Crédito: USP Imagens

O número de consumidores de Belo Horizonte, com o nome inscrito no cadastro de devedores do Serviço de Proteção do Crédito (SPC), encerrou março em alta. De acordo com o Indicador de Inadimplência da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), a inadimplência aumentou 0,58% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Essa alta pode ser explicada pela elevação da inflação e pela queda de 1,9% da renda real média.

“A aceleração da inflação impacta diretamente no custo de vida das famílias, diminuindo assim a renda disponível para o pagamento das dívidas e favorecendo o crescimento da inadimplência”, explica o presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva. “Além disso, é importante ressaltar que 2018 já é uma base de comparação mais forte do que foi 2017”, acrescenta. Na comparação com fevereiro houve um aumento de 0,66% no número de pessoas inadimplentes em Belo Horizonte.

O montante de endividados, na faixa etária acima de 65 anos, foi o que mais cresceu (19,45%) em março.

“As pessoas nesta faixa etária são as responsáveis financeiras pelas famílias, e sentiram mais no bolso os reflexos da elevação das despesas. Muitos, inclusive, vivem apenas com a renda da aposentadoria”, esclarece Silva. Além disso, de acordo com dados do IBGE, a renda real média dos idosos sofreu uma redução de 13,88% no quarto trimestre do ano passado ante o mesmo período de 2017, passando de R$ 3.832 para R$ 3.300, o que explica o maior endividamento nesta faixa etária.

Entre os gêneros, a inadimplência foi maior entre as mulheres, com crescimento de 0,21%. Já entre os homens, houve queda de 0,91%.

Atraso – Os belo-horizontinos estão com menos dívidas em atraso. Em março houve queda de 3,03% no número de débitos vencidos em comparação ao mesmo mês no ano anterior.

“Os belo-horizontinos vêm tentando organizar sua situação financeira e realizar, aos poucos, o pagamento de suas dívidas”, comenta o presidente da CDL/BH. Na variação mensal houve um leve acréscimo de 0,26% no número de dívidas em atraso.

Assim como mostrado no Indicador de Inadimplência, a maioria das dívidas (14,93%) está entre as pessoas com mais de 65 anos. Nessa faixa de idade encontram-se os aposentados, que normalmente têm um aumento de gastos com a saúde, alimentação, impedindo que eles destinem seus recursos para o pagamento dos débitos.

Empresas – O número de empresas com contas em atraso e registradas no cadastro de inadimplentes cresceu 6,4% em março ante o mesmo intervalo do ano passado. Na comparação com o mês anterior, houve alta de 0,23% da inadimplência.

“A economia do País ainda não conseguiu retomar o ritmo de crescimento necessário para recuperarmos as perdas dos últimos três anos e permitir que os empreendimentos consigam quitar todos os seus débitos, por isso elas seguem inadimplentes”, explica Marcelo de Souza.

Já o número de dívidas contraídas em nome de pessoas jurídicas avançou 2,38% em março na comparação com o mesmo mês de 2018. Já na variação mensal (Mar.19/Fev.19), a quantidade de contas em atraso aumentou levemente em 0,08%.

“A elevação das dívidas ainda é reflexo das dificuldades financeiras geradas com a crise. A melhora da atividade econômica ainda não tem sido suficiente para que as empresas saiam completamente do endividamento”, conclui o presidente da CDL/BH.