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Mercado de usados “surfa” na pandemia

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Pessoa: desafio é mudar a cultura do cliente, ele gosta de ver, “experimentar” o carro | Crédito: Kelvin Martins

Assim como os demais mercados, os usados também sofreram um grande baque no início da pandemia. Quase todos os segmentos se viram paralisados em março e abril. O comércio fechado, a crise econômica avançando rapidamente e a insegurança sanitária fizeram com que os consumidores se afastassem na tentativa de entender o que estava acontecendo e se resguardar financeiramente.

Logo depois, porém, foram praticamente os mesmos motivos que basearam a recuperação do setor. A pandemia acelerou o surgimento de um consumidor que já tinha dado as caras, mas que ainda não era maioria: o consumidor consciente. Mas, muito mais do que preocupado com o futuro do planeta, esse consumidor é engajado.

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Ao mesmo tempo, ele é muito mais digital e tem menos dinheiro para gastar. Daí o mercado de usados aparecer como uma grande saída. Além de economia direta, cobrando preços menores, ele se apresenta como uma oportunidade para poupar os recursos naturais do planeta, mirando na obsolescência programada e favorecendo economias locais.

Paradoxalmente, o que é usado pode ser um dos propulsores do Novo Normal, gerando ótimos negócios.

Castro: resultados foram melhores do que os projetados | Crédito: Gildeson Ferreira

Novo normal dita diferentes padrões de consumo

Paixão no mundo inteiro e, em especial, no Brasil, eles se tornaram, definitivamente, uma ferramenta essencial para que fornecedores e consumidores continuassem se relacionando: o smartphone. Surgido como telefone móvel, ele ganhou funções múltiplas ao longo do tempo e, quando muitos começavam a achar que o limite estava próximo, se mostrou útil até para quem não nutria a menor simpatia por ele. O celular conectou famílias, pacientes e médicos, alunos e professores, permitiu que variados produtos e serviços fossem entregues na porta de quem não podia sair de casa e gerou oportunidade de trabalho para milhares de profissionais desempregados e empresas que viam os clientes se desmaterializarem assim como a economia mundial.

A necessidade de ter um aparelho conectado à internet para realizar as tarefas do dia a dia, inclusive trabalhar, aqueceu o mercado de celulares usados. Além de comprar aparelhos de segunda mão, muita gente passou a recorrer aos consertos.

Segundo o gerente de Tecnologia do Grupo PLL, André Castro, é claro que a pandemia impactou os negócios, mas os resultados foram muito melhores do que os projetados em abril. A Yesfurb, empresa do Grupo PLL, é especializada em conserto e venda de celulares usados. A perspectiva é que o consumidor mais consciente e com menos dinheiro, recorra, cada vez mais, aos consertos e aos produtos de segunda mão.

Demanda aquecida – “Nós consertamos aproximadamente 10 mil aparelhos por mês. Isso aumentou durante a pandemia. O celular virou commodity. Um movimento interessante é das pessoas que trocam o aparelho danificado por um outro também usado, colocando o seu como parte do pagamento. Esse mercado aqueceu bastante. As pessoas perderam poder aquisitivo, mas não podem ficar sem o celular. O home office exige que elas tenham um celular com mais tecnologia. Então, com baixo investimento, usando seu próprio aparelho, elas perceberam que podem até fazer um upgrade”, explica Castro.

Mercado tradicional – A inventividade do brasileiro e, em especial, do belo-horizontino, deu origem a alguns modelos de negócios no mercado de carros usados e seminovos. Fortemente impactado em março, o setor viu o jogo virar rapidamente a ponto de faltar unidades nos estoques das principais concessionárias.

Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), considerando automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos rodoviários, foram comercializados mais de 1,4 milhão de veículos usados em novembro, volume que representou alta de 16% em relação ao mesmo período de 2019 (1,2 milhão de unidades).

Na avaliação do diretor do Grupo Carbig.com, Felipe Pessoa, os juros mais baixos, o receio quanto ao uso do transporte coletivo, a falta de carros novos no mercado fazem parte do conjunto de fatores que explicam o fenômeno. A migração de uma parte do contingente dos desempregados durante a pandemia para os serviços de transporte por aplicativo também se enquadra na lista de fatores.

Some-se a isso um processo de digitalização da operação iniciado antes da pandemia e está explicada a superação da meta anual estabelecida para a empresa em 20%. A rede acaba de ampliar a unidade Linha Verde e vai inaugurar mais uma em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), no próximo mês.

