Citricultura de montanha cresce em Minas Gerais

Parte das regiões Sul e do Campo das Vertentes firma-se como mais um polo citricultor importante do Estado

5 de dezembro de 2023 às 0h25

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Frutas produzidas na nova área destinada à citricultura são principalmente para consumo in natura | Crédito: Arquivo Pessoal/Antônio Simoneti

Parte das regiões Sul e do Campo das Vertentes está se destacando, em Minas Gerais, como mais um polo da citricultura. Nas regiões, a chamada “citricultura de montanhas” vem ganhando espaço e os frutos são destinados, principalmente, para consumo in natura, diferenciando-se das demais áreas do Estado dedicadas ao setor. O clima, a altitude e a localização são diferenciais que favorecem a qualidade e o escoamento das frutas e têm atraído produtores, principalmente, vindos de São Paulo. 

A pesquisadora da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, (Epamig),  Ester Ferreira, explica que o polo da citricultura de montanhas de Minas Gerais tem como principal característica os planaltos ondulados, onde as altitudes variam de 500 até 1300 metros.

As cidades onde a produção da citricultura têm avançado são as seguintes: Madre de Deus, Piedade das Gerais, Minduri, Andrelândia, São Vicente de Minas e Cruzília. As características positivas foram um estímulo para a migração de produtores, que enfrentavam o avanço do greening em São Paulo.

“A doença é considerada o principal desafio da citricultura. Além disso, o manejo para o controle exige o envolvimento e o engajamento de todos os citricultores de uma região. Nesse sentido, vale destacar que migrar para outra região não resolverá o problema da citricultura, principalmente, no que se refere ao greening. Se um citricultor não fez o manejo corretamente em São Paulo e não o fizer para onde migrar, seja para Minas Gerais ou qualquer outro estado, não resolverá o problema”.

Potencial da citricultura de montanhas é grande em Minas Gerais

Com o potencial da região, as expectativas em relação à citricultura de montanhas em Minas Gerais são positivas. Conforme a pesquisadora, as plantas cítricas são perenes e, se bem manejadas, podem produzir por 15 a 20 anos. Na região, hoje, são cerca de 10 produtores investindo nas culturas. A grande maioria já era citricultor em outros estados e migraram para Minas.

“Os citros são uma planta cultivada há muitos séculos. No Brasil, está aqui desde a época do descobrimento. Então, com isso, além da adaptação às nossas condições climáticas, já há um pacote tecnológico dominado e consolidado. Essa tecnologia permite que a atividade se desenvolva onde não há limitações de clima, sendo este o caso de Estado”, disse a pesquisadora da Epamig, Ester Ferreira.

Na citricultura de montanhas em Minas Gerais, há uma grande diversidade de cultivares de laranjas, tangerinas e tangors (híbridos de laranjas e tangerinas). Assim, a variação permite a colheita o ano todo Os frutos destinam-se ao mercado in natura, de mesa.

Produção em alta

Conforme a pesquisadora, a região tem mostrado um grande potencial de desenvolvimento. “O crescimento da produção é evidenciado pelo aumento de área plantada que passou de 82 hectares, em 2012, para 1,51 mil hectares em 2022. O volume produzido é de 31,51 mil toneladas, quando considerando o somatório de todas as plantas cítricas: laranja, limão e tangerina”.

As malhas viárias de Minas Gerais e, no caso da região, a localização próxima a grandes centros consumidores, como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, garantem, assim, o escoamento da produção, que é bem aceita no mercado.

“Nessa região, as variações de relevo e altitude e a grande amplitude térmica podem influenciar no sabor e na qualidade das frutas. A tangerina ponkan produzida lá, por exemplo, é muito apreciada pela doçura”.

A Epamig têm acompanhado o desenvolvimento da chamada citricultura de montanha em Minas Gerais. Estão em curso, pesquisas voltadas para a análise da qualidade dos frutos e de suas aptidões para a indústria de bebidas, tanto alcoólicas quanto não alcoólicas.

Produtor migra de São Paulo para Minas Gerais

O produtor Antônio Carlos Simoneti, que cultivava citros em Limeira, em São Paulo, migrou para a cidade de Minduri, no Sul de Minas, em 2014. Logo que chegou,  o produtor investiu no plantio de 100 mil plantas. Com a altitude, infraestrutura e clima favoráveis para o desenvolvimento da produção, hoje, são 800 mil plantas.

“Conhecemos a região em 2013 e buscamos por terrenos mais planos, localização estratégica e energia trifásica e água, que são pontos importantes para o bom plantio e para termos estrutura, caso precise, para irrigar”.

Crédito: Arquivo Pessoal/Antônio Simoneti

Simoneti explica que um dos principais atrativos para trocar Limeira por Minduri foi a temperatura mais amena, que favorece a citricultura. Em uma safra boa, como foi a de 2023, são produzidas cerca de 1 milhão de caixas de 40,8 quilos de laranja e tangerina.

Apoio

Conforme o produtor, a citricultura de montanhas tem grande potencial em Minas. Porém, é preciso mais apoio do governo para que haja capacitação da mão de obra, fiscalização e medidas que promovam o controle do greening, além de pesquisas.

“O IMA, a Emater-MG e a Epamig estão desenvolvendo ações na região. Esse trabalho é de extrema importância, principalmente, do IMA para o controle do greening e para evitar a disseminação no Estado. É importante ter apoio. O novo polo citrícola está avançado e o mercado é promissor. Além disso, a citricultura gera muitos empregos, demanda muita mão de obra, o que agrega muito para os municíipios”. 

Calor é um desafio para a citricultura em Minas Gerais

Apesar da região apresentar temperaturas mais amenas,  Simoneti explicou que a safra a ser colhida em 2024 será menor em função das ondas de calor registradas nestes meses finais de 2023. As temperaturas elevadas afetaram a floração e é esperada uma queda de 40% no volume a ser colhido. A falta de frio e as chuvas mais constantes também impactaram, prejudicando a quebra da dormência. 

“Para evitar perdas, nosso plano é investir na implantação da irrigação. Assim, quando houver altas temperaturas, poderemos usar a irrigação para minimizar os impactos”, explicou.

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