{"id":59357,"date":"2026-09-21T18:48:00","date_gmt":"2026-09-21T21:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=59357"},"modified":"2026-09-21T06:55:25","modified_gmt":"2026-09-21T09:55:25","slug":"a-quase-4-km-de-profundidade-pesquisadores-encontram-embalagens-sacolas-e-ate-uma-bota-no-fundo-do-mar-e-revelam-ate-onde-a-poluicao-ja-chegou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/a-quase-4-km-de-profundidade-pesquisadores-encontram-embalagens-sacolas-e-ate-uma-bota-no-fundo-do-mar-e-revelam-ate-onde-a-poluicao-ja-chegou\/","title":{"rendered":"A quase 4 km de profundidade, pesquisadores encontram embalagens, sacolas e at\u00e9 uma bota no fundo do mar e revelam at\u00e9 onde a polui\u00e7\u00e3o j\u00e1 chegou"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O lixo produzido em terra firme est\u00e1 chegando a lugares que, durante muito tempo, pareciam estar fora do alcance da a\u00e7\u00e3o humana. Em uma expedi\u00e7\u00e3o realizada em 2025, pesquisadores encontraram embalagens de alimentos, sacolas pl\u00e1sticas, copos, equipamentos de pesca, cordas e at\u00e9 uma bota de borracha a quase quatro quil\u00f4metros abaixo da superf\u00edcie do Atl\u00e2ntico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os res\u00edduos foram identificados no C\u00e2nion Submarino de Mar del Plata, uma enorme forma\u00e7\u00e3o localizada a cerca de 290 quil\u00f4metros da costa da Argentina. A regi\u00e3o nunca havia sido observada diretamente no fundo do mar, e as imagens obtidas por um ve\u00edculo operado remotamente revelaram n\u00e3o apenas uma biodiversidade pouco conhecida, mas tamb\u00e9m a presen\u00e7a de lixo em um dos ambientes mais extremos do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao todo, foram realizadas 17 descidas do ve\u00edculo submers\u00edvel SuBastian, do Schmidt Ocean Institute. Em dez delas, os pesquisadores registraram 29 objetos claramente produzidos pelo ser humano. A maior parte \u2014 27 itens \u2014 era de pl\u00e1stico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os objetos encontrados estava uma embalagem colorida de macarr\u00e3o instant\u00e2neo Mi Goreng, localizada a 1.920 metros de profundidade. Pouco abaixo, a 1.949 metros, os pesquisadores identificaram uma corda de n\u00e1ilon com um gancho.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"990\" height=\"648\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/6aac0c0ce26d2.image_.webp\" alt=\"bota mar\" class=\"wp-image-59358\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/6aac0c0ce26d2.image_.webp 990w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/6aac0c0ce26d2.image_-300x196.webp 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/6aac0c0ce26d2.image_-768x503.webp 768w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/6aac0c0ce26d2.image_-150x98.webp 150w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/6aac0c0ce26d2.image_-750x491.webp 750w\" sizes=\"(max-width: 990px) 100vw, 990px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: (Reprodu\u00e7\u00e3o\/Teso et al., 2026, PLOS One, CC-BY 4.0)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lista continuou com embalagens de alimentos, copos e sacolas pl\u00e1sticas. Em determinado ponto da expedi\u00e7\u00e3o, uma bota de borracha apareceu a 2.598 metros abaixo da superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os registros mais profundos foram ainda mais impressionantes. Um fragmento pl\u00e1stico altamente degradado foi observado a aproximadamente 3.709 metros, enquanto uma sacola parcialmente preenchida por sedimentos estava a 3.739 metros. Uma embalagem de papel ou tecido tamb\u00e9m foi registrada a cerca de 3.814 metros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto m\u00e1ximo de observa\u00e7\u00e3o de res\u00edduos chegou a 3.820 metros de profundidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O levantamento foi conduzido por uma equipe internacional liderada por Daniel Lauretta, do Museu Argentino de Ci\u00eancias Naturais, e os resultados foram publicados na revista cient\u00edfica <em>PLOS One<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O pr\u00f3prio relevo submarino pode concentrar a polui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A distribui\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores. O lixo n\u00e3o apareceu de maneira uniforme no fundo do oceano: havia uma concentra\u00e7\u00e3o maior dentro do c\u00e2nion do que nas \u00e1reas pr\u00f3ximas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada \u00e0 pr\u00f3pria estrutura da forma\u00e7\u00e3o submarina. O relevo e as correntes marinhas podem funcionar como uma esp\u00e9cie de corredor natural, transportando materiais e fazendo com que eles se acumulem nas regi\u00f5es mais profundas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c0 medida que o peixe nada \u2014 ou \u00e0 medida que os detritos afundam \u2014 o fundo do mar n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o distante\u201d, explicou Lauretta ao comentar os resultados da expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o pesquisador, os oceanos t\u00eam, em m\u00e9dia, apenas alguns quil\u00f4metros de profundidade. Isso significa que, apesar da enorme dist\u00e2ncia entre a superf\u00edcie e os ambientes abissais, eles continuam conectados aos processos que acontecem nas regi\u00f5es ocupadas pelos seres humanos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Animais tamb\u00e9m entram em contato com o lixo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A expedi\u00e7\u00e3o revelou outro aspecto preocupante: o lixo n\u00e3o est\u00e1 simplesmente parado no fundo do mar. Alguns organismos interagem diretamente com os objetos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Crust\u00e1ceos foram observados em contato tempor\u00e1rio com os res\u00edduos. J\u00e1 animais que permanecem fixos ou se movimentam pouco, como estrelas-do-mar e corais, foram vistos presos ou aderidos a materiais descartados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em alguns casos, embalagens pl\u00e1sticas e cordas de pesca j\u00e1 estavam parcialmente incorporadas ao ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para os cientistas, esse tipo de intera\u00e7\u00e3o mostra que a polui\u00e7\u00e3o n\u00e3o desaparece quando deixa de ser vis\u00edvel na superf\u00edcie. Os res\u00edduos podem permanecer no fundo oce\u00e2nico, ser transportados pelas correntes e acabar incorporados aos habitats de esp\u00e9cies que vivem em profundidades extremas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Expedi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m encontrou poss\u00edvel vida ainda desconhecida<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A contradi\u00e7\u00e3o encontrada no c\u00e2nion submarino tornou a expedi\u00e7\u00e3o especialmente relevante. Ao mesmo tempo em que o lixo humano foi identificado a milhares de metros de profundidade, os pesquisadores tamb\u00e9m registraram cerca de 40 esp\u00e9cies que podem ser novas para a ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo representa, portanto, uma das primeiras oportunidades de observar diretamente uma \u00e1rea do fundo do mar que permanecia praticamente desconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A presen\u00e7a de esp\u00e9cies potencialmente in\u00e9ditas ao lado de embalagens e outros objetos descartados refor\u00e7a a dimens\u00e3o do impacto humano. Mesmo ambientes que aparentam estar isolados e inacess\u00edveis podem receber materiais transportados durante anos pelas correntes oce\u00e2nicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E o fen\u00f4meno n\u00e3o est\u00e1 restrito ao Atl\u00e2ntico Sul. Poucos meses antes da expedi\u00e7\u00e3o argentina, uma sacola pl\u00e1stica havia sido registrada na Fossa das Marianas, a regi\u00e3o mais profunda conhecida dos oceanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O lixo produzido em terra firme est\u00e1 chegando a lugares que, durante muito tempo, pareciam estar fora do alcance da a\u00e7\u00e3o humana. Em uma expedi\u00e7\u00e3o realizada em 2025, pesquisadores encontraram embalagens de alimentos, sacolas pl\u00e1sticas, copos, equipamentos de pesca, cordas e at\u00e9 uma bota de borracha a quase quatro quil\u00f4metros abaixo da superf\u00edcie do Atl\u00e2ntico. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":59359,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":{"format":"standard"},"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-59357","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-geral"],"_referencia":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59357","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59357"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59357\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59360,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59357\/revisions\/59360"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59359"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}