Produção de ração animal sobe 5%

14 de novembro de 2020 às 0h18

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CRÉDITO: ALISSON J. SILVA/Arquivo DC

A demanda aquecida pelas proteínas animais e a desvalorização do real frente ao dólar, o que estimula as exportações de carnes, estão contribuindo para o aumento da produção de ração animal. De acordo com os dados do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações), no primeiro semestre de 2020, foram produzidas no País 37,2 milhões de toneladas de ração, aumento de 5,2% quando comparado com o primeiro semestre de 2019.

Para o segundo semestre, as estimativas são positivas e a tendência é de fechar o ano com uma produção em torno de 81 milhões de toneladas, representando um avanço de 4,5% sobre 2019. Quanto a Minas Gerais, o Estado responde por cerca de 11% da produção nacional, em torno de 8 milhões de toneladas ao ano.

Em relação aos volumes produzidos no País, a fabricação de ração para frango de corte cresceu 5%, somando 17,5 milhões de toneladas. Para poedeiras, o aumento foi de 7%, alcançando 3,5 milhões de toneladas. Incremento de 4,5% foi verificado na produção de ração para suínos, com um volume de 8,4 milhões de toneladas. No caso de bovinos de corte, foram fabricadas 2,3 milhões de toneladas, 6,9% a mais. Para o gado de leite, a alta foi de 5% e 2,8 milhões de toneladas de ração produzidas.

De acordo com o CEO do Sindirações, Ariovaldo Zani, ao longo do primeiro semestre, o setor conseguiu avançar um pouco mais do que o previsto. Zani classifica o incremento de mais de 5% como extraordinário e positivo para o setor.

“É um resultado extraordinário, mas este crescimento está atrelado a uma condição lamentável, que é consequência da pandemia. O isolamento compulsório, que se deu nos primeiros meses, e o fechamento de bares e restaurantes levaram a um maior consumo doméstico. Também houve estímulo devido ao pagamento do auxílio emergencial, que atingiu uma faixa da população que não tinha renda nenhuma e passou a consumir. Estes fatores estimularam a cadeia de proteína animal, ampliando a demanda por carnes de boi, suínos, frangos, leite e ovos”, destacou.

Ainda segundo Zani, dentre os fatores externos, a China, maior parceiro comercial do agronegócio brasileiro, perdeu grande parte do rebanho de suínos em função da Peste Suína Africana (PSA). Por ser o maior consumidor e produtor, o país ampliou as importações e o Brasil vem atendendo à demanda. O real desvalorizado frente ao dólar também foi um estímulo para o aumento das exportações e maior demanda por ração animal.

“Essa procura maior por parte da China e de outros países, como os do Oriente Médio, combinada com os fatores internos, demandaram mais da cadeia produtiva de proteína animal e a indústria de rações teve que responder com mais produção”, explicou.

Custos em alta – Um dos grandes desafios que vem pressionando e deixando o setor cauteloso é o aumento dos custos de produção, o que elevou os preços da ração. Com o real desvalorizado, as exportações de grãos também foram estimuladas, o que encareceu o milho e a soja, produtos utilizados na fabricação de ração.

“Desde o início do ano, a produção está pressionada pelos preços estratosféricos do milho, da soja e do farelo de soja. Comparando outubro de 2020 com o mesmo mês de 2019, o preço do milho subiu 86%, da soja 81% e do farelo mais que 107%. Também usamos vitaminas e aditivos nutricionais que são importados e pagos em dólar”, disse.

Ainda segundo Zani, o aumento do custo da ração foi grande. No caso da ração para frango, a alta foi de 92% e em suínos subiu 82%.

“Essa alta impacta no produto. Enquanto a ração de frango aumentou 92%, o preço pago ao produtor de frango aumentou, no intervalo, 30%, e o do suíno aumentou 74%. É um aumento menor que o do custo da ração. No caso do gado de leite, o preço da ração subiu 50% e o valor do leite 45%, ficou aquém. Para o produtor que exporta, a situação é mais tranquila. Mas, para o que vende no mercado interno, a situação é diferente e nos preocupa. Caso haja queda na produção de proteína, o setor de ração será afetado”, concluiu.

Expectativa é de avanço também no 2º semestre

Para o segundo semestre, as estimativas do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações) são positivas. A tendência é de alta demanda pelas carnes, que será estimulada pelas festas de final de ano, pelo pagamento do 13º salário e, talvez, pela manutenção do auxílio emergencial.

Com isso, a estimativa é de que a produção de ração no País atinja 81 milhões de toneladas em 2020, superando em 4,5% o volume produzido em 2019.

Já para 2021, os desafios podem ser grandes. Um dos pontos será o auxílio emergencial. Caso suspenso, a expectativa é de queda do consumo de proteína animal, o que irá impactar de forma negativa a demanda por ração. Outra tendência preocupante é que os custos com os grãos tendem a ficar elevados.

Se o auxílio emergencial deixar de ser pago, haverá queda de consumo. Além disso, com os custos em alta, o produtor tende a reduzir o rebanho. Ele também pode optar em abater animais com menor peso e mais precoces, o que reduz a demanda por ração”, disse o CEO do Sindirações, Ariovaldo Zani.

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