Trem turístico que vai ligar a capital mineira a Inhotim deverá transportar cerca de 2.000 passageiros diariamente - Crédito: Pedro Vilela / Agencia i7

O estímulo ao turismo será uma das principais ações para diversificar a economia de Brumadinho, na região Central de Minas Gerais, e reduzir a dependência do município em relação à mineração. A ação faz parte do projeto desenvolvido pelo poder público, iniciativa privada e terceiro setor para recuperar a atividade econômica e a autoestima da cidade que foi atingida pelo rompimento da barragem da Vale.

Uma das principais iniciativas é a criação de um trem de passageiros que ligará a capital mineira a Brumadinho. Ainda sem data definida para o início do funcionamento do trem turístico, o desenvolvimento do projeto dependia apenas da liberação da MRS logística, uma vez que a malha ferroviária está arrendada à empresa.

O anúncio da liberação foi feito na sexta-feira (14), durante a inauguração da Estação Cidadania, em Brumadinho. O projeto integra a “Aliança por Brumadinho”, que reúne o governo federal, estadual e municipal, empresas privadas e o terceiro setor.

De acordo com o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, após 13 anos de negociações com a MRS Logística, o governo e a Prefeitura de Brumadinho conseguiram a liberação da empresa para que o projeto seja realizado. O acordo era necessário uma vez que o trem utilizará a malha ferroviária arrendada à concessionária.

O projeto prevê, pelo menos, duas viagens diárias de Belo Horizonte a Brumadinho, ligando o Museu de Artes e Ofícios, localizado na Praça da Estação, no centro da Capital, ao Museu do Inhotim. A expectativa é levar para a cidade cerca de 2 mil passageiros diariamente. Além de levar os passageiros a Inhotim, haverá uma estação no centro de Brumadinho, o que poderá aquecer o comércio local e a economia do município.

“A principal ação para impulsionar a economia de Brumadinho é a criação do trem de passageiros que ligará Belo Horizonte a Inhotim. O projeto ficou 13 anos em discussão e dependia de um acordo com a MRS. Unimos os esforços e conseguimos chegar a um entendimento e agora vamos colocar o projeto em prática. O trem percorrerá cerca de 52 quilômetros e estamos em negociação com a Vale, para que a empresa patrocine o projeto. O turismo é uma grande oportunidade para diversificar a economia de Brumadinho”.

Modelo – De acordo com o ministro da Cidadania, Osmar Terra, o objetivo do governo é transformar Brumadinho em um projeto-piloto de superação, torna a cidade um modelo de todos os programas desenvolvidos pelo governo federal e também em modelo de parceria público-privada (PPP).

Caso as ações gerem resultados positivos, a ideia é levar os projetos para outras cidades atingidas pelo rompimento de barragens de rejeitos, como Mariana, por exemplo.

“Brumadinho depende da mineração e vamos ajudar o município a sair dessa dependência, embora ainda possa ter apoio e recursos da área, mas queremos criar um novo arranjo produtivo e o turístico é um grande potencial”.

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Produtores rurais passarão por capacitação

Os produtores rurais que foram impactados pelo rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, terão acesso à assistência técnica e gerencial por cerca de dois anos. O trabalho será desenvolvido pelo Sistema Faemg e pelo Sistema CNA, através do Serviço Nacional de Aprendizado Rural (Senar). Ao todo, serão investidos R$ 1,5 milhão, recurso que será disponibilizado pelo Senar nacional e estadual. A expectativa é atender cerca de 790 famílias da área rural impactada pelo rompimento. A estimativa é iniciar as ações no final de julho e início de agosto.

“Os produtores rurais foram muito atingidos, principalmente, os que estão nas margens do rio. Nosso pacote de ações será disponibilizado para as famílias, que terão acesso à assistência técnica e gerencial, aplicação de tecnologia para melhoria e geração de renda. Também haverá capacitações profissionais e sociais”, explicou o superintendente nacional do Senar, Daniel Carrara.

O reassentamento das famílias, que não têm mais condições de voltar para as áreas produtivas em função da lama, também será acompanhado. Será feita avaliação da melhor área e plano de negócio. A assistência também será por dois anos.

As principais atividades desenvolvidas na região são a hortifruticultura, pecuária de leite e turismo rural. Também serão atendidas famílias que não foram atingidas pela lama, mas que sofreram os impactos da desaceleração econômica. A ideia é prestar a assistência técnica para melhorar a qualidade, a produtividade, a renda e a comercialização dos itens.

“O Sistema Faemg vai trabalhar na recuperação econômica da região. É um amplo projeto de assistência aos atingidos que serão treinados e acompanhados”, explicou o presidente do Sistema Faemg, Roberto Simões.

O Carrefour está cadastrando produtores para fornecerem alimentos para a rede de supermercados. A primeira compra foi efetuada em maio, quando foram adquiridas 15 toneladas de mexericas.

A Fazenda Alegria, com sede em Funilândia, na região Central de Minas Gerais, está capacitando 50 produtores rurais da cidade e compartilhando ferramentas de gestão e técnicas de produção de leite e melhoria da qualidade dos produtos. O projeto já está em andamento e vai proporcionar aumento da produção e melhoria da qualidade dos produtos.