BRUNO DE LACERDA*

Quando falamos em futuro do trabalho algumas perguntas que nos vêm à tona. Os robôs irão substituir os humanos? A minha profissão corre o risco de ser extinta? Quais as novas skills (competências) necessárias? O que preciso fazer para sobreviver neste cenário?

De fato, são vários questionamentos que a principio assusta, devido a grande maioria das pessoas não estarem preparadas para este novo mundo chamado 4.0.

Por falar em Mundo 4.0, se preparem caros leitores, pois irei abordar temas como a 4ª Revolução Industrial, Mundo Vuca, Sociedade 4.0, Clientes 4.0, Educação 4.0, Marketing e Vendas 4.0, dentre outros.

É verdade que algumas profissões estão ameaçadas nos próximos anos, mas nada apocalíptico, como projeções de robôs ou mesmo a Inteligência Artificial “tomando» o espaço dos humanos nas relações de trabalho. Inclusive, falo sobre as oportunidades e ameaças da Inteligência Artificial num próximo artigo.

Profissões com trabalho estritamente manual e repetitivo, já estão sendo substituídas gradativamente pela tecnologia. Telemarketing, caixas de supermercado, carteiros, operadores de máquinas, arquivistas e motoristas, são apenas algumas profissões que já sentem o impacto da automatização e digitalização dos processos.

Mas, não é para se assustar – ou nem tanto – pois várias outras estão surgindo, como; operadores de drones, conselheiro de produtividade, agente de memes (sim! agente de memes), especialista em 3D, microagricultor urbano, consultor de carreiras on-line, especulador de moedas alternativas e muitas outras que sequer ainda imaginamos.

Um estudo da Gartner – consultoria especializada em tecnologia e tendências – nos apresenta que irão surgir mais novos empregos do que os que serão extintos. Uma boa notícia para quem se preparar para o novo, se reinventar e descobrir novas oportunidades. Vale lembrar que, 30% dos empregos atuais não existiam a 10 anos atrás.

Outro estudo bem interessante, do Fórum Econômico Mundial, aponta que 65% das crianças hoje no primário, executarão empregos ainda não existentes. Fato que gera um enorme desafio para as instituições de ensino, pois, estão ensinando matérias que não serão utilizadas em um futuro bem próximo. Como escolas e universidades se prepararem para este novo cenário da educação 4.0? É um questionamento levantado em vários fóruns, palestras e eventos sobre o futuro do trabalho. A resposta talvez encontra-se na reivenção, o que não é uma tarefa nada fácil.

Costumo falar que o futuro é agora e, no trabalho, não seria diferente. Novos modelos já estão sendo colocados em prática, como diminuição da carga horária de trabalho. Já imaginou uma jornada de 6 horas/dia, com 30 horas semanais, e aumento em 30% de produtividade? Pois bem, algumas empresas já estão implementando este tipo de ação e colhendo resultados através de colaboradores mais felizes e produtivos.

Um caso recente que está dando no que falar é o da Unilever. A empresa está testando no Brasil um novo jeito de trabalhar, com semana de três dias. As diretoras de RH estão compartilhando o cargo, nas sextas-feira, a folga é regra. A novidade na Unilever está na implementação experimental, especificamente na área de RH.

Este é um conceito já comum em outros países, em inglês a prática leva o nome de job sharing. CEOs de empresas como Chipotle e Salesforce, compartilham a tarefa de liderar a companhia.

Se eu pudesse dar algumas dicas – já sugerindo – cito algumas para que você as acompanhe e não seja facilmente engolido pelas máquinas e robôs.

Eterno aprendiz: Como dizem os americanos, lifelonglearning. Estudar, capacitar e acompanhar tendências, não caia na zona de conforto. Seja um profissional incomodado, inquieto, questione e esteja sempre aberto às mudanças. É uma questão de evolução do mundo, não tem como brigar contra o futuro ou se prender ao passado.

Soft Skills: As Soft Skills são competências que não são adquiridas em escolas ou faculdades tradicionais. Ao contrario das Hard Skills – competências técnicas – as Soft Skills são as chamadas competências emocionais, culturais e sociais. Procure desenvolver habilidades como resiliência, empatia, liderança, colaboração, co-criação e comunicação. São competências baseadas na inteligência emocional.

Intraempreendedorismo: O intraempreendedorismo é algo que ganha cada vez mais força dentro das organizações. Como as empresas estão em busca constante da inovação, o intraempreendedorismo permite uma olhar do colaborador com senso de dono, é o que chamamos de ownership. Crie um hábito auspicioso para propor novas ideias e soluções, analise cenários e oportunidades dentro da empresa, vá além do que foi apenas contratado para fazer.

Profissionais inovadores jamais serão substituídos, pelo contrário, são desejados e despertam novas oportunidades profissionais.

Para finalizar, fica o recado.

O futuro sempre será incerto, cabe a nós criarmos possibilidades e oportunidades.

Até a próxima.

*Empreendedor, professor, mentor em programas de aceleração de negócios de impacto, consultor de marketing digital, inovação e transformação digital