Crédito: Eduardo Seidl/Palácio Piratini

Maior produtor de leite do Brasil, Minas Gerais bateu mais um recorde de produção em 2019 e puxou para cima os resultados da região Sudeste, que ultrapassou a região Sul na produção total. Além do volume de produção, o Estado também avançou nos níveis de produtividade.

Segundo dados da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM) 2019, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção mineira cresceu 5,7% em relação a 2018, superando a marca de 9,4 bilhões de litros e sendo responsável por 27,1% da produção nacional.

Ao mesmo tempo, a queda no número de vacas ordenhadas mostra que esse aumento na produção de leite se deve à melhora na qualidade genética e nutrição do rebanho mineiro: pela primeira vez, a produtividade superou a casa dos 3.000 mil/litros/vaca/ano (3.012 litros), aproximando-se da produtividade dos estados do Sul do País.

De acordo com o analista de agronegócios da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Wallysson Lara, 2019 deve ser comemorado especialmente pelo ganho de produtividade alcançado pelos pecuaristas de leite mineiros.

“Esse ganho de produtividade nos dá a chancela que estamos no caminho certo. O produtor, persistente mesmo com custos elevados, está produzindo e melhorando a produtividade. Fazendo mais com menos. A produtividade acima da média nacional demonstra o melhoramento genético, a otimização de tecnologias e inovações e também que o produtor está utilizando melhor a mão de obra. Se a gente acompanhar o primeiro semestre de 2020, os números ainda são mais impressionantes. Busca da eficiência para alcançar a sustentabilidade, com gestão econômica e responsabilidade ambiental, faz parte da explicação para os bons resultados”, explica Lara.

Entre os dez maiores municípios produtores do País, sete estão em Minas Gerais: Patos de Minas (segundo colocado), Patrocínio (quarto), Coromandel (quinto), Pompeu (sexto), Lagoa Formosa (sétimo), Prata (nono) e Carmo do Paranaíba (décimo lugar nacional). Já o valor da produção de leite no Estado subiu 15,7%, em virtude também do aumento no preço unitário, gerando uma receita bruta superior a R$11,5 bilhões.

Melhoria genética – Segundo o coordenador estadual em Bovinocultura da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), Nauto Martins, o bom desempenho do ano passado é fruto de um trabalho realizado há bastante tempo, que inclui muito estudo e dedicação por parte dos produtores, além de políticas públicas voltadas para a melhoria dos rebanhos e, consequentemente, aumento da produtividade.

“A produtividade cresceu na medida em que o produtor buscou mais eficiência técnica. Programas como o Pró-genética e o Pró-fêmeas democratizam a melhoria genética dos rebanhos, especialmente para os menores produtores. Essas são ações da Emater-MG em parceria com as associações de criadores de animais. Isso é feito desde 2006 e agora vemos o resultado. A pecuária é uma atividade de ciclos longos. Os resultados que temos hoje têm origem no passado e na permanência das boas práticas. Não adianta fazer um investimento ou um esforço apenas pontual. Tivemos animais melhorados produzindo mais também porque investimos mais tecnologia em itens como alimentação e manejo”, pontua Martins.

Futuro – Para 2020 a expectativa é também de bom crescimento apesar do susto imposto pela pandemia da Covid-19. O aquecimento do mercado interno e o auxílio emergencial de R$ 600 entregue pelo governo federal à parte da população mais vulnerável aumentam o otimismo do setor.

“Os números do primeiro semestre já apontam um ano de crescimento. Logo no início da pandemia, houve uma corrida aos supermercados e medo do desabastecimento. Felizmente isso não aconteceu e acabou demonstrando a capacidade dos produtores brasileiros, em especial, dos mineiros. O auxílio emergencial, que ajudou a reaquecer a economia das pequenas cidades, fez, inclusive, que parte da população passasse a acessar produtos de maior valor agregado, incluindo aí os laticínios. Agora começando o período das chuvas, a produção, historicamente, aumenta. A expectativa é de valorização da cadeia produtiva”, avalia o analista de agronegócios da Faemg.

