Israel é o primeiro país a liberar a venda de carne bovina cultivada

O primeiro produto a ser lançado é umhíbrido de carne, composto por células não modificadas e não imortalizadas de uma vaca Angus preta premium

18 de janeiro de 2024 às 22h06

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Bife cultivado no país será a partir de células de Angus premium | Crédito: Divulgação/Aleph Farms

A comercialização de carne bovina cultivada foi aprovada nesta semana pelo Ministério da Saúde de Israel. O produto é produzido pela Aleph Farms. Assim, Israel se une a Estados Unidos e Singapura como os países que já permitem a venda desse tipo de carne. O diferencial é que, até o momento, todas as aprovações tinham sido relativas à carne de frango cultivada. Dessa forma, Israel é o primeiro país no mundo a liberar a venda de carne bovina cultivada.

O primeiro produto a ser lançado pela empresa sob a marca Aleph Cuts será o “Petit Steak”, um bife cultivado a partir de células de Angus premium. O produto híbrido de carne é composto por células não modificadas e não imortalizadas de uma vaca Angus preta premium, com uma matriz de proteína vegetal feita de soja e trigo.

Além das células derivadas de um dos óvulos fertilizados da vaca, não há outros componentes de origem animal no processo de cultivo ou no produto. O processo controlado e rastreável é realizado em um ambiente de produção asséptica, o que reduz significativamente os riscos de contaminação e exclui a necessidade da presença de antibióticos.

A Aleph Farms já solicitou autorização da carne cultivada para venda em Singapura, Suíça, Reino Unido e nos Estados Unidos.

O presidente do The Good Food Institute Brasil, Gustavo Guadagnini, diz que a aprovação da carne cultivada da Aleph Farms em Israel representa um avanço monumental para o setor de proteínas alternativas globalmente. “Este também é um momento crucial para Brasil, que também publicou seu o primeiro caminho regulatório para produtos do tipo e pode se posicionar como líder na adoção e na inovação de proteínas alternativas, trazendo benefícios tanto para a nossa economia como para o meio ambiente”, diz.

Foi em junho de 2023 que as empresas Upside Foods e Good Meat informaram que receberam a aprovação final do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), na sigla em inglês, para vender carne de frango cultivada em laboratório.

No País

No Brasil, em setembro de 2023, a JBS, maior produtora global de carnes, informou o início das obras do primeiro centro de pesquisa, desenvolvimento e inovação em carne cultivada no País, que deverá ser inaugurado no fim de 2024. Localizado no parque de inovação Sapiens, em Florianópolis, o JBS Biotech Innovation Center receberá um investimento total de R$ 310 milhões.

Em Belo Horizonte, cientistas do Instituto de Ciências Biológicas (ICB-UFMG), em parceria com pesquisadores do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), estão reproduzindo a carne de frango em laboratório, conforme divulgado pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO.

A Embrapa Suínos e Aves (SC) também está à frente de um estudo para desenvolver carne de frango cultivada em condições controladas de laboratório. Caracterizada como proteína alternativa, a tecnologia recria tecidos animais em laboratório a partir de células animais, proporcionando carnes análogas às naturais.

A opção de estudo da Embrapa pela carne de frango levou em consideração o fato de que é uma das proteínas mais versáteis, consumida em todo o território nacional, além de ser um dos alimentos mais completos nutricionalmente, importante para dietas saudáveis. Outra vantagem do estudo diz respeito ao acesso ao banco genético de aves da Embrapa Suínos e Aves.

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