CRÉDITO: ARQUIVO DC

Brasília – Economistas praticamente não alteraram em julho suas expectativas para o rombo primário do governo central (Tesouro, Previdência e Banco Central) neste ano e no próximo, segundo relatório Prisma Fiscal, divulgado pelo Ministério da Economia ontem.

Segundo a mediana dos dados coletados até o quinto dia útil deste mês, a expectativa para o déficit primário do governo central teve ligeiro recuo a R$ 105,919 bilhões neste ano, sobre R$ 105,948 bilhões na conta feita em junho.

A estimativa, entretanto, continua distante da meta oficial de um déficit de R$ 139 bilhões para este ano.

Nesta semana, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, afirmou que o governo pode anunciar novo contingenciamento nas despesas para assegurar o cumprimento da meta fiscal de 2019, já que a perspectiva é de diminuição nas receitas esperadas para o ano por conta de revisão que será feita para baixo para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB).

O martelo será batido até o dia 22, data de divulgação do próximo relatório bimestral de receitas e despesas. Para aliviar a investida, após um contingenciamento de quase R$ 30 bilhões já anunciado em março, o governo poderá adotar medidas para que o bloqueio nos gastos não seja tão forte, incluindo iniciativas tributárias e associadas a fundos.

Para 2020, a estimativa dos economistas consultados pelo Prisma é de um primário negativo em R$ 76,153 bilhões, com pequena variação para cima em relação à cifra de R$ 75,838 bilhões vista no mês anterior, mas também dentro da meta estipulada para o exercício.

O alvo fiscal para 2020, segundo projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), é de um rombo primário de R$ 124,1 bilhões – sétimo dado consecutivo no vermelho, numa mostra do forte desequilíbrio entre receitas e despesas no País.

Em meio ao desarranjo fiscal, a dívida segue avançando sobre o Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa é que encerre 2019 em 78,75% do PIB, ante patamar de 78,50% visto em junho, mostrou o Prisma. Para 2020, a conta foi piorada a 80,20% do PIB, sobre 80% antes. (Reuters)