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Economia

08/02/2018

Alimento in natura eleva inflação em BH

Preços das excursões e da gasolina também ajudaram o índice do IPCA a subir 1,70% em janeiro
Ana Amélia Hamdan
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O tomate foi considerado o vilão entre os in natura/Charles Silva Duarte
Sofrendo a influência de despesas próprias do início do ano e da elevação dos preços de alimentos in natura, de excursões e da gasolina, a inflação de janeiro cresceu em Belo Horizonte. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 1,70%, segundo levantamento divulgado ontem pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No acumulado de 12 meses, o IPCA – que mede a evolução dos gastos das famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos – na capital mineira ficou em 3,44%.

De acordo com a coordenadora de pesquisa da Fundação Ipead, Thaize Vieira Martins Moreira, a alta em janeiro era esperada, devido às características do mês, mas foi a menor registrada em janeiro nos últimos três anos. Em 2015, o índice foi de 2,23%; em 2016, de 2,94% e, em 2017, de 2,19%. Com isso, segundo a pesquisadora, está mantida a tendência de inflação controlada.

De acordo com o estudo da Fundação Ipead, os alimentos in natura tiveram alta de 10,82% em relação a dezembro, influenciada principalmente pelo preço do tomate, que subiu 66,79%. Também tiveram alta as excursões, com elevação de 27,71% nos preços; gasolina comum, aumento de 5,72%; IPTU, 2,94%; curso de ensino fundamental, 7,85%; mão de obra (pedreiro, eletricista e marceneiro), 9,72%. Habitualmente, também impactam no aumento da inflação, em janeiro, o Imposto sobre Veículos Automotores (IPVA), reajuste do salário mínimo e aumento das mensalidades escolares.

Segundo Thaize Vieira, a alta no preço das excursões ocorre devido ao período de férias. Já a gasolina vem sofrendo sucessivos aumentos em decorrência da mudança da política de preços da Petrobras e da alta de impostos sobre o produto. A elevação do preço do tomate tem ligação com a questão climática, com excesso de chuvas em regiões produtoras e com o período de entressafra.

A energia elétrica, que durante o ano de 2017 pressionou a inflação para o alto, em janeiro de 2018 foi um dos itens que evitaram que o IPCA subisse ainda mais: o preço da tarifa de energia elétrica residencial teve redução de 4,79%. O resultado é consequência também do clima: com mais chuvas, a bandeira tarifária de janeiro foi a verde, ou seja, com custo menor.

Também pressionaram a inflação para baixo: curso de pós-graduação lato sensu, com redução de 9,5%; curso superior, redução de 2,23%; cabeleireiro, queda de 3,51%; dentista, redução de 2,42%. Ainda tiveram queda os preços do refrigerante (-1,37%) e da cerveja (-1,58%) em supermercados.

De acordo com a pesquisa, no grupo alimentação, houve alta de 0,65%. Nos produtos não alimentares, o aumento foi de 1,89%, com alta de 2,25% na habitação e de 2,06% em produtos pessoais. Nos produtos administrados, como transporte e combustível, a alta foi de 1,30%.

Tomate - A cesta básica subiu 5,58% em janeiro, no comparativo com dezembro, chegando a R$ 404,60, o correspondente a 42,41% do salário mínimo. Novamente, o culpado foi o tomate santa cruz, com alta de 66,68%. Em seguida, os itens que mais tiveram alta foram batata-inglesa (17,14%) e chã de dentro (3,87%). As quedas mais significativas foram a da banana-caturra (-6,10); manteiga (-2,14%) e feijão carioquinha (-2,52).

De acordo com pesquisadora Thaize Vieira, após sofrer quedas, o preço da cesta básica voltou ao patamar de janeiro de 2017. Segundo ela, apesar de ser expressiva, a alta é pontual, sendo que deverá haver uma normalização a partir do próximo mês.

Juros - A pesquisa mensal sobre taxas de juros praticadas mostrou que houve elevação na maioria dos itens avaliados em janeiro, na comparação com dezembro, mesmo com a taxa Selic tendo sucessivas quedas. Os juros mensais do cartão de crédito ficaram em 12,24%, enquanto os do cheque especial foram de 13,5%. “Essas são as duas formas de mais fácil acesso ao crédito. É preciso ter cautela”, alerta a pesquisadora Thaize Vieira.

ALTA DO MATERIAL ESCOLAR É DE 3,90%

Os consumidores estão, cada vez mais, adotando medidas para economizar na hora de comprar materiais escolares. É o que indica a pesquisa Dispêndio com Material Escolar, também divulgada ontem pelo Ipead/UFMG. Segundo o levantamento, 100% dos entrevistados disseram que fazem pesquisa de preços em diferentes estabelecimentos. Nesse quesito, houve alta de 3,90% em relação ao ano passado.

Outras estratégias citadas como forma de buscar preços melhores são reutilizar material escolar (86,25%); substituir marcas (80%); buscar livros usados (73,7%); ir às compras com antecedência (67,5%); realizar compras pela internet (48,75%) e realizar compras em conjunto (38,75%).

Ainda de acordo com o Ipead, há uma visível queda na intenção de uso do cartão de crédito. Em 2017, 33,73% dos entrevistados revelaram que pagaram os materiais escolares com cartão, sendo que neste ano o índice caiu para 20%. Os que pretendem pagar à vista chegam a 65%.

Confiança - A pesquisa Dispêndio com Material Escolar foi realizada conjuntamente com o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) de Belo Horizonte. Em janeiro, o indicador ficou em 38,15 pontos, indicando pessimismo (abaixo de 50). Mas, segundo a pesquisadora Thaize Vieira, apesar de não mostrar otimismo, o ICC retomou nível de pontuação de 2015. “Os consumidores estão mais otimistas que no ano passado”, avalia ela.

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