Exportações mineiras de ovos dão salto de 112,2%

30 de junho de 2021 às 0h29

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Minas Gerais é o segundo maior produtor de ovos do Brasil, com 9% do total | Crédito: Adriana Fuchter

As exportações de ovos e derivados estão em alta. Apesar de o mercado interno ser o maior demandador do produto, os embarques têm sido uma importante oportunidade para ampliar a margem e minimizar parte dos custos de produção, que estão em patamares elevados devido à valorização dos grãos. Somente entre janeiro e maio, as exportações mineiras do produto cresceram 112,2% em receita. O movimento também é visto nos embarques nacionais, que ficaram 150,3% maiores quando se comparada à receita gerada até maio frente a igual período do ano anterior. 

Segundo os dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), em Minas Gerais, as exportações de ovos e seus derivados cresceram 112,2% entre janeiro e maio, movimentando mais de US$ 1,5 milhão. Em volume, foram embarcadas 1,48 mil toneladas, avanço de 611,8% sobre as 209 toneladas exportadas em igual período de 2020.

O preço da tonelada valorizou no período. Enquanto nos primeiros cinco meses de 2020 a tonelada de ovos e seus derivados era comercializada a US$ 1.058,43, no mesmo intervalo de 2021 a cotação subiu para US$ 3.551,29, uma valorização de 235,5%.

Os últimos dados disponíveis sobre a produção mineira de ovos mostram que os custos de produção elevados têm impactado e houve redução do volume disponibilizado para o mercado.

Conforme a Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção mineira de ovos somou 88,5 milhões de dúzias ao longo do primeiro trimestre, variação negativa de 1,8% frente a igual intervalo do ano passado. Minas é o segundo maior produtor do País, respondendo por 9% da produção de ovos e atrás apenas de São Paulo. 

Custos desafiam

De acordo com o conselheiro-diretor da Associação dos Avicultores de Minas Gerais Avimig, Aulus Assumpção, a situação do produtor é bastante complicada, já que enfrentam aumento dos custos e dificuldades em repassar para o mercado final. 

“O produtor continua com margem negativa e, mesmo fazendo esforços de mudança de custos de matéria-prima, ainda está no prejuízo. Ficou claro para o produtor que esta margem só será obtida com a redução dos custos, principalmente do milho e do farelo de soja. Na outra ponta, o consumidor não tem condições de arcar com aumentos que seriam necessários para cobrir os prejuízos. Será necessário uma redução do preço da matéria-prima e pequeno aumento dos valores dos ovos para que o produtor volte a ter margem”, explicou. 

Ainda segundo Assumpção, o produtor já vem reduzindo, desde o último trimestre de 2020, o alojamento, colocando menos aves no mercado, atrasando o recebimento de pintos e a compra de frangas, na esperança de uma retomada econômica que permita a geração de empregos e consiga, assim, fazer com que o consumidor aumente seu ganho e permita o repasse de custo. 

“Considerando a situação atual de redução do dólar e sabendo que grande parte da matéria-prima usada tem pressão da moeda norte-americana, entendemos que, no médio prazo, poderemos ver a redução dos custos acontecer”. 

Embarques superam nível pré-pandemia

Assim como em Minas Gerais, no País, as exportações de ovos (in natura e processados) também estão positivas e totalizaram 5,108 mil toneladas entre janeiro e maio deste ano. O volume, segundo levantamento da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), é 143,4% superior ao realizado no mesmo período de 2020, quando foram embarcadas 2,099 mil toneladas.

Em receita, as vendas no ano chegaram a US$ 7,008 milhões, saldo 150,3% maior que o efetuado no mesmo período de 2020, com US$ 2,8 milhões. O presidente da ABPA, Ricardo Santin, explica que os embarques estão aquecidos e já superam o desempenho de antes da pandemia de Covid-19.

“As exportações de ovos, de janeiro a maio de 2021, apresentam grande desempenho de mais de 140% de aumento em volume. Estes níveis voltaram aos patamares de 2019 e se recuperam em relação ao mesmo período do ano passado”.

Para Santin, os embarques têm sido interessantes para o equilíbrio da produção de ovos, que enfrenta um aumento de custos significativos e resultante da baixa oferta de soja e milho, o que fez com que a cotação dos grãos atingisse patamares recordes. 

“As exportações confirmam o setor como um grande fornecedor de ovos do mundo. O Brasil está entre os dez maiores exportadores e produtores globais. Mas, mais do que isso, elas ajudam a nossa avicultura de postura a equilibrar um pouco o custo de produção. O aumento exagerado do milho e farelo de soja impactou severamente nas produtoras de ovos, e agora com a exportação consegue equilibrar, um pouco, capturando o efeito cambial. É um número muito positivo e esperamos que o setor, apesar de ter bases pequenas de exportação, comece cada vez mais a consolidar-se como parceiro dos nossos importadores na segurança alimentar daqueles países”, completou.

Alta das carnes nos últimos anos tem fortalecido consumo de ovos no País | Crédito: Paulo Lanzetta/Embrapa

Alimento consolida espaço na mesa do brasileiro

Com um consumo per capita de 251 ovos ao ano no Brasil, volume que foi alcançado em 2020 e ficou 9,56% maior que em 2019, a tendência é de novo crescimento este ano. Além de ser um alimento saudável e com vários modos de preparo, o preço mais acessível que os das demais proteínas tem elevado a demanda pelo produto. 

De acordo com o consultor de varejo e nutricionista Marco Quintarelli, o consumo de ovos aumentou por vários motivos, sendo um dos principais os preços mais acessíveis que os das carnes.

“O preço da carne bovina disparou e as famílias passaram a consumir mais ovos. A expectativa é que o consumo continue crescendo no País a cada ano. Além de ser uma opção para a substituição das carnes, o ovo é um alimento saudável e de fácil e variado preparo, o que também estimula o consumo”, explicou. 

Outro fator que favorece o consumo são os investimentos da produção na diversificação dos ovos. 

“O próprio mercado está investindo na diversificação dos ovos. Hoje, no varejo, o consumidor tem ovos de vários segmentos e categorias, orgânicos, com alto teor de ômega três, de galinhas criadas livres, entre outros. Isso é muito bom porque atende a vários segmentos de mercado, além de garantir o acesso das famílias de baixa renda a uma fonte rica em proteína”, destacou Quintarelli.

O conselheiro diretor da Avimig, Aulus Assumpção, explica que o consumo de ovos também tem sido estimulado pela percepção do consumidor de o ovo ser um alimento saudável e acessível a toda a população.

“O consumo de ovo abrange toda a população, tanto os jovens que necessitam de proteína, como os mais velhos que buscam as diversas vitaminas que o ovo contém. Por outro lado, é um produto com preço acessível, o que permite o acesso de toda a população”, disse Assumpção.

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