Após fechar 2018 com um preço médio de US$ 66,5 a tonelada de minério de ferro e queda de 5,8% sobre a cotação média de 2017, analistas apontam que a tendência para 2019 é de nova queda de preços. As projeções indicam redução de até 4,6%, com a cotação da tonelada do minério com teor de 62% de ferro no mercado à vista na China variando entre US$ 60 e US$ 65.

O analista de Mineração e Siderurgia da Tendências Consultoria Integrada, Felipe Beraldi, explicou que as projeções são condicionadas em basicamente dois aspectos. O primeiro, segundo ele, é a redução da demanda chinesa, acompanhada pela desaceleração da economia no país, e o segundo é o aumento da oferta transoceânica do insumo em decorrência, principalmente, da maturação de investimentos na Austrália e da continuidade do ramp up (aumento gradual da produção) do projeto S11D, da Vale, no Pará.

“Existe uma expectativa de que a demanda chinesa por commodities minerais desacelere junto com a atividade econômica do país. Outros fatores do lado da oferta transoceânica também colaboram para a previsão.

Esta oferta deve continuar em expansão graças a dois destaques: a maturação de investimentos na Austrália visando à expansão de produção e a continuidade do aumento de produção do S11D, da Vale, além da retomada das operações da Anglo American (no Minas-Rio) em Minas Gerais”, reforçou Beraldi.

Conforme o especialista, o nível médio dos preços da tonelada do minério de ferro no mercado spot deve ficar entre US$ 62 e US$ 65, o que representaria, se confirmado, uma queda de até 4,6% em relação ao preço médio de 2018. Beraldi lembrou, ainda, que a desaceleração do mercado chinês não significa retração, mas já provoca um impacto importante mundo afora. Além disso, ele acrescentou que o governo chinês vem preparando estímulos para frear uma desaceleração mais forte.

O analista da Merae Corretora, Pedro Galdi, faz uma análise parecida. “Existem vetores que podem derrubar o preço e outros que podem minimizar essa queda. Se o dólar cair em relação a outras moedas, seria uma pressão para aumentar os preços. Mas, se a economia global ou chinesa desacelerarem, seria uma pressão para baixar os preços”, afirmou.

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Guerra comercial – Galdi, que acredita que os preços médios do minério de ferro no mercado spot devem ficar em torno de US$ 65 a tonelada, também considera que a guerra entre Estados Unidos e China, que reflete em outros mercados, também pode influenciar na determinação da cotação da principal commodity mineral.

A economista da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), Luciana Mourão, projeta que o preço internacional do insumo deve se sustentar entre US$ 60 e US$ 70 a tonelada, em média, ao longo do ano. “O que vai mais influenciar é a demanda da China”, frisou.