{"id":58615,"date":"2026-09-19T09:27:00","date_gmt":"2026-09-19T12:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=58615"},"modified":"2026-09-14T04:37:54","modified_gmt":"2026-09-14T07:37:54","slug":"aos-15-anos-ela-foi-obrigada-a-casar-com-homem-de-51-anos-depois-mandou-mata-lo-e-acabou-condenada-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/aos-15-anos-ela-foi-obrigada-a-casar-com-homem-de-51-anos-depois-mandou-mata-lo-e-acabou-condenada-a-morte\/","title":{"rendered":"Aos 15 anos, ela foi obrigada a casar com homem de 51; anos depois, mandou mat\u00e1-lo e acabou condenada \u00e0 morte"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1916, o assassinato de um rico agricultor chocou Santiago, no Chile, e levou sua esposa, Corina Rojas, \u00e0 condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte. Aos 28 anos, m\u00e3e de quatro filhos, ela foi acusada de contratar um homem para matar o marido, David D\u00edaz-Mu\u00f1oz, 36 anos mais velho. Mais de cem anos depois, a hist\u00f3ria ganhou um novo olhar pelas m\u00e3os da pr\u00f3pria fam\u00edlia: Andrea D\u00edaz-Mu\u00f1oz, bisneta de Corina e ju\u00edza criminal, descobriu em 2020 que o caso que estudava tinha liga\u00e7\u00e3o direta com sua pr\u00f3pria genealogia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta ocorreu por acaso, enquanto Andrea assistia ao notici\u00e1rio do Poder Judici\u00e1rio chileno. O programa apresentava um epis\u00f3dio sobre o chamado crime da rua Lord Cochrane e mencionava o sobrenome da v\u00edtima. Inicialmente, a magistrada imaginou que fosse apenas uma coincid\u00eancia. Ao entrar em contato com parentes e reunir informa\u00e7\u00f5es fragmentadas preservadas pela fam\u00edlia, por\u00e9m, descobriu um segredo que havia atravessado gera\u00e7\u00f5es: Corina Rojas era sua bisav\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seis anos depois da descoberta, Andrea transformou a investiga\u00e7\u00e3o familiar no livro <em>Corina: una mujer, no un crimen<\/em>, publicado pela J. C. S\u00e1ez Editor. A obra busca reconstruir a mulher por tr\u00e1s de um dos processos criminais mais comentados do Chile no in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um casamento imposto quando Corina tinha apenas 15 anos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rela\u00e7\u00e3o entre Corina e David D\u00edaz-Mu\u00f1oz come\u00e7ou em circunst\u00e2ncias muito diferentes das que poderiam ser esperadas de um casamento volunt\u00e1rio. Segundo a reconstru\u00e7\u00e3o feita pela bisneta, os pais de Corina a obrigaram a se casar quando ela tinha apenas 15 anos. O marido tinha 51.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anos depois, j\u00e1 adulta e m\u00e3e de quatro filhos, Corina mantinha um relacionamento com outro homem, um professor de piano que, segundo o relato, exerceu influ\u00eancia sobre ela e a convenceu a recorrer a um assassino. O escolhido foi Alberto Duarte, conhecido pelo apelido de \u201cEl saco de luche\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<div class=\"jeg_video_container jeg_video_content\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Noticiero Judicial: Fallo Hist\u00f3rico - El crimen de calle Lord Cochrane\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wZjQrQBb39c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na noite de 21 de janeiro de 1916, enquanto David dormia em sua resid\u00eancia, na rua Lord Cochrane, n\u00famero 338, no centro de Santiago, Duarte entrou em a\u00e7\u00e3o. O agricultor foi atingido no peito por uma punhalada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrat\u00e9gia utilizada para encobrir o crime tamb\u00e9m acabou dando origem ao nome pelo qual a hist\u00f3ria ficou conhecida no cinema. Corina havia organizado uma reuni\u00e3o em sua casa, com familiares, um comiss\u00e1rio de pol\u00edcia e dois empres\u00e1rios. Enquanto os convidados jogavam cartas, o assassino permanecia escondido atr\u00e1s de uma cortina de veludo, esperando que David adormecesse.