{"id":58637,"date":"2026-09-19T12:12:00","date_gmt":"2026-09-19T15:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=58637"},"modified":"2026-09-14T05:50:13","modified_gmt":"2026-09-14T08:50:13","slug":"especialistas-fazem-alerta-grave-para-o-que-esta-acontecendo-na-amazonia-e-que-pode-afetar-brasileiros-de-todos-os-estados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/especialistas-fazem-alerta-grave-para-o-que-esta-acontecendo-na-amazonia-e-que-pode-afetar-brasileiros-de-todos-os-estados\/","title":{"rendered":"Especialistas fazem alerta grave para o que est\u00e1 acontecendo na Amaz\u00f4nia e que pode afetar brasileiros de todos os estados"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia voltou a chamar a aten\u00e7\u00e3o de especialistas diante do avan\u00e7o do desmatamento registrado no bioma em 2026 e dos poss\u00edveis efeitos sobre o regime de chuvas em outras partes do Brasil. Dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram que os alertas de perda de vegeta\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia passaram de 319 km\u00b2 em agosto de 2025 para 358 km\u00b2 no mesmo m\u00eas deste ano, uma alta de 12%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No conjunto do bioma Amaz\u00f4nia, o resultado contrasta com a queda observada nos alertas de desmatamento. Em agosto, foram identificados 238 km\u00b2 de vegeta\u00e7\u00e3o nativa sob alerta, contra 294 km\u00b2 registrados no mesmo per\u00edodo de 2025, uma redu\u00e7\u00e3o de 19%.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os n\u00fameros foram divulgados pelo Inpe durante um evento realizado na capital paulista. O Deter \u00e9 utilizado principalmente para identificar \u00e1reas sob press\u00e3o e orientar a\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a medi\u00e7\u00e3o oficial do desmatamento \u00e9 feita pelo Prodes, sistema considerado mais preciso e que apresenta os dados consolidados anualmente.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"630\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-165.png\" alt=\"amaz\u00f4nia\" class=\"wp-image-20708\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-165.png 1200w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-165-300x158.png 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-165-768x403.png 768w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-165-150x79.png 150w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-165-750x394.png 750w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-165-1140x599.png 1140w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">(Reprodu\u00e7\u00e3o\/Pixabay)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desmatamento pode afetar chuvas em outras regi\u00f5es<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A preocupa\u00e7\u00e3o dos pesquisadores vai al\u00e9m dos limites da floresta. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR) identificou uma rela\u00e7\u00e3o entre per\u00edodos de maior perda de vegeta\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia e a redu\u00e7\u00e3o do volume de chuva registrado na Bacia do Rio Igua\u00e7u, no Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para chegar ao resultado, os pesquisadores cruzaram informa\u00e7\u00f5es sobre o desmatamento na Amaz\u00f4nia com registros de precipita\u00e7\u00e3o obtidos em 64 esta\u00e7\u00f5es pluviom\u00e9tricas. O levantamento considerou o per\u00edodo entre janeiro de 2011 e dezembro de 2023 e encontrou uma correla\u00e7\u00e3o entre os momentos de maior devasta\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o amaz\u00f4nica e per\u00edodos de menor quantidade de chuva na bacia paranaense.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os autores, por\u00e9m, ressaltam que o estudo n\u00e3o atribui toda ocorr\u00eancia de seca ou redu\u00e7\u00e3o das chuvas no Paran\u00e1 ao desmatamento amaz\u00f4nico. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 mais complexa e envolve diferentes fatores clim\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, a conex\u00e3o entre as regi\u00f5es \u00e9 considerada relevante. Segundo a pesquisadora Ana Carolina da Silva, uma das autoras do trabalho, aproximadamente 40% da chuva que chega ao Paran\u00e1 est\u00e1 relacionada \u00e0 umidade proveniente da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso significa que altera\u00e7\u00f5es na capacidade da floresta de transportar umidade pela atmosfera podem produzir consequ\u00eancias muito al\u00e9m da \u00e1rea diretamente desmatada, atingindo regi\u00f5es distantes da floresta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Amaz\u00f4nia funciona como uma grande infraestrutura h\u00eddrica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadoras reunidas na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do TEDxAmazonia, realizada no Equador, refor\u00e7aram a dimens\u00e3o continental do problema. Segundo as cientistas, a Amaz\u00f4nia desempenha um papel fundamental na infraestrutura h\u00eddrica da Am\u00e9rica do Sul, ajudando a manter o fluxo de umidade respons\u00e1vel pela forma\u00e7\u00e3o de chuvas em diferentes \u00e1reas do continente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A devasta\u00e7\u00e3o da floresta pode comprometer esse mecanismo. Entre os efeitos apontados est\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o das precipita\u00e7\u00f5es, o aumento das temperaturas e a ocorr\u00eancia de per\u00edodos de seca mais intensos em regi\u00f5es afetadas pelo desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3pria vegeta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m fica mais vulner\u00e1vel quando h\u00e1 menor disponibilidade de \u00e1gua no solo. Em condi\u00e7\u00f5es de seca, aumenta a tens\u00e3o no sistema respons\u00e1vel pelo transporte de \u00e1gua dentro das \u00e1rvores. Quando esse mecanismo \u00e9 repetidamente prejudicado, a planta pode n\u00e3o conseguir se recuperar e acabar morrendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse processo cria um ciclo de retroalimenta\u00e7\u00e3o: a perda de vegeta\u00e7\u00e3o reduz a capacidade da floresta de participar da din\u00e2mica de umidade, enquanto condi\u00e7\u00f5es mais quentes e secas aumentam a vulnerabilidade das \u00e1rvores que permanecem em p\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Seca hist\u00f3rica mostrou que impacto ultrapassa a floresta<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O aquecimento global aumenta a preocupa\u00e7\u00e3o dos especialistas. Em 2024, a Amaz\u00f4nia enfrentou uma das secas mais severas j\u00e1 registradas, em um per\u00edodo associado \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno El Ni\u00f1o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com Marielos, cerca de 88% da Bacia Amaz\u00f4nica foi afetada naquela ocasi\u00e3o. Os impactos n\u00e3o ficaram restritos ao territ\u00f3rio brasileiro ou \u00e0 pr\u00f3pria floresta: cidades localizadas nos Andes, como Bogot\u00e1, na Col\u00f4mbia, e Quito, no Equador, tamb\u00e9m sentiram os efeitos das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O epis\u00f3dio refor\u00e7ou a percep\u00e7\u00e3o de que altera\u00e7\u00f5es no equil\u00edbrio amaz\u00f4nico podem produzir consequ\u00eancias em escala continental. A floresta est\u00e1 conectada a sistemas atmosf\u00e9ricos e h\u00eddricos que influenciam regi\u00f5es muito distantes de seus limites.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A situa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia voltou a chamar a aten\u00e7\u00e3o de especialistas diante do avan\u00e7o do desmatamento registrado no bioma em 2026 e dos poss\u00edveis efeitos sobre o regime de chuvas em outras partes do Brasil. 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