“Passamos com louvor por esse período já em função dessas ações que trouxeram condições ao produtor de ter mais produtividade e, com isso, ganhar escala. O mercado mudou, a demanda aumentou e a produção diminuiu pela própria sazonalidade do período de seca e, por isso, o preço subiu, beneficiando o produtor. O auxílio emergencial ajudou para que muitas famílias entrassem no mercado de consumo, em um momento de pouco leite de mercado. A indústria tinha segurado a compra de leite esperando a reação dos consumidores e, com o aumento da demanda, houve uma busca concentrada pelo produto”, completa o coordenador estadual em Bovinocultura.

Crédito: Calil Neto

Rebanho bovino cresce e Estado mantém 3º lugar

O Estado manteve o terceiro rebanho bovino do Brasil, com aproximadamente 22 milhões de cabeças, número 1,0% superior ao de 2018. O Mato Grosso seguiu na liderança, com rebanho próximo de 31,7 milhões de cabeças, acompanhado por Goiás, com 22,8 milhões de cabeças.

Entre os rebanhos de grande porte, Minas Gerais também se destaca como o maior rebanho de equinos do País, mas houve decréscimo de 3,2% em relação ao rebanho mineiro de 2018. Vale salientar que, quando se trata de rebanhos de grande porte, apesar da terceira colocação do Estado no rebanho de bovinos e da primeira no de equinos, nenhum município mineiro ficou entre os dez maiores criadores, em virtude da predominância da pecuária extensiva e da área reduzida dos municípios mineiros em comparação à de municípios de outros estados. O maior rebanho bovino de Minas Gerais está no município de Prata (72º no ranking nacional) e de equinos, em Carlos Chagas (44º colocado nacional).

Já para o rebanho suíno, Minas Gerais ocupa a quarta colocação, sendo o município de Uberlândia o terceiro maior rebanho nacional. Destacam-se também os municípios de Patos de Minas (17º), no Alto Paranaíba, e Urucânia (18º) e Jequeri (19º), na Zona da Mata, importante região produtora do Estado. O total de suínos no Estado apresentou ligeiro decréscimo (-1,3%), enquanto o abate de animais aumentou 5,4%, indicando melhora na eficiência da criação. Esse incremento no abate em Minas também aproximou a relação mineira rebanho/abate da dos estados do Sul do Brasil, os maiores criadores dessa espécie.

A produção de ovos de galinhas em Minas Gerais aumentou 3,2% de 2018 para 2019, enquanto o efetivo de galinhas subiu 1,0%, indicando também possível melhora na produtividade do setor. O Estado manteve a terceira colocação tanto na produção de ovos quanto no efetivo de galinhas. O município de Itanhandu foi o quinto maior produtor de ovos, com a mesma colocação no efetivo de galinhas no Brasil, enquanto Montes Claros foi o 12º produtor de ovos e ocupou a 14ª colocação no efetivo. Em relação ao rebanho do total de galináceos, que inclui também a avicultura de corte, Minas Gerais permaneceu como o quinto maior rebanho, sendo Uberlândia o município com o sexto maior efetivo do País. Destacam-se também Pará de Minas (15º) e São Sebastião do Oeste (20º colocado nacional). Esse rebanho no Estado apresentou decréscimo (-1,3%), com o abate dos galináceos tendo apresentado crescimento de 3,7%.

Minas continuou na terceira colocação nacional no efetivo de codornas (apresentou decréscimo de 2,4%) e na produção de ovos (queda de 1,9%). Perdões (terceiro colocado), Pouso Alto (quarto) e Itanhandu (quinto lugar nacional) estão entre os municípios com maior produção de ovos de codorna do Brasil.

 

Mel e peixes – Já a produção de mel de abelha voltou a aumentar em 2019 (3,7%), após queda no ano anterior, mantendo Minas Gerais na quinta posição na produção nacional. Destacam-se os municípios de Itamarandiba e Bocaiúva, respectivamente 12º e 24º colocados no ranking nacional.

Minas manteve sua participação na produção de peixes da aquicultura no Brasil (6,8%) e sua colocação nacional (quarta posição). Destaca-se a produção de tilápia, totalizando 34,0 mil toneladas (terceiro maior produtor e 10,5% da produção nacional), sendo o município de Morada Nova de Minas, banhado pela represa de Três Marias, o segundo maior produtor. Importante produto também é a truta, com uma produção de 1,3 mil toneladas (maior Estado produtor, com 63,5% da produção nacional), sendo os quatro municípios maiores produtores do Brasil localizados na região da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais: Sapucaí Mirim, Itamonte, Camanducaia e Delfim Moreira. (DM)