Seca severa e geada irão reduzir a produção de café em Minas

13 de julho de 2021 às 0h30

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Apesar da cotação favorável do grão, produtores mineiros enfrentam altos custos com plantio | Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

As geadas que atingiram parte das regiões produtoras de café em Minas Gerais e em São Paulo, no início do mês, vão prejudicar ainda mais a produção em 2022. Segundo levantou a Associação dos Cafeicultores do Brasil (Sincal), o impacto somente das geadas no Sul de Minas e Mogiana Paulista deve gerar perdas próximas a 2% do total a ser colhido, ficando em torno de 500 mil a 1 milhão de sacas a menos.

Para os produtores atingidos pelo fenômeno meteorológico, a situação fica ainda mais delicada, já que o parque cafeeiro vem enfrentando, desde o ano passado, um período de seca severa, o que já compromete o desenvolvimento vegetativo e aumenta as estimativas de perdas para 2022 também. 

De acordo com o presidente da Sincal, Armando Mattiello, a situação dos cafeicultores é desfavorável e muitos são os prejuízos.

“Acabei de voltar de uma viagem de 15 dias, na qual visitei cafezais das principais regiões produtoras de café de Minas Gerais e São Paulo. As geadas prejudicaram cafezais no Sul de Minas e na Mogiana Paulista. Os impactos negativos serão vistos na próxima safra, mas a principal perda virá da seca, que atinge os cafezais desde o ano passado. Ao visitar as áreas, percebemos que não houve crescimento vegetativo. Em Minas, visitamos as regiões Sul e Triângulo, incluindo Patrocínio, que é a maior cidade produtora de café”, disse.

Seca 

Ainda segundo Mattiello, nas regiões visitadas, a seca deve provocar uma quebra de 60% na safra em 2021 e afetar a produção em 2022, que seria um ano de alta produção devido à bienalidade.

“O prejuízo é muito grande, principalmente em Minas Gerais. A seca já comprometeu a safra que estamos colhendo agora e vai comprometer, também, a safra 2022. As plantas não vegetaram para o próximo ano. A quebra será muito maior que o previsto, acredito que algo próximo a 60%”.

Em relação às geadas, Mattiello viu ocorrências no Sul de Minas e Mogiana Paulista. “Essa geada vai impactar em torno de 2% na safra 2022, variando de 500 mil a 1 milhão de sacas de perdas. Não é uma perda muito grande, mas, somada às provocadas pela seca, impacta bastante”, explicou.

Ainda segundo Mattiello, a situação do produtor de café é delicada. Mesmo com a saca de 60 quilos cotada acima de R$ 800, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os custos estão muito altos, em torno de R$ 700 por saca, e as perdas não deixam com que o produtor lucre.

“É uma situação muito ruim para todos, do pequeno ao grande cafeicultor. Muitas cidades têm o café como principal atividade econômica, e uma quebra como a atual prejudica o comércio, os empregos e os produtores”, avaliou.

Mattiello destaca ainda que os produtores precisam de políticas públicas eficientes e que ajudem os cafeicultores em períodos de crise. “Os produtores estão desassistidos. Muitas cooperativas balizam os preços do café para baixo, travam o café por 3 a 4 anos e o produtor é muito prejudicado. Fomos a campo para ver e mostrar como está a situação da produção, trabalho este que deveria ser feito pelas grandes cooperativas e entidades responsáveis pelas políticas públicas cafeeiras”, afirmou. 

Seguro rural

Com tantas perdas na produção cafeeira e a situação delicada dos cafeicultores, a indicação é que se invista na contratação do seguro para a safra, tentando minimizar prejuízos como o ocorrido na safra atual e que podem se repetir em 2022.

De acordo com a analista de Agronegócio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Ana Carolina Alves Gomes, com o avanço da colheita de café, em Minas, a quebra estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já se confirmou.

“A colheita está avançando e as perdas se concretizaram. Os produtores relatam que os grãos de café estão menores, chochos, defeituosos e queimados pelas altas temperaturas. Isso se reflete na necessidade de um volume maior de café para formar a saca. A safra quebrou, mas só teremos os números consolidados entre setembro e outubro, quando a colheita estará finalizada”, disse.

Ainda segundo Ana Carolina, a seca é o principal fator que prejudicou e irá impactar a safra 2022, já que vem prejudicando o crescimento vegetativo. A Faemg também já recebeu relatos de geadas na região Sul de Minas, divisa com São Paulo. Dentre as cidades afetadas, a mais prejudicada foi Ibiraci, com a geada atingindo 10% dos cafezais. 

“As geadas foram pontuais e pulverizadas, mas provocam prejuízos para os produtores atingidos. Também tivemos relatos de chuvas durante a colheita, o que prejudica a produção. No caso da geada, o impacto será sentido na próxima safra, uma vez que há queima das folhas, prejudicando o desenvolvimento da planta”.

Para Ana Carolina, os produtores devem investir no seguro para a safra, que ajuda a minimizar os prejuízos. Também é indicado manejo especial para as lavouras atingidas pelas geadas. 

“Os produtores que tiveram a área afetada pela geada vão enfrentar impacto negativo no ano que vem, que seria de maior produção. Então, o que temos alertado é sobre a importância do seguro. Assegurar as lavouras contra os efeitos climáticos, que estão prejudicando muito a cafeicultura, é uma ação importante. Além disso, o produtor pode buscar técnicas de manejo adequadas que possam minimizar os impactos”, concluiu.

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