{"id":59352,"date":"2026-09-21T16:52:00","date_gmt":"2026-09-21T19:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=59352"},"modified":"2026-09-21T06:42:27","modified_gmt":"2026-09-21T09:42:27","slug":"cientistas-brasileiros-procuram-um-recurso-escondido-debaixo-da-terra-que-pode-mudar-a-forma-como-geramos-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/cientistas-brasileiros-procuram-um-recurso-escondido-debaixo-da-terra-que-pode-mudar-a-forma-como-geramos-energia\/","title":{"rendered":"Cientistas brasileiros procuram um recurso escondido debaixo da terra que pode mudar a forma como geramos energia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadores brasileiros est\u00e3o ampliando a busca por uma fonte de energia que, diferentemente do hidrog\u00eanio produzido industrialmente, j\u00e1 existe naturalmente no subsolo. Trata-se do hidrog\u00eanio natural, tamb\u00e9m chamado de hidrog\u00eanio branco ou geol\u00f3gico, um g\u00e1s que se forma por processos geol\u00f3gicos e que pode representar uma nova alternativa para setores de dif\u00edcil descarboniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O interesse pelo recurso cresceu nos \u00faltimos anos ap\u00f3s descobertas em diferentes partes do mundo. No Brasil, estudos geol\u00f3gicos e levantamentos cient\u00edficos procuram identificar regi\u00f5es com caracter\u00edsticas favor\u00e1veis \u00e0 forma\u00e7\u00e3o, migra\u00e7\u00e3o e armazenamento do g\u00e1s. A Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) reuniu parte desse conhecimento em um Fact Sheet dedicado ao tema, abordando desde os mecanismos naturais de gera\u00e7\u00e3o at\u00e9 os obst\u00e1culos para uma eventual explora\u00e7\u00e3o comercial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A possibilidade chama aten\u00e7\u00e3o porque o hidrog\u00eanio natural pode se renovar em uma escala de tempo muito menor que os combust\u00edveis f\u00f3sseis. Segundo as informa\u00e7\u00f5es reunidas pela EPE, sua renova\u00e7\u00e3o pode ocorrer em uma escala de aproximadamente 50 anos, embora ainda existam muitas incertezas cient\u00edficas sobre a forma\u00e7\u00e3o e o comportamento desses dep\u00f3sitos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Onde o hidrog\u00eanio natural pode estar no Brasil<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ocorr\u00eancia do g\u00e1s depende de condi\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas espec\u00edficas. O hidrog\u00eanio pode ser produzido quando determinados minerais presentes nas rochas entram em contato com \u00e1gua e desencadeiam rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas capazes de liberar o elemento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No territ\u00f3rio brasileiro, uma das \u00e1reas que desperta aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o Cr\u00e1ton do S\u00e3o Francisco, forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica antiga que se estende por partes de Minas Gerais, Bahia e Goi\u00e1s. A presen\u00e7a de rochas ultram\u00e1ficas ricas em ferro pode favorecer rea\u00e7\u00f5es com a \u00e1gua e, consequentemente, a gera\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m existem pesquisas sobre poss\u00edveis ocorr\u00eancias em bacias sedimentares do Nordeste. Nessas \u00e1reas, antigas estruturas e falhas tect\u00f4nicas podem ter favorecido a circula\u00e7\u00e3o de fluidos subterr\u00e2neos e criado condi\u00e7\u00f5es para a forma\u00e7\u00e3o ou concentra\u00e7\u00e3o do g\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Regi\u00f5es associadas ao vulcanismo tamb\u00e9m entram no radar dos pesquisadores. Fernando de Noronha e outras \u00e1reas que tiveram atividade vulc\u00e2nica no passado s\u00e3o apontadas como locais que podem apresentar condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis a processos geot\u00e9rmicos relacionados \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de hidrog\u00eanio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, a exist\u00eancia de ind\u00edcios n\u00e3o significa que o Brasil j\u00e1 tenha identificado reservas economicamente explor\u00e1veis. O mapeamento do potencial depende