Crédito: Jose Roberto Gomes/Reuters

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de Minas Gerais, para 2019, com base nos dados de maio, foi estimado em R$ 58,9 bilhões, retração de 0,98% frente aos R$ 59,5 bilhões registrados em 2018. A queda é justificada pelo desempenho negativo tanto na pecuária, que recuou 1,06% no período, quanto na agricultura, cuja estimativa aponta para uma retração de 0,95% este ano.

Importantes produtos como o café, soja, carne bovina e ovos apresentaram projeções negativas no VBP para 2019. Os dados foram divulgados, ontem, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Segundo o Mapa, da projeção do VBP estadual de R$ 58,9 bilhões para 2019, a agricultura responde por 64,17% do valor e a pecuária por 35,82%. A previsão é de um VBP de R$ 37,8 bilhões na agricultura, o que, se alcançado, representará uma retração de 0,95% frente a 2018, quando o faturamento das lavouras atingiu R$ 38,2 bilhões.

Cafeicultura – Um dos fatores que está contribuindo para a queda é a safra de café menor. Devido à bienalidade negativa do grão, que é o principal produto do agronegócio mineiro, a colheita deve ficar em 26,4 milhões de sacas de 60 quilos, volume 20,7% inferior ao registrado na safra passada. Por causa da safra menor, o VBP da produção total de café em 2019 foi estimado em R$ 10,9 bilhões, variação negativa de 25,15%.

No café arábica, o VBP deve alcançar R$ 10,8 bilhões, queda de 25,5%. Já para o café conilon, a previsão é de recuo de 9,7%, com o faturamento estimado em R$ 84,8 milhões.

Queda também é esperada no VBP da soja. No caso da oleaginosa, a tendência é encerrar o ano com retração de 16,2% e faturamento de R$ 5,9 bilhões. Neste ano-safra, a expectativa é colher 5 milhões de toneladas de soja, o que, se alcançado, ficará 8,5% menor.

O milho, outro importante item do agronegócio mineiro, deve apresentar faturamento de R$ 3,8 bilhões, variação negativa de 4,13%.

Alguns importantes produtos apresentaram variação positiva em maio. Na produção de cana-de-açúcar, por exemplo, o faturamento previsto para 2019 é de R$ 6,9 bilhões, 12,4% maior que os R$ 6,1 bilhões registrados no ano anterior.

Com demanda e produção em alta, o VBP do algodão herbáceo pode crescer 25,3%, com faturamento estimado em R$ 743 milhões. Outro produto que está com previsão positiva é a batata-inglesa, com alta de 146,9% e VBP estimado em R$ 3,1 bilhões.

Para o feijão, as expectativas também são favoráveis. A estimativa é de que o faturamento da cultura encerre 2019 em R$ 2,3 bilhões, alta de 138,6%. No caso da banana, o aumento esperado é de 21,5% e VBP em R$ 1,59 bilhão.

Pecuária – Assim como nas lavouras, a estimativa é de queda no faturamento bruto da pecuária de Minas Gerais em 2019. Com base nos dados de maio, a expectativa é encerrar o ano com VBP 1,06% inferior e receita de R$ 21,15 bilhões.

Entre os produtos, para a produção de frangos, a projeção é de um faturamento de R$ 4,5 bilhões, o que, se concretizado, será 12,5% maior. Já a receita prevista para a produção mineira de leite, R$ 8,9 bilhões, está 1,05% maior que os R$ 8,8 bilhões registrados no ano anterior.

Em ovos, a previsão é fechar 2019 com VBP em R$ 995,5 milhões, queda de 4,2%. No setor da pecuária, o faturamento de bovinos ficará praticamente estável, com pequena variação negativa de 0,37% e VBP estimado em R$ 6,6 bilhões.

Projeção para o País é de avanço de 1,4%

São Paulo – O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Brasil em 2019 foi estimado ontem em R$ 600,93 bilhões, ante R$ 597,8 bilhões na pesquisa divulgada em maio, com o setor pecuário e o milho e o algodão mostrando força, informou o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A projeção aponta um crescimento de 1,4% na comparação com o ano anterior. Caso se confirme a previsão, o VBP ficaria próximo ao recorde alcançado em 2017, de R$ 604,16 bilhões (em termos reais), em uma série iniciada em 1989.

“O montante não deve ficar muito diferente até o fim do ano, uma vez que faltam apenas as culturas de inverno e o trigo para o fechamento”, disse em nota o coordenador-geral de Estudos e Análises da Secretaria de Política Agrícola do ministério, José Garcia Gasques.

A pecuária vem liderando o crescimento neste ano, com aumento real de 4,1%, para R$ 202,3 bilhões, “revelando recuperação da atividade” em meio a uma forte demanda na exportação, com a China elevando as compras enquanto lida com a peste suína africana.

O VBP das lavouras deverá se manter praticamente estável em relação ao ano passado, ficando em R$ 398,6 bilhões.

Destaques – “Há uma quantidade relativamente grande de produtos que vêm apresentando bom desempenho”, disse Gasques. “Mas os de maior destaque são algodão, amendoim, banana, batata inglesa, feijão, laranja, milho, tomate e trigo”.

Se entre os principais grãos produzidos pelo Brasil a soja registrou quebra de safra neste ano, a de milho deverá ser recorde de mais de 100 milhões de toneladas, segundo especialistas.

O bom resultado do VBP neste ano ocorre apesar de a soja, principal produto da pauta de exportação do Brasil, ter registrado redução anual da ordem de R$ 20 bilhões – ano passado a safra foi recorde e os preços foram elevados por uma forte demanda da China.

Na pecuária, o crescimento deve-se principalmente a bovinos, suínos e frangos. Entre esses, o destaque maior é do frango, com crescimento de 13% no valor da produção. (Reuters)