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Agronegócio

Suspeita de “vaca louca” em Minas já impacta o mercado de boi gordo

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Com a suspeita de ocorrência da BSE em Minas e com o feriado de 7 de setembro, os frigoríficos reduziram o ritmo de abates | CRÉDITO: CHARLES SILVA DUARTE
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A suspeita de um caso atípico de encefalopatia espongiforme bovina (BSE), sigla em inglês, doença também conhecida como “vaca louca”, em Belo Horizonte, já impactou no mercado do boi gordo. Na última semana, negociações de boi gordo na Bolsa de Valores perderam força e frigoríficos reduziram o ritmo de abate na sexta-feira (3).

Em função da suspeita, do receio de impactos na exportação e também devido ao feriado de 7 de setembro, unidades abatedoras irão operar somente a partir de quarta-feira (8). O setor em geral aguarda o resultado de exame que está sendo feito no exterior, que irá confirmar ou não o caso atípico da doença.

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O superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Altino Rodrigues Neto, explica que a Faemg está acompanhando atentamente a suspeita de BSE no Estado. 

“A gente, pelo histórico e pelos protocolos sanitários adotados no País, espera que, caso o resultado seja positivo, que seja a doença atípica, que é aquela que ocorre em animais mais velhos por alterações genéticas. Acreditamos nisso, porque nossas normas e controles sanitários proíbem o uso de proteína animal na alimentação bovina e nossa fiscalização é muito forte e rigorosa, principalmente, sobre utilização de cama de frango”.

Altino ressalta também que as fábricas de ração são registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e não há adição de farinha de carne em ração para bovinos. “Por isso, é praticamente impossível termos casos da BSE clássico. Estamos acompanhando e confiamos plenamente nas nossas autoridades sanitárias. Estamos aguardando com tranquilidade e caso o resultado do exame seja positivo, que seja para a BSE atípica”.

Assim que foram identificados sintomas de BSE no bovino, foi realizado um primeiro exame que apresentou resultado positivo para a doença da vaca louca e um segundo que foi negativo. Como procedimento padrão, amostras foram enviadas a um laboratório da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE, em inglês) para análise mais detalhada. O resultado é aguardado para os próximos dias.

Altino explica que vários procedimentos, em caso de suspeita da doença, são adotados, como a interdição da fazenda, identificação dos bovinos e investigação do tráfego de entrada e saída de animais. O animal com suspeita da BSE atípica foi abatido e destinado à graxaria.

“Isso nos tranquiliza muito por sabermos que o animal não foi para consumo humano. Se tudo desse errado, não teríamos nenhuma preocupação com as pessoas já que não houve a disponibilização da carne no comércio para ser vendido”.

Mercado

Com a suspeita de vaca louca, o mercado do boi gordo foi afetado na última semana e deve seguir enfraquecido até um posicionamento oficial do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Conforme divulgou o engenheiro agrônomo e analista de mercado da Scot Consultoria, Alcides Torres, a semana terminou de maneira dramática para o boi gordo. Com a notícia que circulou da identificação de bovino com sintomas da vaca louca – o que ainda precisa ser confirmado – o mercado ficou ainda mais frouxo. A suspeita de BSE aconteceu em um período de oferta maior de gado saindo do confinamento. 

De acordo com os dados do Cepea, a arroba do boi gordo que estava cotada em torno de R$ 317, no dia 30 de agosto, já retraiu para R$ 305 no fechamento do dia 2 de setembro.

“Com a notícia da suspeita de vaca louca, o mercado ficou assustado, na retranca, os preços caíram na B3 e compradores estão retraídos. Se a carne não for exportada, provavelmente vai sobrar no mercado interno e o setor terá que fazer reajuste e a coisa para. Isso já aconteceu em 2019, mas, na época, estava em transição entre chuva e seca e com menor volume de gado confinado. Quem tem gado confinado não pode esperar. Os frigoríficos saíram do mercado e o pecuarista está em situação ruim. A situação é mais dramática. O mercado ficou praticamente sem abate na última semana e na semana até 7 de setembro está sem abate. Se tudo correr bem e tiver anúncio oficial, o mercado deve voltar à normalidade em meados da semana”, explicou Torres. 

Questionado pela reportagem do DIÁRIO DO COMÉRCIO sobre a real situação, expectativa de resultado de exames, providências adotadas e se houve alguma manifestação dos países importadores, o Mapa se limitou a enviar uma nota, que não respondeu os questionamentos.

“Como membro da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o Brasil adota os procedimentos de vigilância, investigação e notificações recomendadas pela instituição. Casos em investigação são corriqueiros dentro dos procedimentos de vigilância estabelecidos e medidas preventivas são adotadas imediatamente para garantir o controle sanitário. Uma vez concluído o processo em investigação, os resultados serão informados”, disse a nota.

A Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) explicou que está aguardando o resultado da investigação do Mapa. Em nota, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), autarquia vinculada à Seapa e órgão responsável pela defesa sanitária animal no Estado, diz “colaborar com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento nestas investigações, sempre que solicitado, atuando para a garantia da segurança e qualidade da produção mineira e prestará informações adicionais tão logo obtidos os resultados dos exames”.

Fundesa

Caso a encefalopatia espongiforme bovina (BSE) atípica em Minas Gerais seja confirmada, ações serão desenvolvidas para garantir a sanidade da produção. Uma importante ferramenta que o Estado conta é o Fundo de Defesa Sanitária do Estado de Minas Gerais (Fundesa). 

Criado em conjunto com seis entidades, o fundo privado é considerado uma importante ferramenta para garantir a sanidade dos rebanhos, a capacidade de controlar possíveis epidemias e promover a capacitação e as fiscalizações. 

“As entidades envolvidas sempre estiveram preocupadas com a defesa sanitária devido à importância que a pecuária tem no Estado. Assim, criamos o fundo que está sendo implementado para dar suporte em casos de emergência sanitárias, que poderão surgir. Caso seja necessário, o fundo tem recursos para rastreamento e dará apoio às entidades do governo”, disse o superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Altino Rodrigues Neto.

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