{"id":58930,"date":"2026-09-19T15:56:00","date_gmt":"2026-09-19T18:56:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=58930"},"modified":"2026-09-16T07:44:01","modified_gmt":"2026-09-16T10:44:01","slug":"cientistas-desenvolvem-tecnica-incrivel-para-ajudar-a-combater-a-fome-e-humanos-vao-poder-comer-plastico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/cientistas-desenvolvem-tecnica-incrivel-para-ajudar-a-combater-a-fome-e-humanos-vao-poder-comer-plastico\/","title":{"rendered":"Cientistas desenvolvem t\u00e9cnica incr\u00edvel para ajudar a combater a fome e humanos v\u00e3o poder comer &#8220;pl\u00e1stico&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Southern Illinois University (SIU) Carbondale, nos Estados Unidos, encontrou uma maneira inusitada de aproximar dois problemas globais: a polui\u00e7\u00e3o provocada pelo pl\u00e1stico e a inseguran\u00e7a alimentar. A equipe est\u00e1 desenvolvendo uma t\u00e9cnica capaz de <strong>aproveitar compostos presentes em res\u00edduos pl\u00e1sticos e agr\u00edcolas para produzir ingredientes que podem ser utilizados na fabrica\u00e7\u00e3o de alimentos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta n\u00e3o significa que uma garrafa pl\u00e1stica possa ser colocada diretamente no prato. O processo utiliza microrganismos modificados para decompor e reconstruir os componentes qu\u00edmicos do material, transformando mol\u00e9culas ricas em carbono em subst\u00e2ncias de interesse aliment\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tecnologia surgiu dentro de um projeto liderado pela NASA, voltado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos em ambientes onde os recursos s\u00e3o extremamente limitados, como em futuras miss\u00f5es tripuladas para regi\u00f5es profundas do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Do pl\u00e1stico ao alimento<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos principais materiais estudados pelos pesquisadores \u00e9 o <strong>polietileno tereftalato (PET)<\/strong>, pl\u00e1stico utilizado em produtos bastante comuns, como garrafas de \u00e1gua e refrigerantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O material possui mol\u00e9culas ricas em carbono. Como o carbono tamb\u00e9m \u00e9 um componente fundamental dos alimentos, os cientistas perceberam que seria poss\u00edvel explorar essa caracter\u00edstica para transformar o res\u00edduo em mat\u00e9ria-prima para novos produtos.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"427\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/082426-plastic-cookies.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-58931\" style=\"width:746px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/082426-plastic-cookies.webp 640w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/082426-plastic-cookies-300x200.webp 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/082426-plastic-cookies-150x100.webp 150w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: (Reprodu\u00e7\u00e3o\/SIU Carbondale)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEst\u00e1vamos tentando desenvolver tecnologias para reciclagem de pl\u00e1stico para produzir produtos de maior valor. Pensamos: por que n\u00e3o focar na produ\u00e7\u00e3o de alimentos? Porque pl\u00e1stico \u00e9 carbono e alimento \u00e9 carbono\u201d, explicou o professor associado Lahiru Jayakody.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em vez de depender exclusivamente de rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas realizadas em laborat\u00f3rio, a equipe decidiu utilizar microrganismos capazes de executar transforma\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas complexas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Leveduras s\u00e3o transformadas em pequenas f\u00e1bricas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrat\u00e9gia utiliza diferentes variedades de leveduras, incluindo a tradicional levedura de panifica\u00e7\u00e3o. Os pesquisadores Jayakody e a estudante de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o Sandhya Jayasekara programaram geneticamente esses organismos para aproveitar mol\u00e9culas obtidas de res\u00edduos e convert\u00ea-las em diferentes subst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os produtos obtidos est\u00e3o <strong>prote\u00ednas, vitaminas, aromatizantes, gorduras e \u00e1cidos<\/strong>, que podem posteriormente ser utilizados na composi\u00e7\u00e3o de alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A utiliza\u00e7\u00e3o de microrganismos para fabricar subst\u00e2ncias de interesse n\u00e3o \u00e9 uma novidade absoluta na ci\u00eancia. Leveduras e outros organismos j\u00e1 s\u00e3o empregados, por exemplo, na