Estudantes criam biofilme comestível

31 de março de 2022 às 0h30

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Entre outras vantagens do biofilme é que ele se degrada em dias, diferentemente do que acontece com os compostos por plásticos | Crédito: Cefet-MG/ Divulgação

Com o objetivo de encontrar alternativas para a preservação dos alimentos e redução do uso de plásticos e da produção de lixo, estudantes do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), em Contagem, desenvolveram um biofilme comestível para conservação de alimentos à base de amido de milho e gelatina. O produto, que ainda não foi testado em laboratório, pode ser uma solução para a preservação dos alimentos em casa, nos sacolões, mercados e pequenos estabelecimentos comerciais.

De acordo com o professor do Cefet Contagem e microbiologista Fagner Ferreira, o projeto foi desenvolvido pelas  técnicas em Controle Ambiental Bianca Gomes e Sarah Ivini. Durante a pandemia, com os laboratórios do Cefet fechados, as estudantes desenvolveram o biofilme em casa, após observarem o uso de plástico filme para a preservação dos alimentos. 

Utilizando matérias-primas acessíveis, como o amido de milho e a gelatina, elas criaram um biofilme comestível que, além de preservar as características de cada produto, ainda aumenta o tempo de prateleira. Outra vantagem é que o biofilme se degrada em dias, diferentemente do que acontece com os compostos por plásticos.

“Já existem na literatura outros biofilmes criados a partir de polpas de frutas e de glicerídeos. Mas as alunas queriam um biofilme que pudesse ser acessível, que o próprio consumidor conseguisse fazer em casa. Foram testados vários produtos, mas o melhor resultado foi alcançado com o amido de milho e a gelatina”, contou.

Ainda segundo Ferreira, foram feitos testes em alimentos diferentes como morangos, laranja, maçã, pepino e abóbora moranga. Os alimentos foram envoltos no biofilme e expostos ao ar livre, em temperatura ambiente. Eles também compararam com alimentos sem a aplicação do biofilme.

Ao longo de sete dias, foram observadas e registradas as alterações no estado dos alimentos. No terceiro dia de observação, 60% dos alimentos sem biofilme apresentaram alterações visíveis a olho nu, como sinais de desidratação e contaminação por microrganismos. Já os alimentos envoltos pela camada de biofilme se mantiveram conservados por um período maior, até o sexto e sétimo dias.

“Utilizando o biofilme, percebemos que o tempo de preservação dos alimentos foi, pelo menos, o dobro se comparado aos produtos sem a aplicação do biofilme. Mas será importante fazer testes em laboratórios”, explicou.

Praticidade

O objetivo é que o biofilme seja utilizado pelos consumidores em casa, com eles mesmos preparando o produto. Outra aplicação seria o uso em sacolões e mercados de pequeno porte.  

“O biofilme não é caro e pode aumentar o tempo de prateleira dos produtos. Pode ser uma opção interessante nos estabelecimentos comerciais”, disse Ferreira. 

A ideia, segundo ele, é que as alunas, que estão concluindo o curso, desenvolvam a pesquisa durante o estágio, utilizando os laboratórios do Cefet para testar em escala maior e com parâmetros mais bem definidos.

“Dessa forma, será possível achar parcerias para tocar o projeto. O biofilme pode ser uma opção interessante para substituir os microplásticos, por ele se degradar em dias enquanto o plástico leva anos, causando menos impacto ao meio ambiente”, completou.     

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