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Agronegócio

Geadas elevam cotação da saca de café para mais de R$ 1 mil

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Geadas, segundo especialistas, não afetam muito safra atual, mas podem limitar oferta do café no próximo ano | Crédito: Marcelo Camargo/ABr)
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As geadas que atingiram, pela segunda vez no ano, várias regiões produtoras de café em Minas Gerais fizeram com que os preços do grão disparassem no mercado. O fenômeno meteorológico também atingiu lavouras em São Paulo e no Paraná.

De acordo com os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em apenas uma semana, encerrada em 23 de julho, a saca de 60 quilos teve o preço alavancado em 15,23%, saindo de R$ 875,45, em 16 de julho, para R$ 1.008,84. Na comparação com o mesmo período de 2020, a alta é de 98,19%.

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O mercado, segundo especialistas, segue agitado já que existe nova possibilidade de geada nas principais regiões produtoras do grão arábica, incluindo Minas Gerais, que é o maior produtor de café do País. No momento, a tendência é de preços firmes, o que deve elevar os custos para a indústria e, consequentemente, para o consumidor final.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que as geadas ocorridas no último dia 20 de julho tenham atingido uma área entre 150 mil e 200 mil hectares plantados com café arábica com possibilidade de impactos de baixa, média e alta intensidade.

Dentre as regiões mais afetadas em Minas Gerais estão a Sul, maior produtora do País, e o Sudeste. Áreas localizadas no Cerrado também foram atingidas. Segundo a Conab, que está em campo levantando os impactos, nos diversos municípios afetados as geadas atingiram percentuais variados, que vão de 10% a 100% das lavouras de café.

Em alerta

De acordo com o especialista em café da Mesa Agro da Terra Investimentos, Luiz Fernando Monteiro, o cenário atual é de grande preocupação, já que existe possibilidade de novas geadas.

“O mercado de café segue muito nervoso e preocupado não só com as consequências das duas geadas ocorridas, sendo a última na semana passada, como bastante tenso em relação à próxima frente fria que está se aproximando no fim desta semana. Todos os participantes estão monitorando as projeções e torcendo para que não se concretizem. Assim sendo, o mercado segue na expectativa com negócios limitados e preços muito elevados, tanto na comercialização do físico como das Bolsas de NY e B3 no Brasil, que se encontra no limite de alta”, explicou.

No momento, a cotação do grão segue acima de R$ 1 mil por saca, preço bastante elevado. A valorização é resultado da apreensão de uma nova geada e dos impactos dos efeitos climáticos na safra 2022, que já apresentava estimativa de perdas em função do clima seco. A situação pode ser agravada com as frentes frias. Por isso, no momento, os preços devem se manter valorizados.

“A tendência segue de alta no momento, principalmente, pela expectativa da nova frente fria chegando. Assim como o impacto das perdas na produção nas lavouras para as próximas safras. Poderemos observar correções de preços em virtude das especulações que ocorrem no mercado caso a frente fria não atinja de forma significativa novas áreas produtoras”, disse Monteiro.

Alta nas prateleiras 

Com a elevação de preços e uma safra 2022 que pode refletir os problemas climáticos, a estimativa é de que o café para o consumidor final também fique mais caro.

“Creio que a alta será refletida diretamente nos preços ao consumidor, isso já vinha sendo discutido e era ponto de debate em diversas mídias, inclusive no exterior. O momento é de preocupação e muita análise para que os compromissos sejam honrados ou renegociados de forma que todo o setor consiga passar por esse momento difícil e que os produtores atingidos pela geada consigam se recuperar de forma sustentável”, destacou.

O consultor da Safras & Mercado Gil Barabach também explica que o mercado do café, em função das geadas já ocorridas e da possibilidade de uma nova ocorrência, segue com preços elevados.   

“O mercado do café está muito firme, muito agitado e especulativo. O preço do café já subiu bastante por conta das geadas da semana passada, e ainda estamos com o clima de frio e tem uma nova massa de ar polar chegando. Com isso, o mercado está bem agitado, tentando se proteger do novo risco de geada e preços subindo bastante”, avaliou.

Saca supera R$ 1 mil

Com toda a movimentação, os preços do café superaram os R$ 1 mil por saca de 60 quilos. “Temos hoje um mercado muito firme, com os preços subindo novamente neste início de segunda-feira. Os cafés de bebida boa, no Sul de Minas, para termos uma ideia, estão a R$ 1.070 a saca 60 quilos. É um preço muito alto. Há um ano, este mesmo café estava em torno de R$ 500, então mais do que dobrou”, disse Barabach.

Barabach explica ainda que a geada não afeta muito a safra atual, que está em período de colheita, mas pode limitar a oferta em 2022. No boletim divulgado pela Safras & Mercados, os analistas ressaltam que as consequências ainda estão sendo avaliadas, mas a quebra da safra 2022 é uma realidade.

“Para a safra do ano que vem era esperada uma carga alta para os cafezais, após uma safra menor em 2021. Mas tivemos os meses de abril e maio secos e, agora, o frio e as geadas, o que vai impactar de forma negativa a produção. Tudo isso deixa o mercado bem nervoso e volátil”, explicou.

A reportagem tentou contato com algumas cooperativas mineiras de café das áreas afetadas, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

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