Queijos de Minas conquistam 43 medalhas no Mundial du Fromage

No concurso francês, os queijos dos produtores mineiros ganharam 10 medalhas de ouro, 17 pratas e 16 bronzes

14 de setembro de 2023 às 0h29

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Queijo Azul da Mantiqueira, da Laticínios Paiolzinho, de Cruzília, no Sul do Estado, foi medalha de ouro em Tours | Crédito: Divulgação/ Laticínios Paiolzinho

Os queijos de Minas Gerais foram destaque na 6ª edição do Mondial du Fromage et des Produits Laitiers, em Tours, na França. No concurso, que ocorre a cada dois anos, os queijos produzidos no Estado conquistaram 43 medalhas das 81 conquistadas por queijos brasileiros. Ao todo, os produtores mineiros ganharam 10 medalhas de ouro, 17 de prata e 16 de bronze.

Entre os premiados, o Queijo Aparecido, da Queijaria Alto da Aparecida, localizada na Serra da Mantiqueira, se destaca. As quatro amostras enviadas conquistaram quatro medalhas, sendo três de ouro e uma de prata.

O concurso foi realizado entre os dias 10 e 12 de setembro, na França. Ao todo, foram inscritos 288 queijos brasileiros, provenientes de Minas Gerais, Bahia, Pará, Ceará, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.

A competição contou com 250 jurados, responsáveis por analisarem 1.640 queijos de vários países. 

De acordo com a diretora da SerTãoBras, associação nacional que reúne produtores de leite, queijos, curadores, queijistas e pesquisadores, Débora Pereira, a participação dos produtos de Minas Gerais e do Brasil no concurso francês é importante e contribui para o reconhecimento e a valorização dos produtos.

“O concurso foi um sucesso. Além de Minas Gerais, vários outros estados também conquistaram prêmios. Tivemos premiações para queijos da Bahia e do Rio Grande do Sul, estados que ainda não tinham conquistado medalhas. A participação e a conquista de medalhas no concurso é uma forma dos produtores agregarem valor ao queijo”.

O deputado Zé Silva (Solidariedade), que participou do tour à França, ressaltou o desempenho importante dos queijos brasileiros no concurso. 

“Minas Gerais e o Brasil foram destaques na França. No Mundial da França, o Brasil ganhou 81 prêmios, sendo 43 medalhas concedidas a queijos produzidos em Minas, ou seja, 53% dos premiados. Dos 46 produtores premiados, 24 são mineiros. Minas é um estado de muito destaque”.

O deputado federal Zé Silva, que é um dos autores do projeto que deu origem à Lei 13.860/19, que autorizou a comercialização dos queijos artesanais em todo o território nacional, afirma que vai continuar trabalhando em prol dos produtores de queijo.

“Estou voltando para o Brasil, para Minas Gerais. Eu, que já estive na França em 2001, pude levar muito aprendizado para a Emater, depois como secretário de Agricultura e também como deputado federal. Fui autor da lei dos queijos artesanais. Volto muito feliz da França e levo na bagagem missões importantes. Pretendo promover um seminário sobre queijos na Câmara dos Deputados”.  

Missão Queijeira

Além de levar os queijos para participarem do Mondial du Fromage et des Produits Laitiers, em Tours, a diretora da SerTãoBras, Débora Pereira, também ficou à frente da Missão Queijeira França.

A missão técnica contou com a participação de 35 pessoas de vários estados, incluindo produtores, curadores, técnicos agropecuários, representantes de produtores rurais, pesquisadores, entre outros.

“A missão percorreu mais de mil quilômetros de ônibus. Nós conhecemos nove regiões queijeiras de denominações de origem protegida, do Sul ao Norte da França, de Roquefort à Tours”, explicou Débora.

O diretor técnico do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Guilherme Negro, participou do evento e explicou que importância da participação do IMA na missão técnica queijeira na França.

“Tivemos a oportunidade de conhecer diversos aspectos técnicos e sanitários relacionados à produção de queijos de leite cru. Principalmente sobre fabricação, maturação e comércio, incluindo também a forma de criação dos animais e a produção de leite nas propriedades”.