produ\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas farmac\u00eauticas. A pr\u00f3pria insulina, que no passado era obtida de p\u00e2ncreas de animais, atualmente pode ser produzida por microrganismos geneticamente modificados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diferencial da pesquisa est\u00e1 em aplicar essa capacidade ao aproveitamento de res\u00edduos que normalmente seriam descartados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Processo quebra res\u00edduos antes da transforma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para realizar a convers\u00e3o, os cientistas utilizaram n\u00e3o apenas PET, mas tamb\u00e9m <strong>restos de plantas de milho, como caules e folhas, al\u00e9m de outras formas de biomassa<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de chegarem \u00e0s leveduras, esses materiais passam por um processo chamado <strong>dissolu\u00e7\u00e3o hidrot\u00e9rmica oxidativa<\/strong>, desenvolvido pelo professor de Geologia Ken Anderson, da pr\u00f3pria SIU Carbondale.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A t\u00e9cnica utiliza \u00e1gua e oxig\u00eanio submetidos a altas temperaturas e press\u00e3o para quebrar materiais resistentes em componentes menores, que podem ser aproveitados pelos microrganismos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois dessa etapa, os fragmentos resultantes s\u00e3o fornecidos \u00e0s leveduras geneticamente programadas. Os organismos utilizam essas mol\u00e9culas como mat\u00e9ria-prima para reconstru\u00ed-las e produzir novos componentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado \u00e9 uma esp\u00e9cie de cadeia de transforma\u00e7\u00e3o: um material que come\u00e7ou como pl\u00e1stico ou res\u00edduo agr\u00edcola \u00e9 processado, convertido em mol\u00e9culas acess\u00edveis aos microrganismos e, posteriormente, utilizado para produzir subst\u00e2ncias com potencial aliment\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cientistas criaram biscoitos ricos em prote\u00ednas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa chegou a uma demonstra\u00e7\u00e3o particularmente curiosa. Depois da produ\u00e7\u00e3o dos ingredientes pelas leveduras, os pesquisadores acrescentaram <strong>fibras, amido e ado\u00e7ante<\/strong> \u00e0 mistura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O composto foi ent\u00e3o processado por uma impressora 3D, dando origem a biscoitos ricos em prote\u00ednas chamados <strong>\u00b5Bites<\/strong>, nome pronunciado como \u201cmicrobites\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os produtos funcionam como uma demonstra\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de que os componentes produzidos a partir dos res\u00edduos podem ser incorporados a uma prepara\u00e7\u00e3o semelhante a um alimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia, portanto, n\u00e3o \u00e9 simplesmente \u201ccomer pl\u00e1stico\u201d, mas <strong>usar o carbono presente em determinados res\u00edduos como mat\u00e9ria-prima para produzir novos componentes aliment\u00edcios por meio de processos biotecnol\u00f3gicos<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tecnologia pode ser \u00fatil em locais com poucos recursos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A origem do projeto ajuda a explicar por que os pesquisadores est\u00e3o interessados em uma solu\u00e7\u00e3o t\u00e3o pouco convencional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em miss\u00f5es espaciais de longa dura\u00e7\u00e3o, transportar continuamente alimentos da Terra seria invi\u00e1vel. Uma tecnologia capaz de transformar res\u00edduos dispon\u00edveis no pr\u00f3prio ambiente em mat\u00e9ria-prima para produ\u00e7\u00e3o de alimentos poderia, no futuro, contribuir para sistemas mais autossuficientes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas as poss\u00edveis aplica\u00e7\u00f5es n\u00e3o se limitam ao espa\u00e7o. A equipe tamb\u00e9m considera cen\u00e1rios terrestres nos quais o acesso regular a alimentos e recursos seja prejudicado, como regi\u00f5es atingidas por desastres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A combina\u00e7\u00e3o entre <strong>reciclagem de res\u00edduos e produ\u00e7\u00e3o de alimentos<\/strong> poderia oferecer uma alternativa para aproveitar materiais que, de outra maneira, permaneceriam no ambiente ou seriam encaminhados para descarte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa desenvolvida por cientistas da Southern Illinois University (SIU) Carbondale, nos Estados Unidos, encontrou uma maneira inusitada de aproximar dois problemas globais: a polui\u00e7\u00e3o provocada pelo pl\u00e1stico e a inseguran\u00e7a alimentar. 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