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Não foi tijolo e nem cimento. A matéria-prima que deu base à MRV Engenharia, maior construtora do Brasil, é uma mistura de “propósito” e “gente”, conforme explica o fundador, Rubens Menin.

A empresa completa, hoje, 40 anos e, para o executivo, essa jornada só foi possível porque a MRV se preocupou em se posicionar como um agente de desenvolvimento econômico e social no País.

“As empresas não existem só para ganhar dinheiro e fazer negócios. Elas precisam fazer mais que isso e resolver problemas reais da sociedade”, afirma.

Essa visão de “dor de mercado” – que foi recentemente popularizada pela cultura das startups – já acompanhava a família Menin há quatro décadas, quando o negócio foi criado em Belo Horizonte, em 1979. A MRV surgiu com a proposta de construir moradias para a população de baixa renda em uma época em que esse público era pouco lembrado no mercado da construção civil.

“Os empresários do setor gostavam de fazer imóveis de médio e alto padrão e a construção popular era o ‘patinho feio’ do segmento. O mais engraçado é que ninguém enxergava que esse era o maior mercado da construção civil”, afirma.

Menin explica que, na época, apostar nesse nicho era realmente arriscado. Isso porque o Brasil vivia tempos diferentes, com menos ofertas de financiamento e de oportunidades para essa população.

“Mas a gente achava que o caminho era mesmo por ali”, lembra. O primeiro empreendimento construído pela empresa foi uma casa de alvenaria, no bairro Vila Clóris, na região Norte da Capital. Com a receita gerada pela venda da casa eles aplicaram na construção de três novas habitações populares.

O mesmo sentimento de propósito e cultura voltada para as pessoas fez a empresa inovar mais uma vez no setor em 1992, quando criou um setor de atendimento aos consumidores.

Se hoje é comum falar em “experiência do cliente”, há quase 30 anos isso era novidade. “O número de consumidores cresceu e vimos a necessidade de criar uma solução para atender todos. É uma relação de “ganha ganha”: você cuida do relacionamento com as pessoas e elas passam a lembrar da sua marca”, afirma.

Com o tempo, lembrar da marca MRV ficou fácil: a empresa expandiu por todo o Brasil. Antes de completar duas décadas, já tinha chegado ao interior de Minas Gerais, São Paulo e Sul do País. Pouco tempo depois, aos 25 anos, avançou para a região central do Brasil e para o Nordeste.

Hoje, a construtora é a única que oferece casas e apartamentos em mais de 160 cidades do País. Recentemente, a marca também chegou ao exterior com a compra de 51% da incorporadora norte-americana AHS Residential. A MRV fechou o primeiro semestre de 2019 com lucro líquido de R$ 379 milhões, o que significa um crescimento de 16,4% em relação ao mesmo período em 2018. Nos primeiros seis meses deste ano, foram comercializadas 17.252 unidades.

O executivo acredita que o sucesso da empresa também está ligado à missão de atender a uma das demandas mais básicas da sociedade: moradia de qualidade. Justamente por isso, a MRV investe não apenas na construção de seus empreendimentos, mas também no entorno das comunidades.

“As principais demandas da população são saúde, educação e moradia. E eu destaco a moradia porque se a família não tiver casa, ela não consegue buscar educação e saúde. É por isso que a missão da MRV é tão importante: somos agentes do desenvolvimento econômico e social do País”, afirma.

O executivo destaca que essa noção de propósito é importante, inclusive, para que a empresa sobreviva nos tempos atuais.

“Você pode ter tecnologia, uma bela situação financeira, mas se não tiver gente você não ganha a guerra. E, hoje, as pessoas não trabalham mais só por salário. Se elas sentirem que a empresa está no jogo errado, elas vão embora mesmo”, alerta.

Construtora já soma 20 mil sócios

Nos últimos 40 anos, a MRV teve diversos momentos importantes que garantiram sua consolidação como a maior construtora do País. Mas, entre os principais marcos, está a abertura de capital, que aconteceu em 2007. O fundador, Rubens Menin, afirma que a atração de investimento permitiu que a empresa crescesse de forma acelerada.

“Além disso, a governança melhorou muito. Agora, somos 20 mil sócios em todo o mundo, então a empresa sobe para outro patamar”, diz.

O executivo lembra que, para chegar à Bolsa, a empresa precisou ter uma boa disciplina financeira. Para ele, essa é uma das tarefas mais difíceis para o empreendedor, pois ele precisa ser otimista, mas não pode arriscar além da conta.

“A maioria das empresas morre por insuficiência financeira e não porque produto é ruim. Mas, por outro lado, se o empreendedor for muito conservador ele também pode acabar fechando as portas. Ele vai ter que saber quando ser agressivo e quando ser conservador e isso é realmente muito difícil”, afirma.

A inovação é outro tema importante dentro da empresa. Entre os projetos de destaque estão os empreendimentos com energia fotovoltaica, o aplicativo “Meu MRV” para os clientes e o investimento no Órbi, espaço de conexão e apoio a startups de Belo Horizonte.

“Muitas vezes a inteligência é maior fora da empresa do que só dentro dela. Então, se o negócio não estiver disposto a abrir as portas ele não sobrevive”, afirma.