\u00eancia com que os recordes v\u00eam sendo quebrados. De acordo com o Copernicus, os oito meses mais quentes j\u00e1 registrados ocorreram desde julho de 2023. Para Samantha Burgess, respons\u00e1vel estrat\u00e9gica pela \u00e1rea clim\u00e1tica do observat\u00f3rio, o sistema clim\u00e1tico est\u00e1 apresentando condi\u00e7\u00f5es muito diferentes daquelas que os cientistas esperavam at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A avalia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m encontra respaldo em pesquisadores de outras institui\u00e7\u00f5es. Andrew Dessler, cientista clim\u00e1tico da Texas A&amp;M University, afirmou que o aquecimento observado atualmente segue uma trajet\u00f3ria que j\u00e1 havia sido projetada pela ci\u00eancia d\u00e9cadas atr\u00e1s. Para ele, a quest\u00e3o mais importante deixou de ser saber se novos recordes ser\u00e3o registrados e passou a ser discutir quais medidas ser\u00e3o adotadas para enfrentar o fen\u00f4meno.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Oito recordes em sequ\u00eancia chamam aten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro aspecto que aumenta a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que agosto, e n\u00e3o julho, tenha alcan\u00e7ado o maior valor mensal. Historicamente, julho costuma apresentar temperaturas m\u00e9dias globais mais elevadas. Para Zeke Hausfather, cientista clim\u00e1tico da Berkeley Earth, a quebra frequente de recordes e a altera\u00e7\u00e3o desse padr\u00e3o tradicional s\u00e3o sinais de que o aquecimento provocado pela atividade humana est\u00e1 ganhando intensidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os n\u00fameros tamb\u00e9m aparecem em outras s\u00e9ries hist\u00f3ricas. O Copernicus mant\u00e9m dados globais desde 1940. Nos Estados Unidos, a Administra\u00e7\u00e3o Nacional Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica (NOAA) utiliza registros que remontam a 1895, enquanto as s\u00e9ries globais da ag\u00eancia come\u00e7am em 1880 e, embora geralmente apresentem resultados semelhantes aos do observat\u00f3rio europeu, levam mais tempo para serem calculadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No hemisf\u00e9rio Norte, o cen\u00e1rio foi particularmente intenso. O ver\u00e3o de 2026 empatou com o de 2024 como o mais quente j\u00e1 registrado globalmente, enquanto o Canad\u00e1 tamb\u00e9m enfrentou um per\u00edodo excepcional de calor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos Estados Unidos, o ver\u00e3o entre junho e agosto apresentou uma m\u00e9dia de 23,54\u00b0C nos 48 estados cont\u00edguos, superando por quase 0,4\u00b0C o recorde estabelecido em 1936, durante o per\u00edodo conhecido como Dust Bowl. Agosto tamb\u00e9m foi hist\u00f3rico no pa\u00eds, com m\u00e9dia de 24,21\u00b0C e temperatura m\u00e1xima m\u00e9dia diurna de 31,42\u00b0C.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Oceanos tamb\u00e9m atingem marcas extremas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O calor n\u00e3o ficou restrito \u00e0 superf\u00edcie terrestre. Em agosto, a temperatura m\u00e9dia dos oceanos empatou com o recorde absoluto registrado em mar\u00e7o de 2024, configurando o m\u00eas mar\u00edtimo mais quente j\u00e1 medido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o dia 22 de agosto estabeleceu um novo recorde para a temperatura mais alta registrada nos mares do planeta. A sequ\u00eancia de marcas refor\u00e7a a dimens\u00e3o global do fen\u00f4meno, j\u00e1 que os oceanos funcionam como grandes reguladores do sistema clim\u00e1tico e absorvem enorme quantidade do excesso de calor acumulado na atmosfera.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A combina\u00e7\u00e3o de temperaturas elevadas em terra e no mar tamb\u00e9m aumenta o risco de eventos extremos. Ondas de calor, inc\u00eandios florestais, secas, tempestades e inunda\u00e7\u00f5es tendem a se tornar mais frequentes e intensos conforme a temperatura m\u00e9dia do planeta continua subindo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>El Ni\u00f1o agrava um cen\u00e1rio que j\u00e1 era preocupante<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fen\u00f4meno El Ni\u00f1o aparece como um dos fatores que contribu\u00edram para o calor excepcional de 2026. Trata-se de um fen\u00f4meno natural caracterizado pelo aquecimento de \u00e1reas do Pac\u00edfico, capaz de alterar padr\u00f5es atmosf\u00e9ricos e elevar as temperaturas em diferentes regi\u00f5es do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores, entretanto, ressaltam que o El Ni\u00f1o n\u00e3o explica sozinho o recorde. Samantha Burgess estima que o fen\u00f4meno normalmente acrescente entre 0,1\u00b0C e 0,2\u00b0C \u00e0 temperatura m\u00e9dia global. A maior parte do aquecimento observado continua associada ao aumento dos gases de efeito estufa provocado principalmente pela queima de carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cientista Friederike Otto, do Imperial College London, tamb\u00e9m destacou que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica causada pela atividade humana potencializa os efeitos do El Ni\u00f1o. Em outras palavras, o fen\u00f4meno natural ocorre sobre um planeta que j\u00e1 est\u00e1 mais quente, tornando seus impactos ainda mais expressivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agosto de 2026 entrou para a hist\u00f3ria como o m\u00eas mais quente j\u00e1 registrado pelas medi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas modernas e, segundo os dados do observat\u00f3rio europeu Copernicus, tamb\u00e9m apresentou uma temperatura que supera qualquer refer\u00eancia encontrada para o per\u00edodo dos \u00faltimos 100 mil anos. 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