Transferência de embriões promove salto de gerações na pecuária

Tecnologia de transferência pode ser personalizada, atendendo a demandas de segmentos

3 de maio de 2022 às 0h30

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Cada vez mais, pecuaristas têm investido em melhoramento genético do rebanho | Crédito: Paulo Whitaker/Reuters

O aumento da eficiência na pecuária, tanto de corte quanto de leite, é importante para melhores resultados. Uma das formas de avançar na qualidade do rebanho e dos produtos é a melhoria genética. Em Minas Gerais e no País, uma das alternativas mais modernas, que traz maior resultado em menor tempo e vem sendo adotada pelos pecuaristas, é a transferência de embriões

Pensando no mercado aquecido e nas vantagens do processo, a CRV, uma das principais empresas do mercado de inseminação artificial de gado de corte e de leite no Brasil, entrou no segmento de embriões. Através da linha CRV Embryo, a empresa já comercializa embriões das raças Nelore e Girolando e o portfólio receberá novas opções nos próximos meses. 

De acordo com o gerente de negócios de embriões da CRV, Antônio Nogueira, o uso de embriões “in vitro, feitos em laboratório, traz resultados rápidos para os pecuaristas.

“A gente tem várias formas de promover o melhoramento genético bovino. Uma é adquirindo animais vivos e investindo em animais melhoradores, outra é a inseminação artificial, que utiliza do material genético do touro para promover o melhoramento. Agora, outra ferramenta que vem ganhando espaço são os embriões, que têm materiais genéticos do touro e também da fêmea, então o melhoramento tem força duplicada, vindo do lado do macho e também da fêmea para fazer e promover o melhoramento”, destaca.

Ainda segundo Nogueira, a velocidade do melhoramento quando se utiliza a transferência de embriões é muito maior que nos demais métodos, o que, se feito da forma correta e bem planejada, pode potencializar a produção nas fazendas.

“Uma das vantagens de se utilizar o embrião é que a gente consegue acelerar muito o melhoramento genético. É tão veloz que, se pegarmos um rebanho comercial comum e implantarmos os embriões, é possível acelerar até cinco gerações em uma. Cada geração demanda três anos, que é o período para a fêmea se reproduzir. São 15 anos de aceleração, sendo conservador”, explica.

Personalização

Além de acelerar a qualidade da genética, com o uso dos embriões é possível  promover um melhoramento mais dirigido, que é destinado a rebanhos já melhorados, mas com características que podem avançar ainda mais. 

“Exemplo disso é o rebanho de leite que produz boa quantidade, mas precisa aumentar os níveis de sólidos presentes no leite. Neste caso, vamos usar embriões para fazer o melhoramento mais dirigido e o pecuarista ter melhores resultados na venda do produto”, diz.

Ainda segundo Nogueira, outra característica muito importante é a fertilidade. É possível implantar embriões com genética de fêmeas que tenham características para ter uma reprodução mais precoce. “Essa seleção pode significar uma produção de 1 ou 2 vezes mais”.

Qualidade da carne

Também é possível direcionar o aperfeiçoamento para o melhor acabamento de carcaça e qualidade de carnes, características que são valorizadas no mercado e que remuneram mais o pecuarista. 

“Os frigoríficos pagam melhor por um rebanho que tenha marmoreio maior, acabamento maior de gordura. O melhoramento dirigido com embrião acelera e faz o giro rápido”, conta.

O custo para o uso dos embriões é maior e precisa ser acompanhado por profissionais, que vão participar de várias etapas, como da nutrição dos animais, preparação para o recebimento do embrião, transferência dos embriões, saúde e sanidade dos animais.

“O valor é maior, mas o retorno vem nos ganhos genéticos. Em média, o embrião tem valor em torno de R$ 600”.

Nogueira explica ainda que a tecnologia é considerada segura e já avançou muito. “Hoje é uma tecnologia muito confiável, por isso, ela tem se tornado um produto muito utilizado pelos pecuaristas e que, nos últimos três anos, vem crescendo de 30% a 40%”.

MG vai se tornar área livre de vacinação contra aftosa

Minas Gerais fará, neste ano, as últimas etapas da Campanha de Vacinação contra a Febre Aftosa. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou, no último sábado (30), durante a abertura da Expozebu em Uberaba, no Triângulo Mineiro, a suspensão da vacinação contra a doença, a partir de 2023, para Minas e outras seis unidades da federação que fazem parte do Bloco IV do Plano Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa e cumpriram os pré-requisitos do plano estratégico para a dispensa da imunização. Para o pecuarista, o avanço se traduz em redução dos custos de produção, abertura de novos mercados e melhor remuneração pela tonelada exportada.

Além de Minas, também serão beneficiados com a medida Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e o Distrito Federal. Os outros quatro estados do bloco – Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Sergipe – devem manter as duas etapas de vacinação previstas para o próximo ano.

Minas Gerais se junta aos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia, parte do Amazonas e parte do Mato Grosso, que já possuíam o status de área livre de aftosa sem vacinação.

O último registro da doença no Estado foi em 1996. Após anos de adesão dos pecuaristas às campanhas de vacinação e de vigilância sanitária, a doença foi considerada erradicada no Estado em 2001 pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).  Desde então, Minas Gerais é reconhecido pelo órgão internacional como zona livre de febre aftosa com a obrigatoriedade de vacinação.

Com o cumprimento dos critérios estabelecidos pelo Mapa – como exames comprovando a ausência da circulação do vírus no rebanho, cobertura vacinal acima de 95% e a estruturação física e de pessoal nas unidades de vigilância – agora o Estado alcança um novo status, o que atesta o avanço no programa de controle sanitário mineiro. O rebanho livre de febre aftosa sem vacinação é inclusive exigência de alguns países para a importação de carne bovina.

Para o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, a decisão do ministério foi uma grande conquista para o Estado. “A retirada da vacina deve abrir as portas de novos mercados, que exigem dos exportadores o status de livre de febre aftosa sem vacinação e remuneram melhor os produtos vindos desses países. Nós vamos poder comercializar nossos produtos acima do valor obtido hoje, como fazem os estados que já retiraram a vacinação de seus rebanhos”, afirma.

No setor produtivo, os benefícios da retirada serão sentidos já no custo de produção. Com um dos maiores rebanhos bovinos do País, as duas etapas da campanha de vacinação no Estado envolvem cerca de 35 milhões de doses de vacinas. Para o pecuarista, a economia será imediata na medida em que não haverá gastos com a compra da vacina e a parte operacional do manejo do gado para vacinar. (Agência Minas)

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