de pesquisas mais aprofundadas em \u00e1reas como geof\u00edsica e geoqu\u00edmica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Descoberta no Mali colocou recurso no radar mundial<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A busca pelo chamado hidrog\u00eanio branco ganhou for\u00e7a internacional depois de descobertas em diferentes continentes. H\u00e1 registros de ocorr\u00eancias na \u00c1frica, Europa, Oriente M\u00e9dio, Estados Unidos e Austr\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos casos mais conhecidos ocorreu no Mali, em 2012. Um po\u00e7o perfurado na regi\u00e3o apresentou vazamento de um g\u00e1s com concentra\u00e7\u00e3o muito elevada de hidrog\u00eanio. O epis\u00f3dio ajudou a impulsionar pesquisas sobre a possibilidade de explorar dep\u00f3sitos naturais do elemento para gera\u00e7\u00e3o de energia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outras descobertas tamb\u00e9m foram registradas na Espanha e na Fran\u00e7a. Na Espanha, por exemplo, uma empresa de explora\u00e7\u00e3o identificou um grande reservat\u00f3rio no nordeste do pa\u00eds, aumentando as expectativas em torno do potencial comercial do recurso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Hidrog\u00eanio branco \u00e9 diferente do hidrog\u00eanio verde<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de todos serem chamados de hidrog\u00eanio, as diferentes classifica\u00e7\u00f5es dizem respeito principalmente \u00e0 forma como o elemento \u00e9 obtido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O hidrog\u00eanio verde, por exemplo, \u00e9 produzido por meio da eletr\u00f3lise da \u00e1gua utilizando eletricidade de fontes renov\u00e1veis. J\u00e1 o hidrog\u00eanio cinza normalmente depende de combust\u00edveis f\u00f3sseis, enquanto o azul tamb\u00e9m utiliza g\u00e1s natural, mas incorpora mecanismos para reduzir ou capturar parte das emiss\u00f5es. O hidrog\u00eanio rosa est\u00e1 associado ao uso de energia nuclear.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O hidrog\u00eanio branco, por outro lado, n\u00e3o precisa ser produzido artificialmente. Ele se encontra naturalmente no subsolo e pode resultar da intera\u00e7\u00e3o entre \u00e1gua e minerais ao longo de processos geol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa caracter\u00edstica \u00e9 justamente uma das raz\u00f5es para o interesse cient\u00edfico e econ\u00f4mico. Se dep\u00f3sitos suficientemente grandes, acess\u00edveis e economicamente vi\u00e1veis forem encontrados, o recurso poder\u00e1 ser utilizado em atividades nas quais a eletrifica\u00e7\u00e3o direta \u00e9 mais dif\u00edcil, como ind\u00fastria pesada, transporte de cargas e alguns segmentos da avia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Potencial existe, mas explora\u00e7\u00e3o ainda enfrenta obst\u00e1culos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A perspectiva de uma nova fonte energ\u00e9tica n\u00e3o significa que o hidrog\u00eanio natural esteja pronto para substituir outras tecnologias. A principal dificuldade est\u00e1 justamente em encontrar os dep\u00f3sitos e determinar quanto g\u00e1s pode ser extra\u00eddo de maneira segura e economicamente vi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Parte das poss\u00edveis ocorr\u00eancias pode estar em regi\u00f5es de dif\u00edcil acesso, inclusive no ambiente submarino. Al\u00e9m disso, ainda \u00e9 necess\u00e1rio desenvolver m\u00e9todos mais eficientes para localizar, extrair, transportar e armazenar o hidrog\u00eanio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro desafio envolve os vazamentos. Por ser uma mol\u00e9cula extremamente pequena, o hidrog\u00eanio exige cuidados espec\u00edficos durante o armazenamento e o transporte. Pesquisas apontam que sua libera\u00e7\u00e3o para a atmosfera pode produzir efeitos ambientais que ainda n\u00e3o s\u00e3o totalmente compreendidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores brasileiros est\u00e3o ampliando a busca por uma fonte de energia que, diferentemente do hidrog\u00eanio produzido industrialmente, j\u00e1 existe naturalmente no subsolo. 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