{"id":58803,"date":"2026-09-15T19:26:00","date_gmt":"2026-09-15T22:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=58803"},"modified":"2026-09-15T12:59:40","modified_gmt":"2026-09-15T15:59:40","slug":"antes-de-viver-nilo-em-avenida-brasil-jose-de-abreu-foi-escrivao-virou-investigador-e-trabalhou-no-setor-de-entorpecentes-da-policia-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/antes-de-viver-nilo-em-avenida-brasil-jose-de-abreu-foi-escrivao-virou-investigador-e-trabalhou-no-setor-de-entorpecentes-da-policia-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Antes de viver Nilo em Avenida Brasil, Jos\u00e9 de Abreu foi escriv\u00e3o, virou investigador e trabalhou no setor de entorpecentes da pol\u00edcia de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jos\u00e9 de Abreu construiu uma carreira marcada por personagens de forte presen\u00e7a na televis\u00e3o, no cinema e no teatro, mas sua trajet\u00f3ria profissional come\u00e7ou longe dos est\u00fadios. Antes de interpretar Nilo, o criminoso que ganhou destaque em Avenida Brasil, o ator trabalhou na Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo como escriv\u00e3o e, posteriormente, investigador de pol\u00edcia. A passagem pela corpora\u00e7\u00e3o ocorreu na d\u00e9cada de 1960 e incluiu uma atua\u00e7\u00e3o no setor de entorpecentes do Departamento de Investiga\u00e7\u00f5es (DI).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nascido em Santa Rita do Passa Quatro, no interior de S\u00e3o Paulo, em 24 de maio de 1944, Jos\u00e9 Pereira de Abreu Jr. \u00e9 filho do delegado de pol\u00edcia Jos\u00e9 Pereira de Abreu. Em 1964, aos 20 anos, ingressou na Pol\u00edcia Civil e passou a trabalhar no 1\u00ba Distrito Policial, localizado no P\u00e1tio do Col\u00e9gio, na capital paulista. Primeiro exerceu a fun\u00e7\u00e3o de escriv\u00e3o e depois tornou-se investigador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia na pol\u00edcia durou aproximadamente quatro anos. Durante esse per\u00edodo, al\u00e9m das atividades no distrito policial, ele trabalhou no setor de entorpecentes do Departamento de Investiga\u00e7\u00f5es. Em 1968, deixou a corpora\u00e7\u00e3o justamente em um momento de forte turbul\u00eancia pol\u00edtica no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da pol\u00edcia ao movimento estudantil<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A passagem pela pol\u00edcia coincidiu com uma fase em que Jos\u00e9 de Abreu tamb\u00e9m se aproximava da pol\u00edtica e da vida universit\u00e1ria. Ele ingressou no curso de Direito da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP) e encontrou uma institui\u00e7\u00e3o profundamente envolvida nos movimentos estudantis que se opunham \u00e0 ditadura militar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na universidade, a pol\u00edtica e o teatro acabaram ganhando espa\u00e7o em sua rotina. O ator participou de reuni\u00f5es, manifesta\u00e7\u00f5es e atividades do movimento estudantil, enquanto desenvolvia uma liga\u00e7\u00e3o cada vez maior com as artes c\u00eanicas. Com o endurecimento da repress\u00e3o pol\u00edtica e a decreta\u00e7\u00e3o do AI-5, em dezembro de 1968, as manifesta\u00e7\u00f5es de rua passaram a representar riscos ainda maiores para os estudantes.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"984\" height=\"697\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/a-indomada-jos-c3-a9-de-abreu3-768x544-1.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-58804\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/a-indomada-jos-c3-a9-de-abreu3-768x544-1.webp 984w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/a-indomada-jos-c3-a9-de-abreu3-768x544-1-300x213.webp 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/a-indomada-jos-c3-a9-de-abreu3-768x544-1-768x544.webp 768w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/a-indomada-jos-c3-a9-de-abreu3-768x544-1-150x106.webp 150w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/a-indomada-jos-c3-a9-de-abreu3-768x544-1-120x86.webp 120w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/a-indomada-jos-c3-a9-de-abreu3-768x544-1-750x531.webp 750w\" sizes=\"(max-width: 984px) 100vw, 984px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ator na novela &#8220;A Indomada&#8221; &#8211; Foto: (Reprodu\u00e7\u00e3o\/TV Globo)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi nesse contexto que Jos\u00e9 de Abreu se aproximou do TUCA, o Teatro da Universidade Cat\u00f3lica. Inicialmente, trabalhou como produtor, mas sua forma\u00e7\u00e3o musical contribuiu para que chegasse aos palcos como ator. Uma das primeiras experi\u00eancias foi na pe\u00e7a