Bolsonaro: nenhum dos ministros é obrigado a ficar no cargo - Crédito: REUTERS/Adriano Machado

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro fez um apelo na sexta-feira (24) a governadores de estados do Nordeste por apoio à aprovação da reforma da Previdência, que disse ser um desafio de todos, independentemente dos partidos, para recuperar a economia brasileira.

“Faço um apelo aos senhores governadores do Nordeste. Nós temos um desafio pela frente, que não é meu, é também dos senhores governadores e senhores prefeitos, independentemente da questão partidária, é a reforma da Previdência, sem a qual não podemos sonhar em botar em prática parte do que nós estamos acertando aqui neste momento”, disse Bolsonaro durante reunião do Conselho Deliberativo da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em Recife.

Segundo Bolsonaro, com a aprovação da reforma previdenciária será possível “sonhar com uma economia que rode a máquina”, e através dela o país pode receber “recursos até de fora do Brasil para colocarmos o Brasil no rumo do verdadeiro desenvolvimento”.

O presidente também reiterou esperar que o Congresso não faça mudanças na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Previdência enviada pelo governo, mas disse ser “mais do que um direito” dos parlamentares fazer alterações que acharem adequadas.

Bolsonaro citou ainda o programa habitacional Minha Casa Minha Vida, que disse ser importante para ajudar as populações mais carentes a conseguirem moradias, como no caso do Nordeste. Segundo ele, a Caixa, responsável pelos financiamentos do programa, “não tem medido esforços” para mantê-lo vivo.

Antes de sua fala Bolsonaro ouviu cobrança do prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), por um pacto federativo para ampliar o repasse da União de recursos a governos municipais e estaduais.

Guedes – Bolsonaro disse na sexta-feira que nenhum de seus ministros é obrigado a permanecer no cargo, após o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmar em entrevista que deixará a pasta se a proposta de reforma da Previdência for desidratada pelo Congresso.

O presidente, ao mesmo tempo, fez uma defesa da necessidade da reforma previdenciária e disse concordar com Guedes que o País viverá um caos econômico se não for aprovado um texto muito próximo ao que o governo enviou ao Congresso.

“Ninguém é obrigado a continuar como ministro meu. Logicamente, ele está vendo como uma catástrofe, e é verdade, eu concordo com ele, se nós não aprovarmos uma reforma muito próxima da que enviamos para o Parlamento. Então o que Paulo Guedes vê – ele não é nenhum vidente, mas não precisa ser, para entender que o Brasil entra num caos econômico sem essa reforma”, disse o presidente a jornalistas no Recife.

Em entrevista à revista Veja, Guedes disse que renunciará ao cargo se o Congresso aprovar uma “reforminha”, alertando que o Brasil pode quebrar já em 2020. (Reuters)

Zema defende o aumento de recursos

Ao lado do presidente da República, Jair Bolsonaro, o governador de Minas, Romeu Zema, participou na sexta-feira (24), em Recife (PE), da reunião do Conselho Deliberativo da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – Sudene (Condel). O objetivo do encontro foi deliberar sobre o Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), desenvolvido pela equipe técnica da Sudene e apresentado aos estados na última semana.

O plano estabelece 41 regiões prioritárias para investimentos, além das nove capitais dos estados. A ideia é que esses polos funcionem como indutores de geração de emprego, expansão do saneamento básico e diminuição das desigualdades sociais.

Zema e os demais governadores presentes aprovaram um pedido para que 30% dos recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, que é gerenciado pelo Banco do Nordeste (BNB), possam ser direcionados aos estados. Hoje, o recurso é destinado a bancos privados. A proposta ainda depende de aprovação de projeto de lei no Congresso Nacional.

“A participação de Minas nas discussões é muito importante para que consigamos recursos para os municípios do semiárido, uma região já tão castigada pela seca. Nosso estado deve ter um protagonismo no direcionamento dos recursos federais para ampliarmos investimentos na malha rodoviária, ferroviária, na agricultura irrigada, entre outros”, afirmou Zema.

Minas tem hoje 168 municípios na área de abrangência da Sudene, quantitativo inferior ao de municípios na área de abrangência do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas Gerais (Idene), que é de 258. Tramita no Senado proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados, para inclusão de mais 81 municípios mineiros na área de abrangência da Sudene. Trata-se de um ponto não tratado no Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste (PRDNE), mas que é de grande importância para o Estado.

Entre as principais reivindicações de Minas estão a duplicação da BR-251, trecho entre Montes Claros e Cachoeira de Pajeu, a melhoria da malha ferroviária no trecho entre Montes Claros e Salvador (BA), ações de enfrentamento da seca, execução das linhas de transmissão e subestações de energia, além do fortalecimento da agricultura irrigada.

Em relação à BR-251, o pedido do Governo de Minas é para que a União estadualize a rodovia para que o Estado possa fazer a concessão à iniciativa privada, gerando uma receita entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões. (Com informações da Agência Minas).