{"id":58751,"date":"2026-09-15T12:27:00","date_gmt":"2026-09-15T15:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=58751"},"modified":"2026-09-15T03:48:29","modified_gmt":"2026-09-15T06:48:29","slug":"10-mil-passos-por-dia-ou-menos-ciencia-explica-qual-e-a-quantidade-ideal-para-se-movimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/10-mil-passos-por-dia-ou-menos-ciencia-explica-qual-e-a-quantidade-ideal-para-se-movimentar\/","title":{"rendered":"10 mil passos por dia ou menos? Ci\u00eancia explica qual \u00e9 a quantidade ideal para se movimentar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia de que \u00e9 necess\u00e1rio caminhar 10 mil passos todos os dias para manter uma boa sa\u00fade ganhou for\u00e7a ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, mas a ci\u00eancia indica que esse n\u00famero est\u00e1 longe de ser uma exig\u00eancia universal. Pesquisas de grande escala mostram que quantidades menores de passos j\u00e1 est\u00e3o associadas a redu\u00e7\u00f5es importantes no risco de morte e de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, enquanto o ganho adicional tende a diminuir conforme o n\u00edvel de atividade aumenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A origem da famosa meta remonta ao Jap\u00e3o dos anos 1960. Na \u00e9poca, um ped\u00f4metro chamado <em>manpo-kei<\/em>, express\u00e3o que pode ser traduzida como \u201cmedidor de 10 mil passos\u201d, ajudou a popularizar o n\u00famero. A cifra era simples de memorizar e tamb\u00e9m tinha forte apelo comercial. Com o passar dos anos, a recomenda\u00e7\u00e3o foi incorporada ao discurso sobre atividade f\u00edsica e ganhou ainda mais for\u00e7a com a chegada de rel\u00f3gios inteligentes, celulares e aplicativos que passaram a contabilizar os passos diariamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma nova pesquisa publicada no <em>British Journal of Sports Medicine<\/em> analisou dados de mais de 64 mil adultos de meia-idade registrados em uma ampla base de informa\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. Os participantes foram acompanhados, em m\u00e9dia, durante oito anos. Os pesquisadores compararam a quantidade de passos dados diariamente e a intensidade da caminhada com os registros de mortalidade ao longo do per\u00edodo, incluindo as causas das mortes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados refor\u00e7am que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio atingir os 10 mil passos para obter benef\u00edcios. Diferentes combina\u00e7\u00f5es de quantidade de passos e intensidade estiveram relacionadas a um menor risco de mortalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Nicholas Koemel, cientista comportamental da Monash University, a conhecida meta dos 10 mil passos surgiu de uma campanha comercial japonesa dos anos 1960, e n\u00e3o de uma defini\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sobre a quantidade ideal de movimento. A principal mensagem, portanto, \u00e9 que cada passo pode contribuir para a sa\u00fade e que a maneira como a pessoa se movimenta tamb\u00e9m pode fazer diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entre 5 mil e 7 mil passos j\u00e1 podem fazer diferen\u00e7a<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outras pesquisas ajudam a dimensionar melhor a rela\u00e7\u00e3o entre caminhada e sa\u00fade. Uma an\u00e1lise publicada em 2025 no <em>The Lancet Public Health<\/em> identificou redu\u00e7\u00f5es significativas no risco de mortalidade e de doen\u00e7as cr\u00f4nicas em n\u00edveis de aproximadamente 5 mil a 7 mil passos por dia. A marca de 7 mil passos esteve associada a uma redu\u00e7\u00e3o substancial do risco de morte quando comparada a n\u00edveis muito baixos de atividade f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os benef\u00edcios, por\u00e9m, n\u00e3o desaparecem quando a pessoa ultrapassa essa faixa. O que muda \u00e9 o ritmo de ganho. \u00c0 medida que a quantidade de passos aumenta, os benef\u00edcios adicionais tendem a ser progressivamente menores \u2014 fen\u00f4meno conhecido como retorno decrescente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisas anteriores chegaram a conclus\u00f5es semelhantes. Um estudo de Paluch e colaboradores, publicado em 2022 no <em>The Lancet<\/em>, apontou que, entre adultos mais velhos, os benef\u00edcios tendem a se estabilizar aproximadamente entre 6 mil e 8 mil passos di\u00e1rios. Entre pessoas mais jovens, esse ponto de estabiliza\u00e7\u00e3o fica mais pr\u00f3ximo da faixa de 8 mil a 10 mil passos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 uma an\u00e1lise publicada em 2023 no <em>European Journal of Preventive Cardiology<\/em>, conduzida por Banach e outros pesquisadores, refor\u00e7ou a exist\u00eancia de uma rela\u00e7\u00e3o dose-resposta: de maneira geral, mais movimento est\u00e1 associado a maiores benef\u00edcios, mas at\u00e9 mesmo aumentos relativamente modestos na quantidade de passos podem diminuir significativamente os riscos de mortalidade por todas as causas e por doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Sair do sedentarismo pode ser mais importante que bater uma meta<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta tamb\u00e9m muda a forma como a meta de passos pode ser encarada. Transformar os 10 mil em uma esp\u00e9cie de linha de corte pode levar algumas pessoas a acreditar que uma caminhada menor n\u00e3o tem valor. Na pr\u00e1tica, os maiores ganhos podem ocorrer justamente quando algu\u00e9m deixa um n\u00edvel muito baixo de atividade e come\u00e7a a se movimentar mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, passar de cerca de 2 mil para 5 mil passos por dia pode representar uma mudan\u00e7a mais relevante para a sa\u00fade do que aumentar a rotina de 9 mil para 10 mil passos. A diferen\u00e7a \u00e9 especialmente importante para pessoas que enfrentam limita\u00e7\u00f5es de tempo, condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade ou dificuldades para manter uma rotina prolongada de exerc\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, a recomenda\u00e7\u00e3o mais realista \u00e9 priorizar a progress\u00e3o. Para quem \u00e9 sedent\u00e1rio, acrescentar entre 1.500 e 2 mil passos \u00e0 rotina di\u00e1ria j\u00e1 pode representar um avan\u00e7o significativo. Uma faixa geral de aproximadamente 5 mil a 7 mil passos pode ser considerada uma refer\u00eancia para a sa\u00fade, enquanto atingir entre 7 mil e 9 mil ou mais pode proporcionar benef\u00edcios adicionais, dependendo da idade, do condicionamento f\u00edsico e das condi\u00e7\u00f5es individuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ideia de que \u00e9 necess\u00e1rio caminhar 10 mil passos todos os dias para manter uma boa sa\u00fade ganhou for\u00e7a ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas, mas a ci\u00eancia indica que esse n\u00famero est\u00e1 longe de ser uma exig\u00eancia universal. Pesquisas de grande escala mostram que quantidades menores de passos j\u00e1 est\u00e3o associadas a redu\u00e7\u00f5es importantes [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":9682,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":{"format":"standard"},"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-58751","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-geral"],"_referencia":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58751","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58751"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58751\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58752,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58751\/revisions\/58752"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9682"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58751"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58751"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58751"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}