O&amp;A, espet\u00e1culo experimental sem texto convencional, em que os di\u00e1logos eram constru\u00eddos a partir das vogais \u201co\u201d e \u201ca\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A entrada no elenco ocorreu de maneira quase casual. Enquanto trabalhava na produ\u00e7\u00e3o de uma pe\u00e7a sobre conflito de gera\u00e7\u00f5es, Jos\u00e9 de Abreu aproveitou a aus\u00eancia dos colegas para cantar e gravar m\u00fasicas que fariam parte da trilha sonora. O diretor Silnei Siqueira ouviu a grava\u00e7\u00e3o, aplaudiu o resultado e, posteriormente, convidou o jovem para atuar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O espet\u00e1culo conquistou o p\u00fablico, mas tamb\u00e9m chamou a aten\u00e7\u00e3o da Censura Federal. Depois de 1968, integrantes da produ\u00e7\u00e3o chegaram a ser presos antes de apresenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pris\u00e3o em Ibi\u00fana e uma vida na estrada<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 13 de outubro de 1968, Jos\u00e9 de Abreu estava entre os cerca de 700 estudantes detidos durante o Congresso da Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em Ibi\u00fana, no interior de S\u00e3o Paulo. Ele permaneceu preso por aproximadamente tr\u00eas meses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de deixar a pris\u00e3o, decidiu sair de S\u00e3o Paulo em busca de oportunidades para trabalhar com teatro em um ambiente que considerava menos submetido \u00e0 censura. A mudan\u00e7a marcou o in\u00edcio de uma fase itinerante de sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1969, chegou ao Rio Grande do Sul, onde conheceu Nara Keiserman, sua primeira mulher. Os dois posteriormente partiram para a Europa em busca de uma experi\u00eancia de vida que o pr\u00f3prio ator descreveu como \u201cpaz e amor\u201d. Jos\u00e9 de Abreu passou por Paris e Londres, onde trabalhou lavando pratos, antes de seguir para Amsterd\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Holanda, chegou a dirigir um \u00f4nibus destinado a turistas alternativos, conhecido como The Magic Bus. Depois, viajou para a Gr\u00e9cia, onde viveu uma fase marcada pelo interesse em filosofia hindu e medita\u00e7\u00e3o. O casal chegou a comprar uma Kombi com a inten\u00e7\u00e3o de seguir viagem at\u00e9 a \u00cdndia, mas acabou permanecendo na Gr\u00e9cia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na ilha de Andros, Jos\u00e9 de Abreu viveu por seis meses, per\u00edodo em que aprendeu grego e trabalhou como ajudante de pedreiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Do teatro e do cinema \u00e0 televis\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O retorno ao Brasil ocorreu em 1974, quando Jos\u00e9 de Abreu e Nara foram para Pelotas, no Rio Grande do Sul. A localiza\u00e7\u00e3o da cidade, pr\u00f3xima \u00e0 fronteira com o Uruguai, tamb\u00e9m era considerada estrat\u00e9gica diante da possibilidade de novos problemas com a ditadura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No estado, o ator ampliou sua atua\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Produziu shows musicais, espet\u00e1culos infantis e participou de montagens teatrais. Tamb\u00e9m trabalhou com nomes importantes da m\u00fasica brasileira, produzindo apresenta\u00e7\u00f5es de Gilberto Gil, Dominguinhos, Toquinho, Vinicius de Moraes, Rita Lee e Jorge Mautner. Com Nara Le\u00e3o, participou da primeira montagem ga\u00facha de Os Saltimbancos, de Chico Buarque.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estreia no cinema veio com A Intrusa, dirigido pelo argentino Hugo Christensen. O trabalho rendeu a Jos\u00e9 de Abreu o pr\u00eamio de Melhor Ator no Festival de Gramado de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anos depois, sua carreira ganhou proje\u00e7\u00e3o nacional com trabalhos na televis\u00e3o. Entre os personagens mais lembrados est\u00e1 Nilo, de Avenida Brasil, exibida em 2012. O vil\u00e3o do lix\u00e3o ficou conhecido pela risada estridente e pelo sorriso amarelado, um recurso criado pelo pr\u00f3prio ator para valorizar o trabalho de maquiagem realizado durante horas no camarim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 de Abreu construiu uma carreira marcada por personagens de forte presen\u00e7a na televis\u00e3o, no cinema e no teatro, mas sua trajet\u00f3ria profissional come\u00e7ou longe dos est\u00fadios. Antes de interpretar Nilo, o criminoso que ganhou destaque em Avenida Brasil, o ator trabalhou na Pol\u00edcia Civil de S\u00e3o Paulo como escriv\u00e3o e, posteriormente, investigador de pol\u00edcia. 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