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma tentativa anterior e a falta de alternativas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O assassinato n\u00e3o teria sido o primeiro plano para eliminar o marido. Em dezembro de 1915, aproximadamente um m\u00eas antes do homic\u00eddio, Corina j\u00e1 havia tentado envenenar David, recorrendo, segundo os relatos hist\u00f3ricos, a uma pr\u00e1tica de bruxaria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Andrea D\u00edaz-Mu\u00f1oz, compreender as circunst\u00e2ncias da vida da bisav\u00f3 n\u00e3o significa justificar o assassinato. A magistrada afirma que o crime foi grave, mas considera necess\u00e1rio observar as condi\u00e7\u00f5es sociais enfrentadas por Corina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Naquele per\u00edodo, uma mulher casada tinha possibilidades extremamente limitadas para romper uma rela\u00e7\u00e3o considerada insatisfat\u00f3ria. Corina dependia economicamente do marido e tinha quatro filhos. Al\u00e9m disso, manter um relacionamento extraconjugal poderia provocar forte condena\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"800\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/7QIPW5KOZFGMFN3CVCSHQ7VXZI.avif\" alt=\"\" class=\"wp-image-58618\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/7QIPW5KOZFGMFN3CVCSHQ7VXZI.avif 1200w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/7QIPW5KOZFGMFN3CVCSHQ7VXZI-300x200.avif 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/7QIPW5KOZFGMFN3CVCSHQ7VXZI-768x512.avif 768w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/7QIPW5KOZFGMFN3CVCSHQ7VXZI-150x100.avif 150w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/7QIPW5KOZFGMFN3CVCSHQ7VXZI-750x500.avif 750w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/7QIPW5KOZFGMFN3CVCSHQ7VXZI-1140x760.avif 1140w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Andrea D\u00edaz-Mu\u00f1oz, bisneta de Corina Rojas &#8211; Foto: (Reprodu\u00e7\u00e3o\/Crist\u00f3bal Marambio Bello)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3pria bisneta ressalta que Corina n\u00e3o dispunha das alternativas que mulheres poderiam buscar atualmente, como separa\u00e7\u00e3o, defini\u00e7\u00e3o de guarda dos filhos e acesso a uma pens\u00e3o que garantisse sua sobreviv\u00eancia. Na interpreta\u00e7\u00e3o de Andrea, a combina\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia econ\u00f4mica, casamento imposto e press\u00e3o social ajuda a explicar o contexto em que o crime aconteceu, embora n\u00e3o retire a responsabilidade pelo homic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Livros publicados ainda em 1916 descreviam detalhadamente sua apar\u00eancia e personalidade, associando caracter\u00edsticas f\u00edsicas e comportamentais \u00e0 ideia de uma mulher sensual, vol\u00favel e supostamente pouco dedicada \u00e0 vida dom\u00e9stica. David, por outro lado, era retratado principalmente a partir de suas qualidades sociais: provedor da fam\u00edlia, pai considerado exemplar e propriet\u00e1rio rural respeitado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Condenada \u00e0 morte, mas salva pelo indulto<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A repercuss\u00e3o do caso foi t\u00e3o grande que o crime chegou rapidamente \u00e0 literatura e ao cinema. Ainda em 1916, foram publicados livros sobre o assassinato, antes mesmo da senten\u00e7a definitiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O epis\u00f3dio tamb\u00e9m inspirou <em>La baraja de la muerte<\/em>, conhecido como <em>El enigma de la calle Lord Cochrane<\/em>, considerado o primeiro longa-metragem produzido no Chile. A produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica tentou aproveitar a enorme aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica em torno do julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As filmagens levaram cerca de tr\u00eas meses e foram conclu\u00eddas em agosto daquele ano. O lan\u00e7amento estava previsto para 17 de agosto, no Teatro de Santiago, mas a sala foi fechada por determina\u00e7\u00e3o do prefeito da capital, oficialmente por raz\u00f5es relacionadas \u00e0 ordem social. A censura acabou transferindo a estreia para Valpara\u00edso e aumentou ainda mais a curiosidade do p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois, a produ\u00e7\u00e3o voltou a ser exibida em Santiago. Apesar da repercuss\u00e3o na \u00e9poca, nenhum exemplar do filme sobreviveu. N\u00e3o existem registros conhecidos de imagens das filmagens ou da pr\u00f3pria obra, e pouco se sabe sobre o destino dos atores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1916, o assassinato de um rico agricultor chocou Santiago, no Chile, e levou sua esposa, Corina Rojas, \u00e0 condena\u00e7\u00e3o \u00e0 morte. Aos 28 anos, m\u00e3e de quatro filhos, ela foi acusada de contratar um homem para matar o marido, David D\u00edaz-Mu\u00f1oz, 36 anos mais velho. 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