É fundamental sentir-se parte do todo, afirma Kienbaum. Créditos: Joachim Rieger

“A tecnologia não nos libera da necessidade de uma liderança, pelo contrário, ela torna a liderança ainda mais importante.”

Este é o recado de Fabian Kienbaum, CEO mundial da consultoria alemã Kienbaum, que esteve no início desta semana conversando sobre os desafios da liderança na transformação digital com a equipe do escritório da Kienbaum em Belo Horizonte e um grupo de executivos.

O executivo utilizou sua própria experiência para exemplificar as mudanças que vêm ocorrendo no âmbito empresarial. Ele lembra que vários sistemas foram implementados nas organizações e a preocupação maior é com sua execução.

Neste contexto, os Recursos Humanos (RH) estão ainda mais em evidência. É uma abordagem integrada, e a Kienbaum é um dos poucos atores na Europa com esta abordagem.

Kienbaum, membro da terceira geração da família empresária, trabalha na empresa há 5 anos e é hoje responsável pela operação. Sua irmã e um dos primos participam do Conselho Consultivo, sendo, juntamente com ele, responsável pela transformação digital da empresa familiar.

Quando o avô fundou a organização há 74 anos, a Kienbaum foi a primeira consultoria na Alemanha, sendo até hoje uma empresa familiar. Com profissionais de alta qualidade e parceiros importantes, o desafio de hoje é preparar a empresa para a quarta geração.

Como? Esta é a pergunta. Com mudanças, acredita Fabian Kienbaum, que lembra que hoje existem muitas soluções tecnológicas, bem mais do que quando ele começou a trabalhar na empresa; justamente em função da aceleração digital. E a base para esta transformação, acredita, é a mudança de cultura.

“O que nos fez bem-sucedido foi o trabalho que fizemos com a nossa cultura. Não há um novo trabalho sem uma nova cultura”; acredita.

Ele reconhece ser um processo longo e muito intenso, com muitos obstáculos e desafios. Um ponto importante a se perguntar é: do que é feito a cultura? Em que dimensões você tem que se concentrar para mudar uma cultura? Na opinião de Fabian Kienbaum, são cinco fatores.

O primeiro deles e mais relevante é a individualidade, fator determinante para ter o engajamento do grupo nas mudanças necessárias nos tempos atuais. Ele destaca que quando se olha para a maneira como consumimos e nos comunicamos nos dias de hoje, percebe-se que as empresas não estão preparadas para o modo como vivemos nossas vidas privadas.

O cerne da questão é: o que se pode oferecer aos funcionários e ajudá-los em suas vidas particulares – sobretudo as gerações mais jovens? Simplificando: como a empresa pode ser um empregador mais atraente?

Como combinar as vidas pessoal e do trabalho? Isso mudou enormemente. A diversidade é outro fator com o qual as empresas precisam aprender a lidar e a hospitalidade também é muito importante.

Hoje em dia na Alemanha são feitos grandes investimentos na criação de uma atmosfera, de um sentimento e de um ambiente de trabalho agradável para os trabalhadores.

Fabian Kienbaum ainda destaca a agilidade como um fator importante para a transformação digital. Somos agéis o suficiente? Estamos nos adaptando às mudanças do mercado? Somos parte de um ecossistema; como estão nossas estruturas? O quão flexível somos?

A ideia de Fabian Kienbaum é trazer esse sentimento para as pessoas que estão pavimentando o caminho para o futuro, os líderes como modelos. Assim, a liderança é o quinto fator destacado que continua sendo uma das partes mais importantes para as organizações.

Fica a provocação: as empresas deveriam perguntar aos seus funcionários como eles veem seus líderes e a maneira que estão sendo conduzidos.

Sabendo que existe diferentes estilos de liderança – transformador, ético, estratégico, laissez faire, autoritário, transacional e negativo – a pergunta a se fazer é se é possível mudar este estilo ou ele é totalmente relacionado a personalidade.

Conhecendo que tipo de liderança existe na empresa, Fabian acredita que torna-se mais fácil tirar dele o melhor que ele pode dar e, consequentemente para trazer a inovação para a empresa.

Encerrando, Fabian Kienbaum lembra que o sentimento de pertencimento é o último destaque. Não basta vir para a empresa trabalhar ao longo de 8 horas, mas é fundamental sentir-se parte do todo e trabalhar com propósito.

“É isto que trará mais energia para a empresa e satisfação para os funcionários”.

Plataforma digital – Criado a cultura adequada para a transformação digital, Jorg Breiski, vice-presidente, apresentou o que a Kienbaum tem implantado nas empresas alemãs: o “Accelerator”, uma solução para o desafio da mudança e transformação.

“Acreditamos que o desafio no mercado brasileiro nao é muito diferente do que vemos na Alemanha e na Europa”, pondera.

Hoje as empresas – com seus modelos tradicionais de gestão – estão cada dia mais pressionados por custos, concorrentes e inovação tecnológica. Com esta realidade, Breiski pontua que o maior desafio é o tempo para implementação de soluções que possam promover uma mudança a luz de suas definições estratégicas.

O Accelerator é uma plataforma digital capaz de conectar mais de 200 pessoas simultaneamente para operacionalizar uma estratégia com a participação de todos para buscar soluções para as questões críticas para o negócio.

Breiski compartilhou um case de sucesso de um cliente alemão que por meio do Accelerator promoveu o crescimento da partipapção do e-commerce no negócio de 10% para 50%.

Durante dois dias, todos os envolvidos participam do processo, contribuem e são simultaneamente alimentados com informações sobre os demais grupos das outras áreas da empresa, reduzindo imensamente o tempo do trabalho.

“Você habilita as pessoas a serem agentes de mudança na empresa e a contribuir com suas ideias. Isso gera comprometimento e engajamento do grupo nos processos de mudanças com a agilidade que o contexto da transformação digital exige nos negócios”, finaliza Breiski.