Geadas do Sul a Sudeste do País atingem lavouras de café em áreas de Minas

1 de julho de 2021 às 0h15

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Região Sul do Estado registrou ocorrência do fenômeno em alguns pontos isolados ontem | Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

São Paulo – O Brasil registrou ontem formações de geadas do Rio Grande do Sul ao norte de São Paulo, estado onde o fenômeno climático atingiu importantes áreas produtoras de cana-de-açúcar, e nem o café escapou, de acordo com avaliações de meteorologistas.

São Paulo é o principal produtor de cana do Brasil, respondendo por mais de 60% da produção de açúcar do País, que é o maior exportador global da commodity. O estado paulista também é o segundo produtor brasileiro de café arábica, atrás de Minas Gerais, mas as regiões cafeeiras não foram tão atingidas pelas geadas, embora não tenham passado ilesas ao frio.

“Para a cana o efeito é mais severo (do que no café), a cana pegou áreas majoritárias, pegou áreas no coração da cana-de-açúcar. O café pegou periferias, as minoritárias de café”, comparou o meteorologista Celso Oliveira, da Somar, citando a região de Ribeirão Preto, importante região canavieira.

As geadas da véspera, que haviam feito estragos em áreas de milho do Paraná e Mato Grosso do Sul – já atingidas pela seca -, foram mais amplas ontem, e o frio intenso deve continuar hoje.

“Na cana a geada pegou o Paraná, Mato Grosso do Sul e algumas áreas do estado de São Paulo nesta quarta-feira (ontem). Isso que surpreendeu, teve geadas inclusive no norte paulista”, disse Oliveira.

Ele citou geadas em Pradópolis, na região de Ribeirão Preto, onde a São Martinho tem operações de grande porte. Não foi possível obter comentário imediato da empresa.

“Na região de Jaboticabal teve temperaturas abaixo de zero, em Pradópolis… Teve geadas também em outras áreas, Rancharia, no oeste do estado, deu 2 graus abaixo do zero. Ituverava, 1,4 graus, Bauru deu 2 graus, também teve geada. Votuporanga, 1,7, também geada”, afirmou.

Ainda assim, ele disse que São Paulo observou “geadas pulverizadas”. “O Paraná teve geada generalizada, praticamente todas as usinas de cana. Já em São Paulo temos relatos de bolsões, mas não obrigatoriamente em todo o estado”, afirmou, explicando que o fenômeno também depende do relevo.

Minas Gerais – Segundo a Somar, as áreas de café atingidas estão localizadas no Paraná (pequeno produtor nacional) e na chamada Alta Paulista, na região de Marília. Oliveira avaliou que outras áreas de arábica em São Paulo e do Sul de Minas não foram atingidas pelo fenômeno.

Já o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos afirmou que as geadas desta vez atingiram lavouras de café da Mogiana e algumas áreas do Sul de Minas Gerais, as principais produtoras de grãos arábica.

“Há muito tempo não via formação de geadas dessa magnitude (no Brasil)”, disse Santos.

Segundo Oliveira, da Somar, para essa madrugada a empresa não via risco para o café, “embora o frio seja até mais forte no Sul de Minas, mas ainda assim não deve alcançar valores para geadas”.

“Para o café, Minas Gerais é o maior produtor do Brasil. Neste caso, diria que o efeito é mais especulativo do que efetivamente na produção brasileira, as áreas majoritárias de café não foram atingidas”, comentou. (Reuters)

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