CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE/Arquivo DC

Pelo terceiro mês consecutivo, os preços dos imóveis residenciais apresentaram queda em Belo Horizonte. De acordo com o Índice FipeZap de Venda Residencial, elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os valores de venda de imóveis residenciais recuaram 0,11% em maio. No País, o Índice FipeZap encerrou o mesmo período em ligeira queda, com variação negativa de 0,06% no preço de vendas. A retração nacional finalizou um período de seis altas consecutivas.

De acordo com o coordenador do Índice FipeZap de Locação Residencial, Eduardo Zylberstajn, a retomada dos preços dos imóveis só acontecerá quando houver uma melhora significativa da economia e previsibilidade do mercado. Além da necessidade de se aprovar a reforma da Previdência, ele cita outras ações como necessárias para a recuperação econômica, como a reforma tributária.

Os cenários de incerteza econômica e político complexo também afetam a confiança dos consumidores em adquirir imóveis. Com a demanda enfraquecida e oferta elevada, os preços dos imóveis tendem a seguir em queda. A alta taxa de desemprego também afeta de forma negativa o mercado dos imóveis.

“O movimento de queda nos preços de venda dos imóveis residenciais não é um problema de cidade e nem regional, é uma questão nacional. Enquanto não tivermos solução dos problemas econômicos enfrentados, vai ser difícil ver uma recuperação dos valores”, explicou Zylberstajn.

Ainda segundo o coordenador, no início do ano, a população estava um pouco mais otimista e houve lançamento de imóveis, o que aqueceu um pouco o mercado. Porém, houve uma frustração das expectativas em relação à economia.

“O ritmo do mercado de imóveis ainda está longe do que precisamos e gostaríamos. Os preços só subirão quando a demanda estiver superior à oferta. Estamos com muitos imóveis no mercado e a demanda enfraquecida, principalmente, pela alta taxa de desemprego. O mercado imobiliário precisa de previsibilidade para ficar aquecido, e não temos isso hoje”, disse.

De acordo com pesquisa do Índice FipeZap, com a queda de 0,11% nos preços dos imóveis residenciais de Belo Horizonte, em maio, a retração acumulada nos primeiros cinco meses do ano ficou em 0,95% e nos últimos 12 meses alcançou uma diminuição de 0,387% .

Custo do imóvel – A capital mineira encerrou o mês de maio com o preço médio do metro quadrado para imóvel residencial em R$ 6.289. A título de comparação, o valor da média brasileira chegou a R$ 7.184 no mesmo período.

Detalhadamente, foi identificado que o bairro com maior custo do metro quadrado para venda nos imóveis residenciais da Capital, em maio, foi a Savassi (R$ 11.184), seguido por Funcionários (R$ 10.986), Lourdes (R$ 9.523), Boa Viagem (R$ 9.407) e Belvedere (R$ 9.167).

Na outra ponta, os bairros com menores preços em Belo Horizonte foram: Vitória da Conquista (R$ 2.608), Mangueiras (R$ 2.637), Solar do Barreiro (R$ 2.664), Serra Verde (R$ 2.683) e Conjunto Califórnia II (R$ 2.687).

Caixa reduz juros e prevê alta em financiamentos

Brasília – A Caixa Econômica Federal prevê dobrar o volume de recursos que disponibiliza para financiamento imobiliário, podendo chegar a até R$ 100 bilhões por ano, quando passar a operar também com linhas referenciadas no IPCA e usando a tabela Price.

Ao anunciar ontem uma redução das taxas de juros para linhas do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou que o uso do IPCA como referência permitirá que o banco capte mais recursos no mercado.

“Hoje fazemos cerca de R$ 50 bilhões de financiamento imobiliário por ano; usando o IPCA, nós poderemos securitizar títulos e dobrar esse volume”, disse Guimarães a jornalistas.

Maior concessora de empréstimos para compra da casa própria do País, a Caixa hoje usa recursos da caderneta de poupança como funding para seus empréstimos, mais TR. Na prática, o banco acaba praticando taxas acima de 10% ao ano. O banco, nesses empréstimos, usa sempre a tabela SAC, metodologia na qual as primeiras prestações são mais altas, mas o juro total pago no financiamento é menor.

Ontem, o banco anunciou a redução de até 1,25 ponto percentual na taxa cobrada nessas linhas. Com isso, passará a cobrar de 8,5% a 9,75% ao ano. As novas taxas entram em vigor no dia 10 de junho.

Dentro de duas semanas, a Caixa deve lançar a nova linha, com uma taxa de cerca de IPCA mais 4% ao ano, o que levaria a uma taxa anual ao redor de 8%. O banco usará a tabela Price, em que as primeiras parcelas são menores, mas o juro total no empréstimo é maior.

“Não vamos substituir uma pela outra, mas dar a escolha para o tomador”, disse Guimarães. “Por que a Caixa tem que escolher? É melhor deixar os clientes escolherem”, completou.

Regularização de dívidas – A Caixa também anunciou um programa de regularização de dívidas de financiamento imobiliários, destinado para cerca de 600 mil clientes. Entre outras opções, o programa permite o uso do saldo de conta vinculada do FGTS para reduzir o saldo da prestação.

Segundo Guimarães, a Caixa tem cerca de R$ 10,1 bilhões em contratos em atraso, o que equivale a cerca de 11% do estoque de financiamento imobiliário do banco. Com o programa, espera recuperar já neste ano entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão. (Reuters)