Para Camargos, a Indenizar democratiza o acesso dos passageiros aos processos judiciais - Crédito: Indenizar/Divulgação

Nascidas na era do propósito, as startups estão elevando o nível de prestação de serviço em diferentes segmentos. Não é novidade a revolução que elas causaram em mercados como o dos bancos e dos táxis. Mas, nos últimos anos, um novo segmento começa a sentir “efeitos colaterais” dos negócios da nova economia: o setor de transporte aéreo. Companhias aéreas são alvos de um número crescente de processos de clientes que encontraram suporte em startups como a Indenizar, que oferece assessoria a passageiros lesados em casos de voos cancelados e extravio de bagagens.

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o número de processos judiciais relativos ao transporte aéreo no Brasil aumentou 40% entre 2016 e 2018. Enquanto em 2016 foram 57.855 processos registrados, no ano passado foram 82.643. Se comparados os números de processos de 2018 em relação aos de 2017, o crescimento é de 24%.

O órgão não especifica os motivos dos processos, mas o Boletim de Monitoramento da plataforma consumidor.gov.br, divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), mostra que os problemas de atrasos e cancelamentos de voos, assim como de transporte de bagagens, estão entre as principais reclamações dos consumidores.

O CEO da Indenizar, Bruno Camargos, acredita que o aumento do número de processos contra as aéreas pode estar ligado ao surgimento de startups que exploram esse nicho de ações contra essas companhias. Para ele, o trabalho oferecido pela Indenizar democratiza o acesso dos passageiros aos processos judiciais, permitindo que mais pessoas corram atrás de seus direitos.

“Nosso atendimento é simples e não oferece nenhum risco ao cliente, pois ele só paga se a ação for vitoriosa. Funciona assim: nós recebemos os casos por meio do nosso site e fazemos uma análise de viabilidade. Se couber ação entramos em contato com a nossa rede de parceiros jurídicos espalhados pelo Brasil e iniciamos o processo. A Indenizar fica com uma porcentagem de 20% a 30% do valor da indenização, de acordo com a complexidade do caso”, explica.

Ele acredita que a tendência é de que as pessoas fiquem mais atentas ao cumprimento de seus direitos enquanto consumidoras dos serviços de transporte aéreo, mas ele acredita que o cenário ideal ainda está longe.

“O brasileiro ainda tem essa cultura de deixar para lá e pensar que é perda tempo entrar com um processo. No nosso convívio de amigos ainda encontramos pessoas que nem sabem que podem exigir indenização em casos como atrasos de voo. Isso mostra que há muito campo para ser explorado nesse nicho”, frisa.

O CEO também acredita que o número crescente de processos pode ter um efeito de “ação corretiva” nos serviços prestados pelas companhias aéreas. Segundo ele, isso já é perceptível na prática da Indenizar: se no início as empresas do setor mal se relacionavam com os advogados parceiros da startup, agora elas estão mais abertas a negociações e, em muitos casos, a indenização é concedida sem que o caso precise virar um processo judicial.

“Além disso, há uma melhoria real nos serviços também. Acredito que, na medida em que surgem empresas como a nossa, que exigem a indenização e geram custos que antes as companhias não tinham, elas passam a se movimentar para melhorar sua prestação de serviço”, frisa.