BRF eleva compra direta de grãos

Uma das maiores compradoras de milho e soja do Brasil, a empresa pretende elevar para 40% as compras diretas junto a agricultores

2 de dezembro de 2023 às 0h08

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Crédito: Jorge Adorno/Reuters

São Paulo – A companhia de alimentos BRF, uma das maiores produtoras e exportadoras de carnes de frango e suínos, prevê elevar para 40% as compras diretas de grãos junto a agricultores, do total de aquisições dessas matérias-primas, à medida que busca ter maior controle de fornecedores enquanto pretende eliminar também o desmatamento legal da cadeia produtiva até o final de 2025.

A BRF, uma das maiores compradoras de milho e soja do Brasil para a produção de ração aos seus integrados produtores de aves e suínos, iniciou no ano passado este movimento para ampliar a aquisição de grãos sem intermediação de agentes como tradings, e já passou da metade do caminho em direção à sua meta de dois anos.

As compras de grãos feitas diretamente de produtores saltaram de apenas 17% em 2022 para 32% do total de aquisições das matérias-primas em 2023, com a empresa também buscando melhorar as margens, uma vez que os negócios diretos são “mais econômicos”. Em anos recentes, quando os preços da soja e do milho dispararam, a companhia viu seus resultados caírem.

“Desse nosso desafio de dobrar a originação por meio de compras diretas (em dois anos, até 2024), já trouxemos mais de 50% em 2023”, disse o diretor de Operações e Compras de Commodities da BRF, Gilson Ross, em entrevista à Reuters, na sexta-feira (1º), em referência ao avanço da companhia em relação à meta.

A BRF ainda anunciou que terminou mapeamento de emissões do escopo 3 (aquelas feitas por fornecedores da companhia), no qual estão inseridas as compras de grãos, e os resultados confirmaram que neste item estão grande parte das emissões.

Para ampliar as compras diretas, a companhia adotou ações como o deslocamento de funcionários do segmento corporativo para unidades espalhadas pelo interior do País, reforçando equipes de compras de grãos em Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e nos estados do Sul do Brasil.

“Aumentamos o número de pessoas com o quadro para estar mais em contato com os produtores”, disse Ross, destacando que os times também estão se beneficiando das tecnologias contratadas pela empresa para monitoramento dos compradores. A BRF já investiu R$ 10 milhões na implementação de novas tecnologias para avançar na rastreabilidade dos grãos.

Biomas

Na sexta-feira, em entrevista à Reuters falando diretamente de Dubai, onde acontece a COP 28, a diretora de Reputação e Sustentabilidade da BRF, Raquel Ogando, revelou uma atualização de metas, afirmando que a companhia projeta ter rastreabilidade de 100% dos fornecedores de grãos, diretos e indiretos, até 2025.

O monitoramento de todos os produtores considera não apenas questões ambientais, mas também sociais. A rastreabilidade dos fornecedores diretos de grãos nos biomas da Amazônia e do Cerrado já é de 100% pela BRF, enquanto em 2023 a empresa avançou de 45% para 75% os indiretos.

A executiva disse ainda que a BRF definiu o fim de 2025 como data para encerrar compras de grãos de áreas desmatadas mesmo que legalmente do Cerrado brasileiro. Pela legislação brasileira, o agricultor tem direito de desflorestar parte das áreas de sua propriedade, dentro de alguns limites que variam de acordo com o bioma.

Mas a diretora destacou que a BRF não trabalhará com grãos de áreas desmatadas legalmente de qualquer bioma a partir de 2026 e lembrou que já não compra grãos de áreas desflorestadas após 2008 do bioma amazônico, seguindo parâmetros da Moratória da Soja, pacto elaborado pela indústria processadora e tradings. “Definimos o ano de 2025 como data de corte, alinhado com os princípios do SBTi (do inglês, metas baseadas na ciência)”, disse a diretora.

Embora a companhia tenha definido metas contra desmatamento, ainda que legal, em prol da sustentabilidade e das exigências de consumidores globais, a diretora acredita que os produtores têm ampliado produtividades e são capazes de atender aos novos desafios. “A nossa estratégia tem sido a de inclusão, caminho natural alinhado com o que temos visto das melhorias dos próprios produtores, tem grandes avanços nas produtividades das áreas”, esclareceu.

Nos escopos 1 e 2, a BRF anunciou que reduziu em 26% no ano passado as emissões absolutas de gases de efeito estufa em relação ao ano-base 2019, com estratégia de contratar energia renovável, como solar e eólica.

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