Crédito: Adriano Machado - Reuters

Brasília – O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse na sexta-feira (26) que está confiante na aprovação da reforma da Previdência e reforçou avaliação de que o País deveria introduzir um regime de capitalização para as aposentadorias.

Em evento na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Guedes afirmou que a capitalização, que prevê contas individualizadas de contribuição para a Previdência, “só tem vantagens” e disse que, se tiver oportunidade, o governo pretende oferecer a opção desse regime.

A proposta de reforma da Previdência encaminhada pelo governo ao Congresso previa uma autorização para a introdução da capitalização, mas a Câmara dos Deputados, que aprovou a reforma em primeiro turno, derrubou a medida.

Guedes afirmou, ainda, que compreende os cortes promovidos pela Câmara à economia prevista na reforma, mas demonstrou insatisfação com as mudanças, apesar de elogiar a atuação dos deputados e do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (PSL-RJ), e ressaltar que confia no presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

“Não podia ficar calado se propus economia de 1,2 trillhão de reais e depois levo uma descascada de R$ 300 bilhões”, disse Guedes em discurso na ACRJ.
Segundo o ministro, “o gasto descontrolado” é a grande doença do Brasil e ele espera uma resposta da economia a partir da aprovação da reforma e também do acordo comercial fechado entre Mercosul e União Europeia.

Guedes afirmou que, no segundo semestre, o governo pretende centrar esforços na reforma tributária. Ele também destacou as iniciativas de privatização e concessão do governo, acrescentando que elas são importantes para reduzir a dívida pública, permitindo que o governo concentre os gastos em áreas como educação e saúde.

Em discurso de mais de uma hora, Guedes fez repetidos elogios ao presidente Jair Bolsonaro, ressaltando se tratar de uma pessoa simples e digna, que não deixa espaço para “negociatas” nos entendimentos políticos do governo.

O ministro também destacou a sintonia de Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acrescentando que isso vai contribuir favoravelmente para o avanço dos negócios entre os dois países.

Já ao final de sua fala, Guedes fez referência à questão da invasão por hackers de celulares de autoridade do governo – incluindo Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sérgio Moro, classificando a ação como “tentativa patética de desestabilizar a democracia brasileira”.

“Qual ganho que se tem para a democracia invadir a privacidade dos outros”, questionou Guedes. (Reuters)