Aliss021:Onibus016 Alessandro Carvalho Onibus Urbano, BH 19/01/09

O aumento no preço da passagem de ônibus e a alta no valor de alguns alimentos impactaram na inflação da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), que teve alta de 0,7% em janeiro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi divulgado na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre as 16 regiões metropolitanas pesquisadas, o índice da RMBH teve a alta mais acentuada. No País, o aumento foi de 0,32%.

Coordenador da pesquisa no IBGE em Minas, Venâncio Otávio Araújo da Mata explica que o subitem que teve o maior impacto sobre a inflação foi o referente a ônibus urbano, que teve reajuste de 11%, com impacto de 0,23 ponto percentual sobre o IPCA de janeiro. Tal subitem está dentro do grupo transportes, que teve aumento de 1,01%.

Por outro lado, a retração no preço da gasolina – que também está dentro do grupo transportes – segurou um pouco a inflação. O valor do combustível apresentou queda de 1,98%, com impacto de -0,11% sobre o IPCA. O preço do tomate, que teve queda brusca de 25%, também pressionou o índice para baixo. Outros subitens que registraram queda foram aparelho de som (-4,64%) e patinho (-3,93%).

Entre os grupos pesquisados pelo IBGE, a alta mais significativa veio de alimentos e bebidas, com aumento de 2%. As maiores elevações de preços foram da cenoura (39,22%), banana-prata (23,98%), abacaxi (22,16%), melancia (18,98%) e feijão-carioca rajado (18,83%). O leite longa vida teve alta de 9,30%.

Também registraram elevação os grupos: despesas pessoais (0,80%); saúde e cuidados especiais (0,23%); comunicação (0,17%), educação (0,01%). O grupo habitação mostrou estabilidade. Os que registraram deflação foram vestuário (-0,68%) e artigos de residência (-0,05%).

Venâncio da Mata explica que o peso de cada subitem sobre a inflação é definido em pesquisa do IBGE e indica qual o impacto que o consumo de cada produto tem no orçamento das famílias.

A variação do IPCA acumulada em 12 meses foi de 4,36% na RMBH, segundo maior resultado entre as áreas de abrangência da pesquisa, ficando atrás apenas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro (4,37%). No País, no acumulado de 12 meses, o IPCA foi de 3,78%.

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INPC – Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) apresentou variação de 0,84% na RMBH, em janeiro, enquanto no País registrou alta de 0,36%. Em relação aos últimos 12 meses, o índice mostrou variação de 4,34% na RMBH, enquanto no país teve alta de 3,57%.

O IPCA se refere a família com rendimento de um a 40 salários mínimos. Já o INPC se refere às famílias com rendimento de 1 a 5 salários mínimos.

Nacional – No País, o IPCA ficou em 0,32% em janeiro, acima dos 0,15% registrados em dezembro. Em janeiro de 2018, o índice foi de 0,29%. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação oficial ficou em 3,78%, pouco acima dos 3,75% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

A inflação de janeiro foi puxada pelo grupo alimentação e bebidas, que cresceu nos últimos 30 dias, fechando o mês em 0,90%. Em seguida, aparecem as despesas pessoais, que subiu 0,61%. Juntos, os grupos alimentos e bebidas e despesas pessoais responderam por cerca de 90% do índice do mês.

O item alimentação no domicílio subiu 0,97% em janeiro, especialmente em função das altas nos preços do feijão-carioca (19,76%), da cebola (10,21%), das frutas (5,45%) e das carnes (0,78%). O leite longa vida, após cinco meses consecutivos de queda, subiu 2,10%, contribuindo com 0,02 ponto percentual no IPCA de janeiro. Verificou-se ainda redução expressiva nos preços do tomate (-19,46%), o que ajudou a conter a alta dos itens alimentícios.

A alimentação fora também acelerou e subiu 0,79%. O destaque ficou com as altas do lanche, que passou de 0,72% para 0,91%, e da refeição, que atingiu 0,90%, quando havia registrado 0,08% no mês anterior.