{"id":61543,"date":"2026-09-25T01:08:00","date_gmt":"2026-09-25T04:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=61543"},"modified":"2026-09-25T01:08:00","modified_gmt":"2026-09-25T04:08:00","slug":"ela-realizou-o-sonho-de-ser-cirurgia-mas-diagnostico-de-autismo-aos-33-anos-revelou-por-que-o-ambiente-hospitalar-estava-levando-seu-corpo-ao-limite-e-fez-medica-mudar-de-profissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/ela-realizou-o-sonho-de-ser-cirurgia-mas-diagnostico-de-autismo-aos-33-anos-revelou-por-que-o-ambiente-hospitalar-estava-levando-seu-corpo-ao-limite-e-fez-medica-mudar-de-profissao\/","title":{"rendered":"Ela realizou o sonho de ser cirurgi\u00e3, mas diagn\u00f3stico de autismo aos 33 anos revelou por que o ambiente hospitalar estava levando seu corpo ao limite e fez m\u00e9dica mudar de profiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aos 33 anos, a cirurgi\u00e3 Kr\u00edcis Heather Torres recebeu o diagn\u00f3stico de autismo de n\u00edvel 1, que exige apoio pontual em intera\u00e7\u00f5es sociais e mudan\u00e7as de rotina. Formada em 2020, ela atuava no centro cir\u00fargico e passava havia anos por esgotamento f\u00edsico e emocional sem compreender a origem do sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diagn\u00f3stico veio em maio deste ano e mudou sua trajet\u00f3ria profissional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes do diagn\u00f3stico, ela havia feito tratamentos para depress\u00e3o e ansiedade, mudado de cidade, trocado de m\u00e9dico e alterado medicamentos repetidas vezes. Nenhuma dessas interven\u00e7\u00f5es explicava a origem do sofrimento, e o que parecia fraqueza mental era, na verdade, uma incompatibilidade sensorial com o ambiente hospitalar onde trabalhava todos os dias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como o diagn\u00f3stico tardio ocorre em mulheres<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autismo costuma ser associado exclusivamente \u00e0 inf\u00e2ncia, o que leva a diagn\u00f3sticos tardios, especialmente entre mulheres. Segundo a neuropsic\u00f3loga Joana Portolese, da Faculdade de Medicina da USP, 47% das mulheres diagnosticadas com o transtorno haviam recebido outro diagn\u00f3stico antes, em compara\u00e7\u00e3o com 27% dos homens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso ocorre porque meninas aprendem a lidar com os sinais de outra forma: internalizam o inc\u00f4modo e constroem uma camuflagem social. \u00c9 um roteiro para se adequar ao comportamento esperado, que inclui observar o que dizer, quais eventos frequentar e como reagir, e essa camuflagem pode despistar profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando crian\u00e7a, Kr\u00edcis n\u00e3o levantava suspeitas, e era uma aluna dedicada, organizada e com facilidade nos estudos, caracter\u00edsticas que mascaravam os sintomas cl\u00e1ssicos do transtorno. Ela tinha um irm\u00e3o autista que interagia menos e construiu uma carreira sem intera\u00e7\u00e3o social, enquanto ela conseguiu se adequar socialmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, achava que era uma pessoa t\u00edpica, e como suas outras habilidades se destacavam, as dificuldades ficavam invis\u00edveis para os pais, os professores e para ela mesma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os sinais que o corpo enviava dentro do centro cir\u00fargico<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois da resid\u00eancia em cirurgia geral, a sensibilidade a est\u00edmulos externos passou a atrapalhar seu desempenho. O barulho dos equipamentos p\u00f3s-operat\u00f3rios, que os colegas ouviam como ru\u00eddo normal, a deixava cada vez mais irritada. Depois vieram o cheiro do ambiente esterilizado e a textura de certos materiais, detalhes que a maioria ignorava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo isso produzia um cansa\u00e7o que o repouso n\u00e3o aliviava. Era como se seu corpo estivesse constantemente em prontid\u00e3o m\u00e1xima, processando informa\u00e7\u00f5es sensoriais que deveria deixar passar. Mesmo realizando o trabalho que sempre desejou, Kr\u00edcis sentia estar no limite de suas for\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A redefini\u00e7\u00e3o de carreira ap\u00f3s a compreens\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entender que o autismo estava na origem do sofrimento transformou sua percep\u00e7\u00e3o sobre si mesma e sua profiss\u00e3o. O hospital tentou fazer adapta\u00e7\u00f5es e permitiu que ela realizasse cirurgias com fones de ouvido para abafar o ru\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, o desgaste era t\u00e3o grande que ela ignorava sinais do pr\u00f3prio corpo, como fome, sede e vontade de ir ao banheiro, durante plant\u00f5es inteiros. Kr\u00edcis decidiu que n\u00e3o poderia continuar no centro cir\u00fargico sem comprometer a sa\u00fade mental e f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de anos de estudo em uma das resid\u00eancias mais concorridas do pa\u00eds, com 23 candidatos por vaga, escolheu usar seu conhecimento m\u00e9dico em outro contexto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, Kr\u00edcis trabalha como criadora de conte\u00fado sobre temas de sa\u00fade nas redes sociais, onde consegue compartilhar sua expertise sem a sobrecarga sensorial do ambiente hospitalar. Dessa forma, ela mant\u00e9m sua identidade profissional enquanto respeita as necessidades do seu corpo e mente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O transtorno do espectro autista de n\u00edvel 1, que exige suporte pontual em intera\u00e7\u00f5es e rotinas, encontrou seu espa\u00e7o de acomoda\u00e7\u00e3o em uma atua\u00e7\u00e3o que ela pr\u00f3pria desenhou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 33 anos, a cirurgi\u00e3 Kr\u00edcis Heather Torres recebeu o diagn\u00f3stico de autismo de n\u00edvel 1, que exige apoio pontual em intera\u00e7\u00f5es sociais e mudan\u00e7as de\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":21,"featured_media":61542,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-61543","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-geral"],"_referencia":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61543","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61543"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61543\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61569,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61543\/revisions\/61569"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61542"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61543"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61543"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61543"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}