Crédito: REUTERS/Paulo Whitaker

Benjamin Salles Duarte *

Abastecer o mercado interno brasileiro, com seus atuais 210 milhões de habitantes/consumidores, e exportar para mais de 160 países é um binômio indissociável e estratégico à economia desse País, movimentando produtores, pesquisa agropecuária, substantivos recursos financeiros, logísticas e insumos diversos, e obtendo preciosas divisas externas. Há um equívoco em se afirmar, não raro, que o agronegócio é basicamente exportador!

Não há nenhuma lógica plausível nessa percepção controversa, sem fundamentos, presumivelmente com milhares de adeptos e analistas pouco informados e não afeitos às complexidades, demandas e ofertas do agronegócio brasileiro. Entre 2007 e 2017, a produção de carne de frango passou de 9,34 milhões de toneladas para 13,05 milhões, mais 39,72%, sendo que o consumo interno é de 66,9%, e as exportações 33,1%.

Na avicultura de postura, a oferta de ovos de galinha evoluiu de 28,85 bilhões de unidades para 39,92 bilhões, crescendo 38,37% entre 2010 e 2017, e o consumo interno atingiu 99,74%. Entre 2006 e 2017, a produção de carne suína avançou de 2,94 milhões de toneladas para 3,75 milhões, mais 27,55%, havendo uma demanda interna de 81,50% no País (ABPA-2018).

Em 2017, houve uma oferta de 9,71 milhões de toneladas de carne bovina, em equivalente carcaça, dos quais 80% para o mercado interno e 20% foram exportados (Abiec). O 10º Levantamento da Conab, safra 2018/19, estima a produção de soja em 118,8 milhões de toneladas, sendo que a oferta estimada de milho é de 82,9 milhões de toneladas. Entre outros produtos agrícolas, essenciais, o milho e a soja são destinados à alimentação humana, agroindústrias, e para os rebanhos de pequenos e grandes animais; mais carnes, leite e ovos!

Por outro lado, nessa breve panorâmica, o Brasil é o maior produtor de café no cenário mundial, e mais 80% dos lares brasileiros usam diariamente essa bebida saborosa, emblemática e histórica. Em 2017, a oferta nacional era 49,9 milhões de sacas, sendo 30,7 milhões exportadas (61,5%); em 2018, das 61,7 milhões de sacas de café produzidas foram vendidas no mercado externo 31,5 milhões (51%) (Conab). O café é uma cultura bienal!

Minas Gerais é o maior produtor e exportador de café do Brasil e exige avançar mais na agroindústria, agregando valores, e ganhar novos espaços estratégicos e indispensáveis no Certifica Minas Café. Noutro ângulo, igualmente importante, em 2018/2019 a produção de açúcar atinge 34,2 milhões de toneladas e as exportações 23,6 milhões (69%)(Seapa).

No caso do trigo, embora o Brasil possa ser autossuficiente nessa cultura, em média se importa 50% do trigo argentino para atender à demanda interna. Em 2017, a produção brasileira é de 4,26 milhões de toneladas e as importações 6,38 milhões (60%), sendo que o consumo interno estimado é da ordem de 11,28 milhões de toneladas (Abitrigo). Há muita pesquisa substantiva sobre o trigo no Brasil!

A Argentina importa alguns milhares de veículos automotores fabricados no Brasil, pois quem compra quer vender. Acordo bilateral vigente!

Esses e outros dados reafirmam substantivamente que não há desabastecimento, pois o agronegócio abastece e exporta. Entre 2017 e 2018, o superávit nas exportações do agronegócio somou US$ 240,19 bilhões. Nesse Acordo UE-Mercosul, as logísticas operacionais não podem se transformar no “calcanhar de aquiles” do agronegócio brasileiro!

*Engenheiro agrônomo