Preço do leite pago ao produtor bate recorde em Minas

Valor cobrado pelo alimento, que já vem em disparada em todo o País, avançou 19,08% e atingiu R$ 3,22 por litro em Minas em julho

9 de agosto de 2022 às 0h30

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Os custos de produção de leite caíram 1,2% no acumulado do ano, o que pode estimular a oferta | Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

A menor oferta de leite no campo e a maior disputa entre as indústrias, em Minas Gerais, fizeram com que o preço pago aos pecuaristas apresentasse forte alta e batesse recorde em julho. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o valor do litro do leite chegou a R$ 3,22 em julho, referente à produção entregue em junho, um avanço de 19,08% no Estado frente ao indicador anterior. Em relação ao preço praticado há um ano, o valor atual está 38,14% superior.

A tendência para agosto ainda é de preços firmes e uma possível queda nos valores só será possível com o aumento da oferta, que deve acontecer com a retomada das chuvas. 

Os dados do Cepea mostram que o avanço do preço também foi visto na média do Brasil. O valor do leite captado em junho de 2022 e pago aos produtores em julho subiu 19,1% frente ao mês anterior, chegando a R$ 3,19 por litro na média Brasil líquida do Cepea.

Assim como em Minas Gerais, o valor de R$ 3,19 foi o recorde da série histórica do Cepea, iniciada em 2004, e está 24,7% acima da média registrada no mesmo período do ano passado. Com esta sexta alta mensal consecutiva, o leite no campo acumula valorização real, na média Brasil, de 42,7% desde janeiro (valores deflacionados pelo IPCA de junho de 2022). 

No relatório do Cepea, a pesquisadora da entidade Natália Grigol explica que a elevação expressiva do preço do leite se deve à menor oferta, o que acirrou a disputa pelo produto entre as indústrias. 

“Este expressivo aumento se explica pela menor oferta de leite no campo em junho e pela maior disputa das indústrias de laticínios pela compra da matéria-prima para a produção de lácteos, para tentar evitar a capacidade ociosa de suas plantas”.

A analista de Agronegócios do Sistema Faemg  Mariana Simões explica que vêm sendo registradas altas expressivas nos preços do leite e dos lácteos devido à situação do produtor rural, que acumulou perdas com os custos aumentando mais que os preços recebidos e teve a capacidade de investir reduzida. Dessa forma, houve uma queda significativa na produção.

“Temos observado que houve um aumento expressivo no preço do leite e também nas prateleiras dos supermercados justamente pela baixa oferta de leite. Historicamente, já temos essa baixa oferta neste período devido aos regimes de chuvas. Porém, desde o final de 2021 e início de 2022, houve um aumento dos custos de produção e o preço do leite não acompanhou. Isso acabou comprometendo a rentabilidade do produtor e impactou de forma negativa na produtividade. O IBGE já apontou para uma queda de 9,5% na produção de Minas no primeiro trimestre de 2022”.

Segundo pesquisa do Cepea, o leite spot – comercialização entre as indústrias – apresentou valorização de 20,8% da primeira para a segunda quinzena de junho, chegando a R$ 4,16 por litro. A média mensal, de R$ 3,80 por  litro, ficou 26,2% maior que a registrada em maio.

Menor consumo

De acordo com Mariana, não é possível estimar como ficará o pagamento do leite para o produtor em agosto. Mas a expectativa é que os valores se mantenham próximos aos praticados em julho. 

“Tem acontecido algumas quedas nos preços do UHT e dos queijos nos mercados muito pela reação do  consumidor frente aos preços elevados. Mas agosto tem uma tendência de aumento de consumo pelo retorno às aulas. Por isso, a tendência é que os preços fiquem semelhantes a julho, mas o cenário é muito instável e é difícil saber qual será o real comportamento”, explicou Mariana.

Custos em queda

Em relação à oferta de leite, um aumento do volume no campo depende da retomada das chuvas e recuperação das pastagens. Porém, com os custos apresentando quedas, a retomada pode ser mais rápida.

De acordo com o levantamento da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – unidade Gado de Leite (Embrapa Gado de Leite), em julho, os custos de produção do leite no Estado caíram pelo terceiro mês consecutivo.

No sétimo mês do ano, o Índice de Custo de Produção de Leite (ICPLeite) recuou 0,8%. O resultado fez com que, nos sete primeiros sete meses de 2022, a variação de custos caísse 1,2%, revertendo a expectativa altista que se tinha no início do ano.

No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação de custos de produção deixou o

patamar de dois dígitos, que vinha ocorrendo nos últimos meses, e caiu para 9,1%, no período de agosto de 2021 a julho de 2022.

De acordo com a Embrapa, o principal causador, em julho, da redução dos custos foi o grupo Energia e Combustível, motivada pela retração do preço dos combustíveis, mais especificamente a gasolina, que teve baixa de preços de 20%. A queda foi resultado da desoneração de tributos no varejo e da redução de preços nas refinarias.

“A boa notícia para o produtor é que houve queda nos custos com combustíveis, energia e com o milho, que é um dos principais insumos do produtor na atividade leiteira. Os preços valorizados e históricos e a queda dos custos vai ajudar a recuperar parte da receita da propriedade no mês”, disse a analista de Agronegócios do Sistema Faemg  Mariana Simões.

DC Responde: Qual o preço do leite?

O valor médio do litro de leite pago ao pecuarista de Minas Gerais foi R$ 3,22 em julho, referente à produção entregue em junho. O valor ficou 19,08% maior que no mês anterior. Em relação ao preço praticado há um ano, o preço atual está 38,14% maior.  

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