Do total de entrevistados, 21% apontaram que a reforma da Previdência deve ser prioridade do governo federal neste momento - Crédito: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

A pesquisa Perspectivas 2019: Expectativa dos Brasileiros com o Cenário Político & Social, elaborada pela Acrefi e Kantar, constatou que a população considera que a reforma da Previdência deve ser a maior prioridade do governo, superando a educação e saúde. A pesquisa também mostrou que apenas 13% dos entrevistados considera a situação atual do País como ótima ou boa. O índice, apesar de pequeno, já mostra avanço em relação aos últimos três anos, período em que a variação não passava de 4%.

A pesquisa foi realizada com 1.000 entrevistados on-line de todas as regiões do Brasil, de 18 a 65 anos, entre 27 de maio a 7 de junho de 2019. A maioria dos ouvidos é do sexo feminino (60%) e (40%) do sexo masculino.

Dentre as prioridades do governo, a reforma da Previdência foi considerada a mais importante por 21% dos entrevistados, seguida por educação, 18%, e saúde, com 14%. A aprovação da reforma é vista como fundamental para que o governo consiga equilibrar as contas e volte a investir. Além disso, a expectativa é que o cenário econômico nacional seja estimulado e se torne atrativo para investimentos nacionais e internacionais.

De acordo com presidente da Acrefi, Hilgo Gonçalves, a população brasileira está mais consciente em relação à importância da aprovação da reforma Previdência.

“A reforma da Previdência vai equilibrar os direitos de todos, ela traz maior equidade. Quando falamos em Previdência, falamos no futuro das pessoas, por isso, é importante ter fundo sólido. A reforma é extremamente necessária porque trará esperança e confiança. As pessoas vão trabalhar e contribuir sabendo que o dinheiro está sendo guardado com justiça e sendo bem administrado. A reforma da Previdência é o grande pilar para as demais. Quando os investidores percebem que Congresso está olhando para o País, seguramente, vamos atrair mais investimentos com recursos de empresas nacionais e internacionais. São estes aportes que vão gerar mais empregos, o que é importante. A reforma é benéfica para toda a população e para o País”, explicou Gonçalves.

Situação – O levantamento mostrou também que 13% dos entrevistados considera a situação atual do Brasil como ótima ou boa, o nível mais alto desde 2016. A fatia dos que classificaram o quadro atual como regular foi de 36%, também o mais elevado no período. Já a parcela dos que consideram o cenário ruim ou péssimo somou 51%, o mais baixo em três anos.

“Um dos principais resultados da pesquisa é em relação a atual situação do País. Hoje, 13% dos entrevistados avaliaram a situação ótima e boa. Ainda é pouco, mas o histórico dos últimos três anos nunca passou de 4%. É importante ressaltar que a parcela que considera a situação como ruim e péssima vem diminuindo, saiu de 72%, nos últimos três anos, para 51%. Então, isso mostra uma perspectiva melhor”, explicou a diretora de atendimento ao cliente da Kantar – divisão Insights, Viviane Varandas.

Em relação à taxa de juros e perspectiva de crescimento do País, no comparativo com o 1º semestre de 2018, o otimismo cresceu entre os entrevistados. A perspectiva com o crescimento do Brasil passou de 31% para 48%. Já em relação à possível redução da queda na taxa de juros o índice subiu de 21%, no 1º semestre do ano passado, para 32% agora.

Cadastro Positivo: “Grande divisor de águas”

Um dos principais pontos que deve contribuir para a retomada do consumo – que irá estimular a recuperação econômica – e para a queda de juros é o Cadastro Positivo. De acordo com Gonçalves, o Cadastro Positivo é um grande divisor de águas por incluir cerca de 20 milhões de pessoas no sistema financeiro.

“Muitos pessoas serão incluídas no sistema financeiro de forma positiva. Essa democratização das informações vai ajudar a ser mais assertivo nas decisões em relação ao crédito. Hoje, as altas taxas de juros têm como componente a inadimplência e a expectativa é que a inadimplência caia, como aconteceu em outros países. Com isso, a tendência é de juros mais baixos e maiores prazos para pagamento, o que facilita o acesso ao crédito e estimula a demanda”, explicou o presidente da Acrefi, Hilgo Gonçalves.

Ainda conforme a pesquisa, 44% dos entrevistados estão otimistas em relação ao futuro, mesma fatia do que se mostram preocupados com as perspectivas, enquanto 6% se mostram resignados e 6% estão pessimistas.

Outro dado relevante é em relação ao emprego e fonte de renda, onde 56% estão atentos ou preocupados em relação à manutenção dos empregos, elevação de 3 pontos percentuais em relação a outubro de 2018. Além disso, 55% os entrevistados disse que o desemprego seguirá crescendo nos próximos meses.

Por outro lado, 37% dos entrevistados acreditam que a situação do Brasil vai melhorar em 2020; enquanto 19% consideram que o quadro não vai melhorar em 3 a 4 anos; 14% ainda acreditam em melhora já no segundo semestre de 2019; e 10% somente em 2021.

“A população está consciente e sabe que a recessão econômica foi grande e a recuperação é mais lenta. Está de fato, com os pés no chão e com o olhar bom para o futuro. A população está mantendo o consumo, mas sabendo que tem que ser planejada e no tempo certo, explicou o economista-chefe da Acrefi, Nicola Tingas.