A expectativa é retornar a Minas Gerais e compartilhar o conhecimento e experiências obtidas na França.

“Quero compartilhar os conhecimentos com os órgãos vinculados à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), de forma a desenvolver políticas públicas que envolvam todo setor queijeiro mineiro, nas áreas de extensão, pesquisa, fiscalização,  educação sanitária e sustentabilidade da produção”.

Queijaria Alto da Aparecida levou três ouros e uma prata | Crédito: Divulgação/Queijaria Alto da Aparecida

Queijos de Minas lideram entre os estados

No concurso da França, Minas Gerais foi destaque. De acordo com o deputado federal  Zé Silva, dos 46 produtores rurais brasileiros que conquistaram prêmios, 52,2% ou 24 produtores são de Minas.

Dos queijos que conquistaram medalhas, 53% são mineiros. Ao todo, foram 43 medalhas conquistadas, dos 81 premiados do Brasil. 

Os queijos brasileiros conquistaram 17 medalhas de ouro, sendo que 10 ou 58,8% foram para queijos de Minas Gerais. Ao todo, foram 17 medalhas de prata conquistadas pelos mineiros, representando, assim, 73,9% das 23 premiações concedidas aos queijos nacionais. 

Os queijos produzidos em Minas foram premiados também com 16 medalhas de bronze. A participação ficou 73,9% das 23 medalhas de bronze concedidas aos queijos brasileiros.

Grandes destaques

Um dos grandes destaques foi o Queijo Aparecido, produzido em Carvalhos, no Sul de Minas Gerais. Os quatro queijos inscritos pela Queijaria Alto da Aparecida, na Região da Mantiqueira de Minas, foram premiados, sendo três medalhas de ouro e uma medalha de prata. 

Conquistaram as medalhas de ouro os queijos: Aparecido Maturado 12 meses; Aparecido Maturado 18 meses e o Aparecido maturado 24 meses. O Queijo Aparecido maturado 8 meses ganhou a medalha de prata.

De acordo com a gerente da Queijaria Alto da Aparecida, Paula Martins, a conquista das medalhas na França é muito importante para reconhecer o trabalho desenvolvido e também para abrir novas oportunidades de mercado. 

“A nossa maturação é feita a temperatura ambiente. Como estamos no alto da Serra da Mantiqueira, a temperatura é bem amena. Começamos a fazer as maturação sem pretensões de vendas, mais para consumo da fazenda. Mas, com o tempo, as pessoas foram conhecendo, gostando muito e nós resolvemos montar a queijaria. Ela foi construída há cerca de 2 anos e meio”.

O trabalho cuidadoso e a qualidade têm sido reconhecidos em diversos prêmios. Neste ano, o Queijo Aparecido já conquistou certames realizados na Região da Mantiqueira, no Estadual promovido pela Emater, no Concurso Internacional de Araxá e, agora, na França.

“Agora conquistamos três ouros e uma prata no concurso Mundial da França. Veio para fechar com chave de ouro. É muita emoção e alegria. É nosso trabalho sendo reconhecido e a nossa região também. A gente trabalha em equipe e, juntos, temos um pensamento só, que é mostrar o nosso queijo para o mundo”, explicou. 

O Queijo Azul da Mantiqueira, produzido pelo Laticínios Paiolzinho, em Cruzília, no Sul de Minas, também conquistou uma medalha de ouro no mundial francês.

De acordo com o gerente Anderson Maciel, esta foi a primeira vez que o Azul da Mantiqueira foi inscrito no concurso.

“Estamos muito felizes, essa foi a primeira  vez que participamos deste concurso na França. Nosso Queijo Azul da Mantiqueira é de mofo azul, uma receita exclusiva nossa. Para a gente, é um sonho ganhar essa premiação no concurso da França, que é o berço do queijo, onde nasceram os queijos mais finos. Inclusive, é o país de origem do roquefort, do qual o nosso é derivado. Estamos muito felizes e essa premiação vai abrir muitas portas”, disse.

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