“A Carbig já vinha trabalhando a digitalização das vendas antes da pandemia. Investimos na apresentação on-line dos nossos carros em 360 graus, também no atendimento ao vivo e na entrega na casa do cliente – o Carbig em Casa. Nosso desafio é mudar a cultura do cliente, ele gosta de ver, ‘experimentar’ o carro. Então fomos buscar a experiência mais próxima do real. A pandemia só fez acelerar o processo. Hoje, mais de 50% dos clientes são recorrentes. Em um momento em que os clientes estão escassos, contamos com os consumidores fidelizados. O complicado é passar do on-line para o off-line. Hoje, tenho 12 pessoas aqui para atender. Garanto a resposta em até uma hora via e-mail. Não há nada pior que mandar um e-mail para uma empresa e nunca ser respondido. Com as ligações telefônicas é a mesma coisa: garanto 95% de atendimento imediato. Isso também ajudou nesse momento que o cliente não podia sair de casa”, afirma Pessoa.

E-commerce ganha impulso na crise

Organizamos uma força-tarefa para facilitar as transações na plataforma, disse Vargas | Crédito: Divulgação/OLX

Se muitos segmentos da economia só aderiram ao mundo digital empurrados pela pandemia, os usados já tinham lugar cativo no ciberespaço. Seja nas grandes plataformas ou nos pequenos grupos de desapego no Facebook, faz tempo que as pessoas encontram um jeito de comprar e vender com rapidez e diminuindo o contato físico.

Na OLX, gigante do setor, a primeira preocupação foi garantir a segurança sanitária de consumidores e colaboradores diante de muita incerteza e um público que crescia em um volume não esperado. De acordo com o General Manager da OLX, Lucas Vargas, o melhor caminho para dar suporte e tranquilizar os usuário seria entender os anseios e dificuldades, para desenvolver soluções que fossem ao encontro dessas necessidades em um cenário de restrição ao contato social.

“Foi então que empregamos uma força-tarefa para facilitar as transações na plataforma e lançamos a OLX Pay, nossa solução de pagamento digital, que já estava em andamento e que foi acelerada para dar resposta rápida às novas demandas dos usuários. Ela permite que toda a negociação e pagamento sejam feitos de forma on-line, via carteira digital, e oferece a possibilidade de frete e da proteção do sistema Compra Segura. Além da OLX Pay, que é uma solução de pagamento focada no público C2C(consumidor-consumidor), a plataforma conduziu diversas iniciativas direcionadas aos clientes profissionais e PMEs, como suporte e incentivo à continuidade de seus negócios. Criamos um canal de conteúdo voltado a esses profissionais, com dicas e informações sobre transformação digital e uso de ferramentas tecnológicas como suporte em tempos de pandemia. Também foram lançados os recursos Video Experience, que permite a inclusão de vídeos em anúncios, e Estande Virtual, que simula uma visita presencial com tour 360° em um imóvel, tudo isso de forma on-line e para tornar a experiência dos usuários ainda melhor”, relembra Vargas.

A crise alterou hábitos de consumo na plataforma e gerou tendências que devem afetar o negócio já em um futuro próximo. Em outubro, por exemplo, o número de usuários ativos na plataforma cresceu mais de 20% em relação ao período pré-pandemia (média de janeiro e fevereiro). As principais mudanças estão relacionadas aos hábitos de consumo dos usuários. Na média de março a setembro, em comparação com a média de janeiro e fevereiro – considerado período pré-pandemia -, as categorias com maior crescimento de demanda foram: “Esportes e Lazer” (60%), “Eletrônicos e Celulares” (44%) e “Para sua casa” (42%).

“Um levantamento nacional que fizemos em julho apontou que 38% dos usuários fizeram sua primeira compra por meio da OLX depois de maio. Entre os vendedores, 41% disseram que começaram a anunciar na plataforma durante a pandemia. Entre todos que anunciaram neste período, 28% disseram ter anunciado como forma de levantar dinheiro para pagar contas e dívidas e 25% para se desfazer de itens parados e ganhar renda extra. As pessoas recorrem à plataforma não apenas para consumo, mas também como meio para conquistar renda extra”, pontua o General Manager da OLX.

Kids – Do outro lado da nuvem, mas bem menos distante do que se pode imaginar, a psicóloga Luciana Possato criou, em 2012, o grupo de Facebook “Bazar Infantil BH”. O grupo é privado e tem cerca de 42,4 mil membros inscritos. Ela já participava de alguns grupos, mas não encontrava um que atendesse o seu perfil. Hoje, ela administra vários com itens novos e usados, alguns, até, com perfis bem específicos, como um só de fraldas.

“Vejo que quem eu nunca imaginei que fosse comprar um item usado, quando anuncio um novo, pergunta se tenho primeiro no desapego. Compensa muito financeiramente. Percebo que muitos querem vender, mas não querem comprar usados, mas isso também vai mudando com o tempo”, afirma Luciana Possato.

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